Pessoas Boas Dormem bem
Metade noite
metade raiar
metade dormir
metade acordar
•
metade real
metade espelhar
metade nitidez
metade embaçar
•
metade câmera
metade meu olhar
metade admiração
metade meu registrar.
Quem me protege não dorme. Me guia e me guarda, não importa o que fizer. Sou filho do mais poderoso, então nada me para.
Como quero poder acorda do seu lado e te beijar
Como quero poder dormir do seu lado e te abraçar
Como quero sentir seu cheiro na madrugada
Como quero estar contigo na noitada
Nao sei se aconteceu
Sei que vou estar
No seu lado
Sempre te cuidar
Não importa o que pensam
Não ligo para o que digam
Não importa o que falam
Eu continuo repetindo
Voce eu quero
Voce eu desejo
Voce eu preciso
Voce eu creio
A vida é assim
Cheia de surpresas
trouxe voce para mim
A mais bela princesa
Na escuridão da noite
O crime suspira
A cidade não dorme
A vida que se retira
Nas ruas frias
A sombra se agiganta
Crime e castigo
A dor que nunca se espanta
Na esquina escura
O destino se revela
Corações partidos
A alma que se revela
O vício seduz
Uma vida em pecado
Crime e castigo
O preço do passado
Nas favelas
A violência se perpetua
O sangue que escorre
A dor que continua
A lei não enxerga essa realidade crua
Crime e castigo
Uma vida sem lua
Penso em dormir como uma forma de desistir, da consciência, da vigilância. Há formas de desistir que são saudáveis.
"Muitas vezes ali se deixava estar durante toda a noite, sem dormir a esfregar-se no couro, durante horas a fio. Quando não, reunia a coragem necessária para se entregar ao violento esforço de empurrar uma cadeira de braços para junto da janela, trepava para o peitoril e, arrimando-se à cadeira, encostava-se às vidraças, certamente obedecendo a qualquer reminiscência da sensação de liberdade que sempre experimentava ao ver à janela. De fato, dia após dia, até as coisas que estavam relativamente pouco afastadas se tornavam pouco nítidas; o hospital do outro lado da rua, que antigamente odiava por ter sempre à frente dos olhos, ficava agora bastante para além do seu alcance visual e, se não soubesse que vivia ali, numa rua sossegada, de qualquer maneira, uma rua de cidade, bem poderia julgar que a janela dava para um terreno deserto onde o cinzento do céu e da terra se fundiam indistintamente. Esperta como era, a irmã só precisou ver duas vezes a cadeira junto da janela: a partir de então, sempre que acabava de arrumar o quarto, tornava a colocar a cadeira no mesmo, sítio e até deixava as portadas interiores da janela abertas".
Sente-se a verdadeira alegria quando se coloca a cabeça ao travesseiro e tranquilamente se dorme, pois essa não é apenas uma alegria por conveniência.
"Às vezes, no meio da madrugada, tenho a certeza de que nao voltarei a dormir. Mas fecho os olhos mesmo assim, pra ter um pouco mais das lembrançassuas”
A Troco de Quê?
A troco de quê tô nessa correria,
acordando cedo, dormindo tarde,
fazendo mil coisas por dia
e esquecendo até de quem eu sou de verdade?
A troco de quê esse estresse sem fim?
Pra agradar quem nem liga pra mim?
Pra pagar boleto que nunca acaba?
Pra comprar mais uma roupa que nem me agrada?
A troco de quê tanto “sim” engolido,
tanta vontade deixada pra depois?
Me diz, sinceramente e sem ruído:
o que a gente ganha com esses “pois”?
"É que a vida é assim"... será mesmo?
Ou a gente que entrou no automático?
Vai aceitando tudo sem critério,
até o riso virar algo quase dramático?
A troco de quê tô me cobrando tanto,
se nem sei de quem partiu essa cobrança?
Às vezes parece que vivo num pranto,
só esperando um feriado ou esperança.
E se, por um segundo, eu parar?
Se eu respirar, me ouvir, me cuidar?
Talvez eu descubra, sem querer,
que viver tem mais a ver com ser.
Porque no fim, se for pra correr,
que seja atrás de um pôr do sol bonito,
de uma gargalhada que me faça esquecer
que o mundo às vezes parece esquisito.
Então, que fique a pergunta no ar,
pra sempre, pra mim, pra você:
o que a gente tá fazendo, afinal,
a troco de quê?
Dizem que os idosos dormem pouco,
acredito que seja porque
o nosso relógio biológico,
sabiamente, compreende
que o viver é uma dádiva
e por isso, quanto mais tempo
vivermos em cada dia,
mais seremos agraciado
pela esse maravilhoso presente
chamado de vida.
Ah! plangentes violões dormentes, mornos,
Soluços ao luar, choros ao vento...
Tristes perfis, os mais vagos contornos,
Bocas murmurejantes de lamento.
Noites de além, remotas, que eu recordo,
Noites de solidão, noites remotas
Que nos azuis da Fantasia bordo,
Vou constelando de visões ignotas.
Sutis palpitações à luz da lua,
Anseio dos momentos mais saudosos,
Quando lá choram na deserta rua
As cordas vivas dos violões chorosos.
(...)
Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
Tudo nas cordas dos violões ecoa
E vibra e se contorce no ar, convulso...
Tudo na noite, tudo clama e voa
Sob a febril agitação de um pulso.
Que esses violões nevoentos e tristonhos
São ilhas de degredo atroz, funéreo,
Para onde vão, fatigadas do sonho,
Almas que se abismaram no mistério.
Sons perdidos, nostálgicos, secretos,
Finas, diluídas, vaporosas brumas,
Longo desolamento dos inquietos
Navios a vagar à flor de espumas.
Ser feliz é dormir satisfeito com o dever cumprido de ser, de fato, humano e acorda de bem com a vida, consigo e com os outros.
Boa noite não é uma expressão banal que anuncia a hora de dormir. É o meu desejo sincero de que a sua noite seja realmente boa.
