Pessoas Admiráveis
Vazios de Si:
Vivemos numa era onde as pessoas são tão cheias de razão e tão vazias de si.
O pior, porém, vem daqueles que abdicam da realidade
para habitar um mundo imaginário —
por vezes autoritário, talvez confortável para si,
mas sempre opressivo para os outros.
Aí não há diálogo: há imposição de vontade.
E quando o bom senso deveria prevalecer,
voltamos ao início:
são tão cheias de “razão”
e tão vazias de si.
Há certa sonolência na sociedade: pessoas vagam numa espécie de sonambulismo desperto; em sono profundo, embora de olhos abertos. É o teatro da vida, com o livre-arbítrio ensaiado. Cada personagem com sua máscara.
*Não existe milagre tipo transformar água em vinho, existem sorrisos, pessoas gentis, crianças correndo pelas praças, amantes se entregando na madrugada, amores nascendo de um encontro, mães chorando de alegria no parto e pais entendendo a partida do filho.*
(Saul Beleza)
Vivemos em uma época marcada pela ansiedade e pelo imediatismo, em que muitas pessoas já não sabem lidar com desafios ou encontrar soluções para seus problemas.
Existem pessoas que são carniças pulsantes, infestadas de vermes, esquecidas na escuridão do próprio ser. Ao menor sinal de luz em alguém, avançam como pragas vorazes, dilacerando sem piedade até o último resquício de brilho, apenas para ocultar a imundície que as devora por dentro.
As pessoas vivem em modo de sobrevivência, zumbis funcionais, presas a rotinas que já não questionam. São espectros de si mesmas, movem-se, mas não despertam, respiram, mas não vivem.
As pessoas me perguntam por que minhas frases nascem sempre cobertas de tristeza, por que falam tanto de dor. A resposta é simples e cruel. Eu sou fruto do abismo. Fui moldado nas pedras frias da cachoeira. Senti a água gelada arrastar a infância de mim, como se o tempo me afogasse antes de eu aprender a respirar. Ali, o antigo eu morreu, silencioso, afogado em medo e inocência. E o que subiu de volta pela encostar pedregosa, já não era uma criança… era um sobrevivente, meio homem, meio sombra, aprendendo a existir entre o que restou e o que se perdeu.
É uma perda de tempo esperar a aceitação integral de quem só consegue conceber a vida e as pessoas em fragmentos.
As pessoas que julgam a sua jornada com o rigor de quem nunca calçou seus sapatos são apenas ecos vazios de uma realidade que não lhes pertence, vozes sem peso no palco da sua história, e o erro fatal é dar a essas opiniões o poder de ditar o ritmo ou a direção do seu próprio barco. Feche os ouvidos para o barulho da plateia desinteressada e ajuste as velas para o rumo que só você vê, pois a aprovação dos outros é um prêmio ilusório que se desfaz ao primeiro sinal de sua autêntica vitória, e a paz que importa é aquela que você encontra quando se deita, certo de ter sido fiel à sua essência.
A maioria das pessoas se preocupa mais em parecer feliz nas redes sociais do que em construir uma alegria real e inabalável dentro de si.
É alarmante ver pessoas falando sem conversar e ouvindo sem escutar, uma multidão absorta que prefere manter o som do silêncio.
Às vezes, o que as pessoas chamam de "cura" é apenas o hábito de carregar a dor sem mancar tanto, um jeito de esconder a deficiência da alma para não incomodar a estética alheia. Eu prefiro mancar abertamente, exibindo minha humanidade defeituosa como uma bandeira de resistência.
Há uma solidão que não depende da ausência de pessoas, ela se instala mesmo em meio à presença, porque não é sobre estar acompanhado, é sobre ser compreendido, e isso é algo que raramente acontece de verdade.
As pessoas são muito boas em me decepcionar, mas o tempo me ensinou que a maior mudança não está nelas, está na minha coragem de enxergar quem realmente merece permanecer, e na força de deixar ir quem nunca soube ficar.
O problema de ser forte o tempo todo é que as pessoas esquecem que o aço também cansa, que as vigas também rangem sob o peso da estrutura e que, às vezes, o que o herói mais precisa não é de uma capa nova, mas de um colo onde possa finalmente desabar sem julgamentos.
Há uma beleza trágica em perceber que as pessoas que mais amamos são as que mais têm o poder de nos ferir, e que o perdão não é um favor que fazemos ao outro, mas uma cirurgia de emergência que realizamos em nós mesmos para remover o projétil da mágoa.
Quando você é chamado para liderar e ser suporte de pessoas mais sensíveis, o inimigo da sua alma não vem fraco, ele ataca direto o teu psicológico, tentando te confundir, te cansar e te fazer duvidar de quem você é.
Mas não esqueça para o que você foi chamado.
Você não foi escolhido por acaso, foi preparado no secreto para suportar o que muitos não suportariam.
Você veio para fazer a diferença… então permaneça firme, porque até as tuas batalhas estão formando a autoridade que vai transformar vidas.
