Permanecer em Silencio
"Reflexão de vida:
"O teu silêncio é a resposta mais sábia que a ignorância precisa ouvir hoje."
@Suédnaa_santos
"Reflexão de vida"
"O silêncio muitas vezes é o grito do pedido de ajuda que poucos conseguem escutar."
@Suédnaa-Santos.
A FÉ QUE SE HUMILHA E VENCE O SILÊNCIO DIVINO.
Evangelho de Mateus 15:21-28.
( Jesus dali, foi para as partes de Tiro e de Sidom.
²² E eis que uma mulher cananeia, que saíra daquelas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada.
²³ Mas ele não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, chegando a ele, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando atrás de nós.
²⁴ E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.
²⁵ Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me!
²⁶ Ele, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos.
²⁷ E ela disse: Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores.
²⁸ Então respondeu Jesus, e disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a sua filha ficou sã.
Mateus 15:21-28. )
A narrativa da mulher cananeia constitui um dos mais densos episódios pedagógicos do Evangelho, no qual se entrelaçam dimensões históricas, psicológicas e espirituais com rigor singular. Não se trata apenas de uma cura, mas de uma demonstração metódica da dinâmica da fé viva, daquela que não se curva à aparência do abandono nem se dissolve diante da resistência.
Desde o primeiro movimento da cena, percebe-se uma tensão espiritual profunda. A mulher, estrangeira, oriunda de um contexto politeísta, aproxima-se daquele que representa a síntese do monoteísmo moral elevado. Há aqui um choque de estruturas culturais e religiosas. Contudo, o que a distingue não é a origem, mas a disposição interior. Sua invocação não é meramente formal. Ao dizer “Senhor, Filho de Davi”, ela reconhece uma autoridade espiritual que ultrapassa as barreiras étnicas e teológicas. Psicologicamente, este é o primeiro marco da fé autêntica. Reconhecer antes de compreender plenamente.
O silêncio inicial de Jesus não deve ser interpretado como indiferença, mas como estratégia pedagógica. O silêncio, neste contexto, opera como instrumento de revelação. Ele expõe a natureza da súplica. Quantos, diante da ausência de resposta imediata, desistem. Aqui, revela-se um princípio psicológico fundamental. A fé superficial depende de confirmação. A fé profunda persiste mesmo sem retorno sensível.
Os discípulos, ao sugerirem que a mulher fosse afastada, representam a mentalidade coletiva ainda condicionada pelo exclusivismo e pelo orgulho. Este ponto é crucial. O episódio não educa apenas a mulher, mas também os que cercam o Mestre. A pedagogia espiritual não é linear. Ela atinge múltiplos níveis simultaneamente.
Quando Jesus afirma ter sido enviado às ovelhas perdidas de Israel, estabelece uma ordem de prioridade histórica, não uma limitação ontológica da mensagem. Trata-se de um princípio organizacional da revelação. Primeiro semeia-se onde o terreno possui alguma preparação. Depois, expande-se universalmente. Sob a ótica da filosofia espírita, isso se harmoniza com a ideia de progressividade da verdade, conforme o grau de maturidade moral das coletividades.
O momento mais emblemático surge na metáfora do pão e dos “cachorrinhos”. À primeira vista, a expressão parece dura. Contudo, sua análise exige compreensão do contexto linguístico e simbólico. Não se trata de desprezo, mas de uma representação da diferença de estágio espiritual entre os grupos. Ainda assim, a resposta da mulher transcende qualquer leitura literal. Sua réplica não é de revolta, mas de inteligência moral aliada à humildade. Ela não contesta a ordem estabelecida. Ela se insere nela. E é exatamente nesse ponto que se dá a inflexão decisiva.
Psicologicamente, a mulher demonstra o domínio de si mesma diante da adversidade simbólica. Não há ego ferido, não há ressentimento. Há lucidez e adaptação. Ela compreende que mesmo uma fração da graça divina é suficiente para operar transformação. Este é um dos mais elevados níveis de consciência espiritual. A valorização do mínimo como expressão do infinito.
O desfecho, quando Jesus declara “grande é a tua fé”, não é um elogio casual. É uma validação de um processo interior completo. A cura da filha ocorre como consequência natural dessa elevação vibracional. Sob a perspectiva espírita, pode-se compreender a enfermidade como um estado de influência espiritual desarmônica, cuja dissolução exige não apenas intervenção externa, mas ressonância interior adequada. A fé da mãe atua como força intercessória real.
A questão 354 de “O Consolador” aprofunda esse entendimento ao afirmar que a fé deve operar continuamente, ampliando-se através da dor, do dever e da responsabilidade. Não é um estado estático. É um movimento. E a mulher cananeia encarna exatamente essa dinâmica. Sua dor não a paralisa. Ela a impulsiona.
Outro aspecto de alta relevância reside na dimensão moral do episódio. A humildade aqui não é submissão passiva, mas consciência da própria posição diante da verdade. Ela não diminui o ser. Ela o ajusta. E ao ajustar-se, o ser torna-se apto a receber.
Há ainda uma leitura sociológica implícita. A mulher representa os gentios, ou seja, toda a humanidade fora do núcleo inicial da revelação. Sua vitória antecipa a universalização do Evangelho. Posteriormente, figuras como Paulo de Tarso desempenhariam esse papel de expansão, levando a mensagem além das fronteiras israelitas.
Do ponto de vista introspectivo, este episódio convida a uma análise rigorosa da própria fé. Ela resiste ao silêncio. Ela persevera diante da recusa. Ela se adapta sem perder a essência. Ou ela depende de circunstâncias favoráveis para existir.
A mulher cananeia ensina que a verdadeira fé não exige privilégios, não reivindica posições, não se ofende com provas. Ela compreende, espera, insiste e, sobretudo, transforma-se no processo.
Em termos motivacionais, a lição é direta. Nenhuma condição externa define o acesso ao auxílio divino. O que determina é a qualidade da disposição interior. A dor pode ser o ponto de partida, mas a perseverança é o caminho, e a humildade é a chave.
A síntese moral do episódio converge com o princípio apresentado em “O Livro dos Espíritos”, questão 888-a. “Amai-vos uns aos outros”. A fé, quando autêntica, não se isola da lei do amor. Ela a manifesta.
Assim, a mulher cananeia não é apenas uma personagem histórica. Ela é um arquétipo da alma que, mesmo à margem, encontra no próprio íntimo a força para acessar o divino.
E é nesse movimento silencioso, insistente e lúcido que se revela a mais alta verdade. A fé que não recua diante da prova é aquela que, inevitavelmente, alcança aquilo que busca
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .
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A chuva traz o silêncio.
Minha alma se acalma,
os sentimentos se aguçam.
Na melancolia, chega também o entusiasmo,
e o alento me compensa
com momentos tão bons.
O pingo na telha…
e um coração em paz.
Otávio Mariano.
As Margens do Silêncio
Sento às margens do rio para refletir. A água tranquila funciona como um espelho e devolve a minha própria imagem – nítida, brilhante, revelando instintos expostos, emoções desordenadas. Sei que o tempo guarda todas as respostas, mas, mesmo entendendo o cenário ao meu redor, não consigo ouvi-las. O que escuto é apenas o silêncio, um silêncio que se acomoda ao meu lado como uma companhia serena, quase amigável.
É então que, como um filme silencioso, vejo teu semblante surgir na memória. Há tristeza, amargura, cansaço. Há um peso que não consigo explicar. Um nó, sobe pela minha garganta, apertando como se mãos invisíveis tentassem impedir que qualquer palavra escapasse. As lágrimas contidas, pedem libertação. E como finalmente permito que venham, elas deslizam pelo meu rosto e molham minha pele, levando consigo um pouco do que me sufoca. O sorriso que sempre esteve estampado em mim, desaparece – some sem aviso, como truque de ilusionista.
Sinto o frescor da manhã tocando meu rosto, como se fossem mãos suaves acariciando minha pele. A natureza ao redor transforma o espaço em um refúgio, um pequeno abrigo onde posso descansar meu corpo e aliviar a mente. Meus pés tocam de leve a água e, ao mínimo movimento, círculos se formam, desenhando imagens que lembram mandalas – figuras quase sagradas, que parecem guardar em si algo de cura.
Encontro ali um momento raro de paz, entre o vento que passa devagar e a correnteza da água. Não consigo explicar o que sinto, pois, naquele momento não preciso mostrar minha fortaleza. Continuo a observar a água, ouvindo o silêncio e pouco a pouco o mundo dentro de mim se reorganiza.
Sinais do Silêncio
Ele, também poderia se retratar – entrar em contato, dizer que a saudade consumiu os seus dias. Que o seu corpo sentiu a mesma intensidade que o meu. Dizer que tudo não passou de um mal-entendido, explicar as suas razões, de ter sumido, talvez deixar clara a situação.
Desmontar toda essa confusão e revelar o que se passa dentro do seu coração. Esses mal-entendidos poderiam ser esclarecidos. Eu poderia tentar entendê-lo. Mostrar que tudo o que se passou foi intenso, sublime. Mostrar que fui importante.
Entendo que talvez o sentimento seja apenas de minha parte. Mas então, porque há invasão em meus pensamentos? Invasão em meus dias ternos e serenos? Tudo vira uma revolução, uma guerra interior, quando, sem permissão, ele vem - sem ser convidado.
Há pendências batendo à porta. Esse estranho caminho que me conduz por encruzilhadas desconhecidas, me mantém em alerta.
Os sinais que a vida dá são claros. Dizem tudo o que eu preciso saber. Mostram caminhos.
Rita Padoin
Escritora
Falésias do Meu Silêncio
Falésias íngremes, no meio do nada, fazem morada. Meu olhar se perde entre o vazio e o instante de inspiração. As rochas parecem mortas, mas, ao observá-las atentamente, vejo que há vida, há história, há beleza, há transformação, há mistério. Isso acontece quando conseguimos abrir as cortinas internas, e captar a essência que ali habita – o verdadeiro remédio da cura.
Cada passo traz a sensação de que estamos lutando por um lugar onde possamos, enfim, nos encaixar. Nos limites do tempo, há um intervalo silencioso à espera de que compreendemos seu ensinamento e sua postura diante da pressa daqueles que tentam seguir sem perceber.
Meus passos estão, a cada dia, mais lentos. Não quero mais correr. Não quero ter pressa. Não quero tropeçar. Quero entender. Quero mudar. Quero viver intensamente, sem ter que olhar para trás e revisitar o passado. Quero um olhar voltado ao futuro – um olhar de sucesso, de vida que me espera.
Hoje, penso apenas no agora e no que está por vir...
Rita Padoin
Quando compreendermos o grito do silêncio, compreenderemos todo o resto.
Rita Padoin
Do livro "Entrelinhas"
Chegar ao ponto mais alto de uma jornada exige silêncio da alma, esforço do corpo, persistência do espírito e a coragem de se transformar.
Inconcebíveis
Inconcebíveis palavras são ditas
No silêncio do pensamento
Exulta, ó sensível coração!
Tua essência é como uma árvore frutífera e sedenta
Que alimenta e sacia os pobres famintos;
Vem a mim, ó doce e apetecível vinho,
Deixa o teu líquido verter pelos córregos
O teu veneno imortal;
Deem-me numa taça as borbulhas
Deste intenso vermelho sanguíneo
Manchando minha consciência
No cume da minha eterna felicidade.
Esconde no recôndito de teu coração
O jardim que tanto cuidaste
Para a farta produção dos nobres parreirais.
Gramática da Coragem
Senhor, hoje o silêncio do meu peito não é de súplica.
É de um transbordar calmo,
Um rio que deságua na gratidão.
Por essa mulher que é a gramática viva da coragem.
Obrigado por me confiar aos cuidados de quem nunca recuou,
Mesmo quando o vento frio tentou apagar a chama.
Ela foi o meu escudo quando o mundo escolheu ser espinho.
O farol que acendeu a luz no meio da minha tempestade.
Não por força bruta, mas pela fé que desarma o medo.
Cada sacrifício dela é uma semente que floresceu em mim.
Resistência não é não cair.
É aprender a levantar sem deixar a alma endurecer.
É isso que ela me ensinou,
É isso que eu agradeço hoje!
Em seu olhar, vejo o mapa de todas as montanhas que ela moveu!
Em seu abraço, sinto o Teu amor de Pai!
Onde o cansaço vira paz e a dúvida perde o nome!
Que as Tuas bênçãos sejam o manto que a aquece agora!
Pois ela é o milagre que caminha ao meu lado!
O milagre que caminha ao meu lado!
Meu maior exemplo.
Minha paz.
---------------- Eliana Angel Wolf
