Perdido
Bendito é o pássaro, esse errante, que, não tendo casa, não conhece o destino de estar perdido.
Mas eu, pobre de mim, vagueio vacilante, entre o ser que sou e o ser que sonho, tímido e escondido.
Como pode um coração ousar ser verdadeiro e não temer a sombra de ficar sozinho? Ou será que a dor da solidão, esse lobo sorrateiro, doa menos que o disfarce de um falso carinho?
Eu que pensei ter asas, bati-as ao vento para garantir pouso, pão, algum alento. E eis que desperto bicho sem nome, que às vezes sequer sente fome quando tenta, com estômago vazio, digerir o peso inteiro dos sentimentos.
Dizei-me: também as aves levam cicatrizes dos ninhos quentes, dos pousos infelizes, dos amores que encontram pelo céu afora? Pois eu, sem jamais ter aprendido a voar, trago marcas que nenhum tempo leva embora.
E perdoai-me a tristeza da notícia: quem não sabe o último dia em que o pai lhe tomou nos braços, também não sabe medir a saudade antiga por nunca ter a quem oferecer seus laços.
Ah, mas não é esta a sina humana? Dar o que lhe falta, sofrer o que é seu, sonhar o que nunca alcança, buscar no outro o espelho dos sonhos que inventou no seu?
Por isso, digo em voz baixa, como quem teme a própria vida — preferiria ser pássaro, simples e passageiro: não ter morada fixa, não disputar o coração alheio, não desejar casa em peito que só bombeia sangue e dos quais a propriedade não leva nome.
Há um sussurro que só se escuta quando tudo parece perdido: não vem de fora, mas do porão mais antigo da consciência, onde repousa o fragmento que nunca se partiu. Ele diz que o caos é apenas o modo da alma lembrar ao ser que ainda há territórios inexplorados. E, ao atender esse chamado, descobre-se que nenhum desespero é definitivo, porque todo abismo, quando olhado com coragem, revela uma escada esculpida na própria escuridão.
Pensei ter perdido tudo nesse mundo, olhei para o lado e senti Deus… Envergonhado chorei porque não havia perdido nada, eu tinha tudo.
Descobrir um dom natural na vida é como encontrar um tesouro que estava perdido.
Ele sempre esteve ali, silencioso, esperando o momento certo de ser reconhecido. Às vezes passa despercebido, escondido entre medos, dúvidas ou expectativas alheias. Mas quando o encontramos, algo dentro de nós se alinha.
Esse dom não surge para nos tornar maiores que os outros, e sim mais verdadeiros com quem somos. Ele nos chama para viver com propósito, para criar, sentir e oferecer ao mundo aquilo que só nós podemos dar. Reconhecer esse tesouro é um ato de coragem — e honrá-lo, um gesto de amor próprio.
Porque quando vivemos a partir do nosso dom, deixamos de procurar sentido fora e passamos a construir significado por dentro.
"Em algum momento...perdido no tempo...um instante de carinho...uma lágrima de alegria...uma de dor...e assim...caminha a vida...por entre momentos vividos...aprendidos...na alegria...na dor...sempre...por amor...sempre...sempre."💞
Soneto - Refúgio da Inocência.
Enquanto o mundo ruge em desespero,
perdido em sua própria agonia fria,
aqui, num canto terno e verdadeiro,
duas crianças brincam em harmonia.
Alheias às dores que o tempo inteiro
consomem a paz que o homem desafia,
entre trens de madeira e o sol ligeiro,
a luz da tarde em ouro as envolvia.
E nessa cena simples, delicada,
a inocência repousa, soberana,
erguendo um gesto puro contra o mal.
Enfrentando um deserto, sedento, perdido, cansado,
Impedido de enxergar esperança ou um mínimo de afago numa constância de sofrimento, sem nenhum preparo,
E depois de muito percorrer, ao longe pude ver uma bela imagem, sem saber se era real ou miragem,
Até que me aproximei e vi que era verdade, finalmente, tinha um oásis encontrado,
muito além do que havia almejado,
Mais tarde percebi que já tinha passado pelo minha salvação, mas perdi tempo como muita reclamação.
ALÉM DO CORAÇÃO
Perdido no sorriso falso de quem não se importa
Com tudo aquilo que, pra mim, importa.
Lacrimejo por alguém
Que não consegue me fazer calar.
Cansado, torturado pela vontade de amar.
Sorriso forçado no rosto,
Escondendo as mágoas de ter me enganado.
Sigo além do pensamento,
Impulsionado pela vontade de querer.
Firme na ideia de persegui-la para não a perder,
No desejo de conquistar o que não quero mais deixar ir.
Caio e me levanto,
Quando a dor é maior que o poder de resistir,
E a vontade de vencer.
O orgulho se encolhe diante do amor.
Me perco e me encontro
Quando as lágrimas encharcam meu rosto.
O orgulho fala alto,
Mas o amor, mesmo ferido, ainda vive em mim.
Olhar distante,
E nem percebo que quem me ama de verdade
Sempre esteve ao meu lado,
Suportando a dor de me ver nos braços
De quem nunca me mereceu.
Cheguei a não valer nada para alguém,
Quando já fui o mundo de outro alguém.
Isso não só dói isso fere a alma.
Decepcionei meu próprio pensamento,
Mas me reencontrei
Quando minha alma, enfim, encontrou calma.
Agora, posso perceber
Quem verdadeiramente me ama.
Por: Mário Pio
Eu não estou perdido, nem à deriva, para que tua mudança me desloque ou me afaste da evolução.
Meu amor, somos feitos de transformações súbitas, mas nunca de rupturas radicais.
Somos o sopro da vida que se reinventa, o fogo que aquece sem destruir, a corrente que flui sem aprisionar.
Que a tua mudança não seja muro, mas ponte.
Que ela não seja pausa, mas impulso.
Que cada passo teu edifique não apenas o instante, mas o caminho inteiro das nossas vidas vividas.
Pois amar é aceitar o movimento, é dançar com o inesperado, é reconhecer que a beleza está na construção contínua.
E se somos feitos de mudanças, que sejam elas sementes — germinando futuro, fortalecendo raízes, iluminando o presente.
Eu estou andando triste pela madrugada Perdido estou sem saber o que fazer
Eu estou aqui sem voce
Buscando uma razão pra te esquecer
Vejo a lua sempre iluminada
Ae me lembro das nossas noites de prazer
Eu estou aqui sem voce
Será que a gente pode , será que e gente pode
Se rever?
Sou uma pessoa sem lembranças, tudo o que tinha deixei perdido pelo tempo e isso não é ruim, faz parte da minha sobrevivência.
Eu sempre sorrio
quando sinto que vou chorar
Pergunto sempre o motivo,
mas perdido em encontrar
Acho que tem pergunta
que nem nasce,
para não ter
de se explicar
Um dia a dor se assentou
sem poesia e nem pudor falou:
gente não é tão bonita
quando tira o dom do amor
Esses telefones malditos
roubaram o olhar da mesa
todo mundo cheio de fala
e vazio de presença
Então já não vivo pra caber
no que esperam de mim
podem dizer que eu enlouqueci
mas foi lá fora que eu vi o fim
Chame do nome que quiser
dê o sentido que achar
cada um chama de verdade
aquilo que pode aguentar
E outra coisa ei de falar...
Se nem mesmo a sombra que me segue
anda igual à de ontem,
por que insistem em me ver igual?
Já cheguei ao meu trigésimo janeiro
sem troféu, nem carnaval
não sei se isso é conquista
ou só se é um ritual
Eu sei que nós já fomos melhores
ou só menos distraídos
tem tristeza que incendeia
e ainda mantém a gente vivo
E rico mesmo é quem tem tempo
o resto é ilusão
o mundo vende pressa
e cobra o coração
E como dizia nosso Kierkegaard
para todos que quisessem escutar,
Não é preciso dar a volta ao mundo
pra se encontrar no fim:
quem anda tempo suficiente
descobre casa dentro de si.
