Perdi um Sorriso
Às vezes, os sinais indicam um caminho que para o olhar afoito seria o mais lógico. Desconfie sempre e busque ver o que está por trás das sombras.
Executaram o menino
que morava na rua de baixo
com cinco tiros.
Um matou ele,
o outro a mãe,
o terceiro o pai,
o quarto o irmão.
O quinto
foi um recado,
e pegou de raspão
no bairro inteiro.
Quando o silêncio disse que eu estava errado,
quis gritar para calá-lo
quem sabe só por um instante
do seu trono destroná-lo.
Mas o silêncio foi galante,
agiu sem exaltação
calou a minha vaidade
com sua nobre razão.
Sei da fragilidade da minha existência, nesse impetuoso lugar
Sou um barco de papel e não posso ancorar.
Sei que toda tempestade, ao mar se lança com vontade
Nas suas ondas faz alarde, para que eu possa me afogar.
Sei bem mais sobre a calmaria, e nela sigo com agilidade
Pois é onde Deus faz caridade, para que eu navegue com vontade
E sobreviva mais um dia.
Sem nos dar conta do tanto
que possuímos,
pedimos um pouco mais...
Sem saber que o pouco desejado,
já é muito...
quando somado ao que temos.
Estava preso
Durante um tempo
Amaldiçoado
Em um encantamento
Seu perfume
Ficava no ar
Seu toque
Nas águas do mar
Sua falta
Na escuridão da rua
Seu olhar
Na luz da lua
Seu calor
No raio de sol
Minha sina
Peixe e anzol
Hoje livre
Fugi disso tudo
Vou andando
Andar vagabundo
Sem destino
Achado e perdido
Onde passo
Vou sendo acolhido
Não cobro amor
Nao peço esmola
Passarinho
Livre de gaiola
Com migalhas
Só marco o caminho
Estou livre
Mas nunca sozinho
DIÁRIO DE UM ALMIRANTE
Da nostalgia do último sopro
vive as apagadas velas
dessa pobre embarcação
Veste luto na bandeira
e pelas águas que vagueia
traz pesar em seu timão
Por ironia do destino
viu a frota naufragar
Por que só os meu amigos
falta água nesse mar?
Não restaram dias de glória
navegando essa memória
até Netuno apagar
O PEQUENO POLEGAR
Havia um par de botas
Mas não um par comum
Serviam pra toda a gente
Cabiam em qualquer um
Não eram botas surradas
Nem tampouco elegantes
Enfeitiçadas pelas fadas
Guardadas pelos gigantes
Basta saber aonde ir
Essas botas não dão trégua
Botas rápidas feito o vento
As botas de sete léguas
Um grande bruxo as possuía
Até alguém dele roubar
O mais jovem de sete irmãos
O pequeno polegar
Abandonados pelos pais
Pois não tinham o que comer
Na floresta foram largados
Tinham mais chances de viver
Com as botas de sete léguas
Já não havia choro
Enganaram o velho bruxo
Levaram todo o seu ouro
Mas o bruxo era malvado
Se isso serve de consolo
Acharam o caminho de casa
Dividiram o seu tesouro
E não há quem não conheça
Aqui ou em qualquer lugar
Terror dos bruxos e dos gigantes
O pequeno polegar!
E nesse jardim abandonado
Tudo permanece intocado
Foi um jardineiro dedicado
Que arrumou tudo isso aqui
Mas pra quê o cadeado?
Por que tudo esta trancado?
E as visitas do outro lado?
Não quer mais ninguém ai?
Deixe os beija-flores entrar
Eles não querem bagunçar
Na verdade, querem mostrar
Que ainda vale a pena sorrir
As lágrimas que caem
Levam sempre consigo
Um pouco de quem chora
Como prometem ajudar
Se levam um pedaço
De mim embora?
Acho que essa é a magia
Levar uma parte
Que você não precisa
Deixar mais espaço
Nem que seja um pedaço
Para a expectativa
Eis um porco-espinho
Aceitando ficar só
Sem ninguém ao seu redor
Que te toque ou sinta dó
Eis um porco-espinho
Descobrindo o seu caminho
Na solitude fez um ninho
Pra então viver sozinho
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