Perder Pessoas
E perder o controle para Deus é ganhar direção.
Diminuir para que Ele cresça não é fraqueza, é maturidade espiritual.
miriamleal
Um dia eu já chorei por perder tudo, hoje choro por gratidão, as lágrimas mudaram de endereço, meu rosto aprendeu outro brilho.
Perder fez-se oficina de reconstrução, coletei pedaços e os tornei ponte, atravessei o meu próprio abismo.
Meus limites foram redesenhados pela prática, hoje sei até onde posso rasgar sem perder a trama, a ousadia ganhou contorno seguro.
No escuro, entre pedras e sombras, a esperança, um pulso quente, foi meu único modo de não me perder no vazio.
Já perdi tudo, e ainda assim encontrei gratidão. Perder tudo é descobrir que o essencial sobreviveu, a gratidão nasce onde o resto se foi.
Já fui o fim de mim mesmo, e ainda assim recomecei. Recomeçar depois de se perder é prova de que o limite era apenas um mapa, não sentença.
Deus ensinou que o que se vai às vezes salva, perder pode abrir rota para liberdade nova, nem todo adeus é roubo, é escolha, às vezes perder é ganhar espaço para ser.
A vida nos testa com paradoxos, é preciso estar disposto a perder para verdadeiramente ganhar a paz de espírito, é necessário silenciar o ego para que a voz da consciência, clara e límpida, possa ser ouvida. O drama humano é a eterna busca pela clareza em meio ao caos das emoções conflitantes, e a chave para desvendar esse mistério reside na capacidade de agir com base na preservação do bem maior. Que o seu propósito seja a vida, a integridade e a esperança, e não a vitória vazia sobre o outro. A vitória mais nobre é aquela que nos torna mais humanos e mais humildes.
O tempo não apaga a memória, mas ensina a conviver com a ausência sem perder a urgência do presente.
Em um mundo onde é fácil se perder, e a visão fica turva pela rotina, basta um momento ao seu lado para que tudo se reorganize. Sua proximidade é meu porto seguro.
Entregar o coração não é perder o controle, é oferecer o mapa das fragilidades para que o outro cuide. A dificuldade de amar reside em quebrar o pacto com a autossuficiência e permitir que a vulnerabilidade seja a ponte, e não o abismo, entre duas almas.
