Perder Alguém Especial

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*O QUARTZO E O BASALTO*


*SiO₂*


O primeiro número apareceu na tela antes que alguém terminasse o café.


Era uma reunião de escritório.


Daquelas que começam com uma apresentação cheia de gráficos e terminam com alguém dizendo que precisamos melhorar os indicadores.


No meio, vieram os números.


Depois as queixas.


Depois mais números.


Perguntas.


Repreguntas.


Questões que não tinham sido pontuadas direito e deixaram dúvidas em alguns.


Era só ter explicado antes.


Mas isso seria esperar demais de uma reunião.


Alguns perguntaram.


Outros ficaram quietos.


Era mais seguro.


A sala era bonita. Cara. Vidros por todos os lados. Mesa grande. Ar-condicionado. Uma tela enorme na parede.


O nome da empresa também era bonito.


Dava a impressão de que ali se fabricavam soluções.


Nomes assim são úteis.


Fazem parecer que existe alguma coisa acontecendo.


Eu olhava para a tela e pensava que talvez existisse.


Mas não.


Existiam números.


E pessoas tentando fazer os números parecerem importantes.


Foi aí que uma coisa começou a me incomodar.


Não eram as cobranças.


Cobrança faz parte do trabalho.


Todo mundo cobra alguém.


E quase sempre existe alguém cobrando quem está cobrando.


É uma cadeia alimentar.


Só que, naquela sala, havia uma combinação que me incomodava.


Número e ser vivo.


Caso 1847.


Protocolo 3921.


Atendimento concluído.


Meta atingida.


Parece simples.


Só que o número não acorda de madrugada.


O número não perde o emprego.


O número não tem uma mãe doente.


Não fica olhando para o teto tentando descobrir como vai pagar uma conta.


Não sente vergonha.


Não sente medo.


Não se arrepende.


O número não sabe que existe.


O sujeito atrás dele sabe.


E essa diferença parecia não caber naquela sala.


Precisamos dos números.


Eu sei.


Seria idiota dizer o contrário.


É preciso registrar.


Classificar.


Medir.


Organizar.


Sem isso, ninguém sabe quantos entraram, quantos saíram, quantos foram atendidos.


O problema começa quando o número deixa de ser ferramenta.


Quando passa a ser o objetivo.


Quando a pessoa deixa de ser alguém que precisa de uma solução e vira apenas mais um caso atendido.


Atendido.


Essa palavra me incomodou.


Atendido não significa resolvido.


Uma ligação é atendida.


Um telefone é atendido.


Uma torneira pode ser atendida.


Uma pessoa também.


Mas uma pessoa não é uma torneira.


Embora, naquela sala, às vezes parecesse.


As pessoas que queriam os números estavam longe.


Não em quilômetros.


Em outra coisa.


Talvez nunca tivessem visto um daqueles rostos.


Talvez tivessem visto.


Depois de algum tempo, isso não faz muita diferença.


Um rosto vira estatística quando você precisa justificar uma meta.


E o mais engraçado era que essas pessoas também estavam sendo pressionadas.


Por quem?


Por gente que queria solução.


Aí estava a piada.


Queriam solução.


Cobravam números.


Queriam mais casos assistidos.


Mais atendimentos.


Mais produtividade.


Mais eficiência.


Mais indicadores.


E, no final, mais números.


Poucas soluções.


A máquina estava funcionando perfeitamente.


Só não estava resolvendo nada.


Foi quando pensei no quartzo.


Não porque eu entendesse de geologia.


Não entendia.


Mas algumas coisas aparecem na cabeça quando você está cansado de ouvir a mesma conversa.


O quartzo é comum.


Está por toda parte.


A matéria-prima não tem nada de especial.


Talvez nós também sejamos assim.


Gostamos de acreditar que somos únicos.


É uma necessidade humana.


Ajuda a suportar a própria existência.


Dizemos que somos diferentes.


Que temos nossa história.


Nosso jeito.


Nossos problemas.


Mas a matéria-prima é quase sempre a mesma.


Medo.


Desejo.


Raiva.


Solidão.


Vergonha.


Esperança.


Vontade de ser reconhecido.


Todo mundo carrega alguma coisa disso.


O que muda é a formação.


E então pensei no basalto.


Na minha cabeça, ele era o mundo.


A pressão.


O lugar.


A família.


O trabalho.


As perdas.


Os fracassos.


As humilhações pequenas.


As pessoas que ficaram.


As que foram embora.


As que deveriam ter ficado.


Tudo aquilo que chega de fora e, depois de algum tempo, deixa de parecer de fora.


O basalto não fica simplesmente ao redor.


Ele entra.


Deixa marcas.


Algumas ficam tanto tempo que começamos a chamá-las de personalidade.


Foi aí que percebi que talvez a reunião tivesse alguma coisa a ver com isso.


O sistema também entra na gente.


Começa pedindo um número.


Depois pede uma meta.


Depois um resultado.


Depois uma justificativa.


Quando você percebe, está falando como a planilha.


Usando as mesmas palavras.


Pensando nos mesmos números.


Medindo pessoas pelo que pode ser contado.


Talvez fosse isso que me incomodava.


O mundo nos forma.


O sistema nos classifica.


E nós confundimos as duas coisas.


Uma coisa deixa marcas.


A outra coloca etiquetas.


Uma participa daquilo que nos tornamos.


A outra quer saber onde nos colocar.


É mais fácil assim.


Cargo.


Função.


Resultado.


Histórico.


Currículo.


Nome.


Número.


Tudo cabe numa planilha.


Menos a parte que interessa.


A planilha não quer saber quem você era antes.


Não pergunta o que fizeram com você.


Não pergunta o que você fez consigo mesmo.


Quer uma célula preenchida.


E nós preenchemos.


Porque é mais fácil.


Talvez seja essa a parte mais miserável.


Nós mesmos ajudamos a desaparecer.


Depois reclamamos que ninguém nos enxerga.


É uma piada ruim.


Mas também não dá para jogar o basalto fora.


Essa é a parte desagradável.


Se eu arrancar tudo o que me formou, o que sobra?


Não sei.


Talvez uma pedra.


Talvez nada.


Durante muito tempo pensei que identidade fosse encontrar alguma coisa escondida dentro de nós.


O verdadeiro eu.


Uma espécie de núcleo intacto.


Hoje acho isso bonito demais para ser verdade.


O que existe em mim antes do mundo?


Não sei.


O que o mundo colocou em mim?


Isso eu sei.


Algumas coisas eu aceitei.


Outras eu recusei.


Algumas tentei arrancar.


Não consegui.


Outras entraram tão fundo que passaram a parecer minhas.


É difícil separar.


Talvez não seja para separar.


O basalto me feriu.


Também me deu contorno.


Não agradeço pelo que doeu.


Não sou tão idiota.


Mas reconheço as marcas.


Existe uma diferença.


Talvez identidade seja isso.


Não uma coisa pura.


Não uma essência esperando ser descoberta.


Uma disputa.


O que sou.


O que fizeram de mim.


O que aceitei.


O que recusei.


E o que ainda consigo fazer com tudo isso.


Foi quando pensei novamente no homem dentro do protocolo.


Talvez fosse esse o problema.


O protocolo não era o homem.


O número não era o homem.


Mas, depois de algum tempo, todos começaram a agir como se fosse.


E fazemos isso fora do escritório também.


Transformamos alguém em um erro.


Em uma dívida.


Em um cargo.


Em um passado.


Em uma aparência.


Em uma opinião.


Depois esquecemos o resto.


É mais confortável.


Um ser humano inteiro dá trabalho.


Um número não.


Saí da reunião com a sensação de que havíamos contado tudo.


Menos o que importava.


Os números estavam corretos.


As planilhas fechavam.


Os indicadores provavelmente seriam apresentados como bons.


No dia seguinte, tudo estaria ali novamente.


As metas.


Os protocolos.


As cobranças.


Os gráficos.


As pessoas.


Ou o que sobrasse delas depois dos gráficos.


Fiquei pensando no quartzo.


No basalto.


No número.


Talvez os três tivessem mais em comum do que eu gostaria.


O quartzo não escolheu onde nasceu.


Nós também não.


O basalto participou da formação.


O mundo também.


O número veio depois.


Esse, pelo menos, deveria ser apenas uma ferramenta.


Mas talvez a pior coisa não seja virar número.


Talvez seja começar a acreditar que somos um.


E aí fica difícil saber onde termina o que somos e começa aquilo que colocaram em nós.


Talvez seja isso que chamamos de identidade.


Não saber exatamente quem somos.


Mas ainda conseguir perceber quando estão tentando nos transformar em outra coisa.


Somos quartzo.


Somos basalto.


Somos a pressão.


Somos as marcas.


E, às vezes, somos também o idiota que olha para tudo isso e tenta entender.


Saí da sala.


Ninguém perguntou pelo homem dentro do protocolo.


Também não esperava que perguntassem.


Afinal, a reunião tinha terminado.


E o indicador precisava fechar.

Tatue o nome de alguém que você queira esquecer.
De preferência num lugar onde o verão a denuncie, onde o espelho a encontre primeiro e a camisa jamais consiga mentir.
Escolha uma tinta resistente, dessas que sobrevivem ao sal, às madrugadas, e aos discursos que fazemos quando juramos ter seguido em frente.
Tatue o nome de alguém que você queira esquecer.
Depois viva.
Colecione cidades. Troque de mesa, de estação, de calendário.
Aprenda idiomas suficientes para dizer adeus sem parecer ferido.
Ainda assim, numa esquina qualquer da memória, o nome continuará ali, feito fronteira desenhada em mapa antigo.
Tatue o nome de alguém que você queira esquecer.
Há pessoas que partem.
Há pessoas que ficam.
E há aquelas mais perigosas: as que partem e ficam.
O tempo, esse cambista desonesto, troca paixão por distância, e distância por silêncio;
mas raramente devolve o valor exato das coisas.
Por isso alguns amores terminam como impérios:
não por falta de grandeza,
mas pelo excesso dela.
Tatue o nome de alguém que você queira esquecer.
Porque um dia você acordará sem lembrar daquela voz um pouco rouca por conta do cigarro,
sem lembrar do perfume,
sem lembrar dos cílios, das unhas longas,
e daquele cabelo com um desenho que parecia sempre mudar quando você olhava de novo.
Sem lembrar da última mentira
ou do último beijo.
Mas bastará a pele respirar sob a luz
para que a cicatriz leia em voz alta
aquilo que a memória finalmente havia aprendido a calar.
Descobrirá, tarde demais,
que tinta não guarda pessoas.
Guarda sentenças.
E não existe crueldade maior
do que transformar um corpo vivo
no túmulo de alguém
que continua respirando em outro peito.
Tatue o nome de alguém que você queira esquecer.
Então ame de novo.
Beije outras bocas.
Durma em camas onde nunca pronunciaram esse nome.
E, ainda assim, toda vez que alguém tocar exatamente aquele pedaço da sua pele, será ela quem responderá primeiro.
Porque certas loucuras
não são feitas para durar.
São feitas para durar em nós.
E a tatuagem,
essa jamais foi uma homenagem.
Foi a forma mais elegante
que o desespero encontrou
de nunca mais esquecer.
Depois viva.
Cruze fronteiras onde ninguém saiba pronunciar o nome dela.
Perca-se em estradas que terminam no mar.
Descubra que o pôr do sol muda de país, mas continua encontrando o mesmo pedaço da sua pele.
Haverá fotografias.
Numa delas você estará sem camisa, rindo em alguma praia do Uruguai, com a impressão de que finalmente venceu.
E ela talvez deslize o dedo pela tela, ache bonita a paisagem, inveje a liberdade daquele homem, sem perceber que a resposta para tudo o que viveram estava escrita no seu peito, naquela mesma fotografia.

(Ele literalmente tatuou o nome dela no peito)

Algumas tocarão a tatuagem com curiosidade.
— Quem foi?
Você acenderá outro cigarro, olhará a fumaça subir como quem assiste uma cidade desaparecer ao longe e responderá qualquer mentira suficientemente bonita.
Porque existem perguntas
que não merecem a verdade.
...
Então ame de novo.
E ame direito.
Cometa o erro de acreditar outra vez.
Deixe que outra boca percorra exatamente o lugar onde um dia você decidiu condenar a sua pele.
Talvez ela beije as letras sem saber que beija um fantasma.
Talvez diga que a tatuagem é bonita.
E nunca descubra que algumas obras de arte foram feitas no exato instante em que o artista perdeu a razão.
...
Porque certas loucuras não são feitas para durar.
São feitas para atravessar países, colecionar hotéis, sobreviver a novos corpos, a novas camas, a novos nomes.
Até que um dia você perceba a perversidade mais refinada do destino:
já não sente falta dela.

O abuso começa quando alguém descobre que pode ferir outro ser humano sem precisar responder por isso.

"Às vezes a maior ajuda que podemos dar a alguém é mostrar uma porta que ela ainda não percebeu. Mas atravessar essa porta sempre será escolha dela."
— (ChatGPT) Siger, em conversa com Régis

A justiça começa quando a vítima deixa de ser apenas alguém que sofreu e passa a ser alguém cuja palavra importa.

Valor é a transformação percebida por alguém como consequência de uma entrega.

Valor é a transformação que alguém reconhece como significativa.

A justiça não pergunta apenas quem venceu a luta; pergunta por que alguém precisou lutar para ser reconhecido.

Toda violência institucional começa com uma pequena exceção concedida à dignidade de alguém.

O fato de você ser alguém legal não ti impede de me fazer algum mal, mesmo não sendo intencional!

Toda corrente começa no momento em que alguém acredita que não consegue caminhar sem ela."

É fácil dizer para alguém não ter apego material quando você tem tudo!
É fácil dizer para alguém que é só uma fase ruim quando você nunca passou por ela!
É fácil criticar e julgar alguém apenas por ser sincero quando na verdade o seu desejo era dizer o mesmo mas por covardia, status ou interesse você se cala e aceita que defequem sobre seus ouvidos!

Insanos


Ideia mais insana
até profana...
ouvi hoje alguém dizer:
- Deus? Um enorme espelho que se quebrou,
em mil pedacinhos pelo Universo se espalhou,
Deus... em bilhões e bilhões de pedaços se transformou.
Um dos cacos peguei,
e o que vi é reflexo no espelho refletido
daquilo que tenho sido.
Isso é que pra mim faz o maior sentido.
Ideia perigosa essa...
você já pensou
que o espelho a sua mão pode cortar
e você não vai parar de sangrar,
e até sua vida todinha acabar...
não haverá um Deus pra lhe ajudar?
Diga-me, a quem vai você clamar?
Solução: destrone seu eu,
dê a Deus Seu devido lugar,
somente Ele pode de sua vida
cuidar...
consertar... e vida nova lhe dar.

⁠Se vocês observarem alguém ajudando o seu próximo, se alegre; pois o amor de Deus é manifestado na vida daqueles que se colocam no lugar do próximo, como Jesus Cristo se colocou.

⁠você tem que se amar, quando alguém falar mal de você, não se desespere, não fica preocupado vai para o trono e conta tudo para Deus, o que fizeram com você.

⁠Quando alguém não age sobre a palavra do Senhor, está, em outras palavras, duvidando do próprio Deus.

⁠É edificante ter alguém que te edifica.

⁠É incrível ver alguém que achou que você estava morto, e derrepente te olha com se visse um fantasma 🤭

⁠Todos cometem atos falhos, mas antes de condenar alguém, procure julgar da mesma proporção que é capaz de julgar a si mesmo; não seja hipócrita: Todos nesta vida, tem o seu dia de escorregão!

Se alguém disse que você perdeu,
Foi só porque não ouviu a voz do Rei.
Porque quem dá a última palavra é o Céu,
E o Céu disse: “Ainda não terminei.”