Perder Alguém Especial
Quando alguém tenta retificar o homem, quase sempre colide com tudo aquilo que vive da deformação dele.
Um pensamento longe, pode estar conectado a alguém perto.
Alguém perto, desconectado, pode parecer distante.
Uma mulher interessante não é a que “convence alguém a ficar”
É a que sabe ir embora quando percebe que não está sendo escolhida.
Aquela sensação de estar sendo beijada por alguém que não está ali de verdade… isso dá um vazio esquisito, como se você fosse um corpo presente numa cena onde o outro já saiu há muito tempo.
Porque beijo sem presença é quase um cumprimento educado… e você não é alguém pra ser cumprimentada, você é alguém pra ser sentida.
Eu descobri, do jeito mais nada poético possível, que amar alguém por muitos anos é tipo cuidar de uma planta que insiste em quase morrer, mas também insiste em não desistir. Tem dias que eu olho pra gente e penso com toda sinceridade do mundo, meu Deus, quem foi que teve essa ideia genial de continuar aqui? Porque no começo, ah… no começo a gente não sabia nem onde colocar as mãos, quanto mais o coração. Era tudo meio torto, meio desconfiado, meio “será que isso presta?”. E mesmo assim, a gente ficou.
E ficar, eu percebi, é um ato meio revolucionário hoje em dia. Porque o mundo ensina a ir embora na primeira instabilidade, como se amor fosse aplicativo que trava e a gente desinstala sem nem tentar reiniciar. Só que eu e ele somos dessas pessoas teimosas, que atualizam, que insistem, que brigam, que cansam, mas que no final do dia ainda estão ali, se olhando com aquele ar de quem já viu o pior e mesmo assim decidiu ficar para o próximo episódio.
Tem dias em que o nosso amor parece uma construção feita com pressa, cheia de rachaduras, barulho, poeira e um certo risco de desabar. E tem outros dias em que eu olho e penso, isso aqui tá virando uma obra de arte, viu. Porque cada dificuldade foi uma lixa, cada discussão foi um martelo, cada reconciliação foi um polimento. A gente não nasceu pronto, a gente foi se fazendo. E olha, dá um trabalho quase absurdo.
Só que no meio desse caos bonito, eu entendi uma coisa que ninguém conta direito. Amor de verdade não é o que nunca balança. É o que balança, ameaça cair, faz a gente perder a paciência, mas ainda assim encontra um jeito meio torto de se sustentar. É tipo aquele copo lascado que você continua usando porque tem história. E quanto mais história tem, mais difícil é largar.
Hoje, quando eu olho nos olhos dele, eu não vejo perfeição. Vejo caminho. Vejo tudo o que já passamos, tudo o que quase quebrou a gente, e tudo o que, estranhamente, fortaleceu. Nosso amor ainda é instável às vezes, claro que é. Mas também é resistente de um jeito que nem eu sei explicar direito. É como se a gente tivesse construído algo que não é indestrutível, mas é persistente. E no fim das contas, isso vale muito mais.
Porque diamante mesmo não nasce pronto. Ele aguenta pressão, tempo, calor, caos. Igualzinho a gente. E eu sigo aqui, lapidando, sendo lapidada, às vezes reclamando, às vezes rindo, mas sempre ficando. Porque no meio de tanta coisa passageira, o que a gente tem… ficou.
Se a maior arma de alguém for a paciência (lembrando que não é normal elogiarem munição) por que razão fazer de pressa uma bala de canhão?
Não se dá um bumerangue à um peixe.
Não se mergulha um gorila ao oceano.
Não se dá asas à um leão.
A terra já tem gente demais… e ainda assim parece que falta alguém. Olha que ironia bonita e meio trágica. A gente se esbarra no mercado, no trânsito, na fila do banco, nos stories de gente que a gente nem lembra como começou a seguir… e mesmo assim, no fundo, existe um silêncio que não é de falta de barulho, é de falta de presença de verdade.
Tem dia que eu olho ao redor e penso: não cabia mais ninguém aqui. Não cabe mais carro, não cabe mais prédio, não cabe mais opinião sendo jogada como se fosse pedra. Todo mundo falando, ninguém ouvindo. Todo mundo mostrando, quase ninguém sendo. Parece que a humanidade virou uma feira livre de egos, onde cada um grita mais alto pra ver se vende um pedacinho da própria existência.
E o curioso é que, quanto mais gente tem, mais raro fica encontrar alguém que realmente fique. Fique na conversa sem olhar o celular. Fique no abraço sem pressa. Fique no olhar sem cálculo. A terra está cheia de corpos, mas vazia de encontros.
Às vezes eu acho que o problema não é a quantidade… é o jeito. Porque gente demais não seria um problema se fosse gente de verdade. Gente que sente, que respeita, que não pisa no outro só pra subir um degrau que nem precisava subir. Mas parece que estamos todos disputando um pódio invisível, correndo uma corrida que ninguém explicou direito qual é o prêmio.
E no meio disso tudo, eu me pego querendo menos. Menos barulho, menos gente superficial, menos necessidade de provar qualquer coisa. Porque no fundo, a gente não precisa de mais gente no mundo… a gente precisa de mais humanidade dentro das pessoas que já estão aqui.
Talvez a terra não esteja cheia demais. Talvez ela esteja mal preenchida. Cheia de pressa, de aparência, de distração… e com falta daquele tipo de presença que não ocupa espaço, mas transforma tudo.
No fim das contas, não é sobre quantos somos. É sobre como somos. Porque uma única pessoa inteira vale mais do que mil vazias passando por você sem nem deixar rastro.
E eu sigo aqui, no meio dessa multidão, tentando não ser só mais uma. Tentando ser alguém que fica, que sente, que olha de verdade… porque já tem gente demais no mundo, mas ainda falta quem saiba ser gente.
Ser atento ao ouvir alguém abrir o coração, admirar os mais simples atos de amor, elogiar sem segundas intenções e amar sem querer nada em troca, se é que é possível amar esperando algo. Dê valor ao que realmente merece sua atenção e o seu gastar de energia pois a vida é curta demais para terminar em palavras vazias.
Green Eyes
(por alguém que amou demais)
Te olhei como se o mundo coubesse
no reflexo dos teus olhos verdes
e coube.
Mas só pra mim.
Enquanto teu riso era sol,
meu peito era tempestade.
Toquei teu nome com cuidado,
como quem segura vidro
com mãos de pele aberta,
sabendo que vai sangrar.
A cada “não” que tu disseste,
meu coração ouvia gritos.
E mesmo assim,
te quis do jeito mais bonito.
Você era estrada reta,
e eu, curva sem aviso.
Tua alma era luz clara,
e eu morava no cinza indeciso.
Não é tua culpa,
nem tua falta.
É só que amar você
foi como dançar sozinha
num salão onde só você tinha música.
E agora, onde encosto, dói.
Mas te deixo ir
porque amor de verdade
também sabe recuar.
Mesmo quando arde.
Mesmo quando mata.
A humildade é a perfeita consciência de si. Quando alguém descobre quem é, automaticamente descobre quem não é. E quando caem todas as máscaras, resta somente hum.
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