Perda de um Amor por Orgulho
O recomeço não é um evento épico que irrompe em fogos de artifício e anúncios públicos, mas um juramento silencioso que se faz na primeira hora da manhã, diante do espelho, um pacto com a dignidade de não permitir que o ontem contamine a pureza do hoje. Ele se manifesta no gesto pequeno de não repetir um hábito tóxico, na decisão minúscula de perdoar, e na capacidade de ver, em um dia comum, a chance monumental de reescrever o próprio destino, fazendo da sua obstinação discreta o motor que move montanhas invisíveis de inércia e medo.
A meditação sobre a cruz não é a simples lembrança de um patíbulo antigo, mas a revelação mais pungente da lógica divina, que o Amor, para ser completo, precisou do maior dos sacrifícios. Penso nas incontáveis glórias que adornavam a Divindade e na Sua voluntária renúncia a toda majestade, trocando o esplendor eterno pela fragilidade humana e, finalmente, pela dor do lenho ensanguentado, um ato de desprendimento tão radical que redefine o conceito de misericórdia. Não existe medida humana para calcular a profundidade desse abismo de Graça, é um amor que se fez ponte, custando a própria Vida, e que por isso exige, da minha alma resgatada, o tributo eterno.
Em um mundo onde é fácil se perder, e a visão fica turva pela rotina, basta um momento ao seu lado para que tudo se reorganize. Sua proximidade é meu porto seguro.
A humildade é o reconhecimento de que, mesmo sendo forte, você é apenas um instrumento de uma força maior.
A verdade é um espelho quebrado, cada fragmento reflete uma parte de quem você é, e a dor está em juntá-los.
O cérebro é um escudo mais eficaz que o coração quando o mundo insiste em tratar a compaixão como vulnerabilidade.
Há dias em que a única terapia é um banho quente, dissolvendo o peso que o dia insiste em deixar na pele.
