Perda de um Amor por Orgulho

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“A vitória enche a mesa. A perda esvazia o salão.”

Na era da memória digital, a própria perda está perdida.

Mark Fisher
Fantasmas da minha vida. São Paulo: Autonomia Literária, 2022.

Deus não chama os perfeitos, Ele aperfeiçoa os chamados.
Se houve dor, Deus cura.
Se houve perda, Deus restaura.
Se houve silêncio, Deus continua falando. miriamleal

Em Filipenses 3:8, Paulo declara que considera tudo como perda por causa da excelência de conhecer a Cristo. Ele não queria “o que Cristo dava”. Ele queria o próprio Cristo.


O que eu posso viver para honrar Aquele que morreu por mim?


miriamleal

Ecos do Passado

Na mocidade, eu amei correndo,

como quem teme a perda.

Agora amo em silêncio...

como quem entende a eternidade.




O tempo passou, e me deixou vazia de palavras, mas cheia de histórias.

O que foi desejo, agora é gratidão...

o que foi silêncio, agora é palavra.




Havia poesia nos meus silêncios, versos não escritos, noites desperdiçadas...

agora, a caneta se ergue, tardia, mas cada palavra é um eco do que fui.




Não procuro os fantasmas do ontem...

nem lamento as perdas que me moldaram,

não é saudade nem lembrança...

é algo maior, silencioso e real.




O que sinto hoje é amor pela vida...

amor pelas mãos que me seguram...

pelo instante que pulsa entre meu peito, e o mundo que ainda me espera.

Cada perda foi lição que adotei, ensinar-me tornou-se tarefa de respeito, sou aluno e mestre do mesmo tempo.

Cada perda foi uma semente de renascimento.

Cresci quando entendi que nem todo adeus é perda.

Fui perda, e ainda assim fui ganho em outro tempo.

Já encontrei paz onde antes só havia perda.

Deus me mostrou que o que parece perda é, muitas vezes, proteção. Perdas aparentes são cortinas que nos protegem do que não nos pertence, a fé revela o que era escudo.

Deus me fez entender que nem tudo que se perde é perda. Existem perdas que protegem a alma, o olhar de fé nos mostra o valor do que se foi.

Fui perda, fui cura, e me tornei humano.

Perdi tudo e ganhei a mim mesmo, no vazio reencontrei o essencial, perda virou retorno para o que importa, ganhei liberdade e rosto próprio.

Em cada perda, lembro-me de plantar uma pequena promessa.

É uma perda de tempo esperar a aceitação integral de quem só consegue conceber a vida e as pessoas em fragmentos.

A paciência é a alquimia que transforma perda em memória. Sem ela, o luto explode em rancor e fome. Com ela, o passado vira lembrança comestível. Aprendo a cozinhar memórias, a temperar saudade com graça. E então o que restou alimenta, em vez de matar.

Cada perda que vivi abriu espaço para algo maior, às vezes maior dor, às vezes maior luz, mas sempre algo que me transformou, sou feito de recomeços obrigatórios, e sou grato por todos eles.

Existe uma música que só tocamos na cabeça. Ela passa notas de perda e refrões de resistência. Se alguém escutar, talvez entenda por que sorrimos devagar. A vida é uma partitura mal escrita que insistimos em interpretar. E há beleza em quem desafina com propósito.

A perda me ensinou a medir tudo em silêncio. O pouco que sobrou passou a ter peso de tesouro. Conto moedas de afeto e invisto em gestos pequenos. Há economia no cuidado com o próprio quebrado. E essa prudência constrói a base para novos começos.