Pensamentos sobre o Tempo

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O amor maduro não promete vencer o tempo; oferece presença enquanto o tempo durar.

O futuro é a região do tempo onde a liberdade ainda conserva alguma matéria para escrever.

Esperar é descobrir que o tempo, embora implacável, também sabe tocar sem ferir.

O tempo é o escultor absoluto: retira de nós aquilo que julgávamos ser e revela aquilo que conseguimos permanecer.

O tempo passa depressa demais. Às vezes, é preciso parar e olhar ao redor para não perder aquilo que o tempo leva consigo.

O tempo passa enquanto olhamos para outra coisa; às vezes, viver é simplesmente parar e olhar.

Prometer eternidade é uma das mais belas ficções humanas; exigir que ela sobreviva ao tempo é o primeiro confronto entre a poesia e a realidade.

O ser humano é paradoxal: carrega dentro de si a vocação para o infinito e, ao mesmo tempo, os limites de uma criatura finita.

Não transformes a tradição em verdade apenas porque o tempo lhe concedeu antiguidade.

O tempo não passa diante de nós; somos nós que passamos por ele, enquanto cada instante silenciosamente transforma o que fomos no que já não podemos ser.

Quem passa muito tempo combatendo monstros deveria verificar se não começou a usar os mesmos métodos deles.

A medicina muitas vezes cura o corpo enquanto oferece à esperança o tempo necessário para que a própria natureza faça seu trabalho.

A leitura amplia a alma porque permite que uma consciência atravesse o tempo e converse com consciências que nunca conhecerá.

A história é o arquivo das certezas que perderam a batalha contra o tempo.

Se existe uma aristocracia que merece sobreviver ao tempo, não é a do sangue nem a do dinheiro, mas a da consciência que se recusa a ajoelhar diante da própria ignorância.

A virtude não permanece solitária por muito tempo: quando é verdadeira, transforma o indivíduo e cria ao seu redor possibilidades de convivência.

A verdade não deveria depender da autoridade de quem a pronuncia; ela amadurece no tempo, na experiência e na confrontação com os fatos.

O tempo não é escasso para quem sabe habitá-lo; escassa é a consciência daqueles que atravessam os dias sem jamais perceber que os estavam perdendo.

A verdade não precisa da pressa dos homens: o tempo, paciente e implacável, costuma separar o fato da aparência.

Uma vida bem empregada não teme o fim: depois de ter transformado tempo em experiência, experiência em conhecimento e conhecimento em existência, até a morte encontra menos espaço para arrependimentos.