Pensamentos de Saudade
De repente escuta uma música que abre uma caixinha supostamente trancada: a da saudade. Advém uma dor no peito, de um sonho que partiu, virou passado, mas ficou. Dos olhos caem lágrimas — uma homenagem sincera, digna e silenciosa do coração.
Quantos esqueceram, ou guardam uma saudade incomensurável de coisa tão simples, tão delicada, por não dizer tão lúdica: passear pela natureza de mãos dadas com quem amamos, com o sorriso das flores, a bênção do sol e a felicidade no coração.
Dia após dia, num presente bobão ou autista, cujo passado esconde a saudade, sendo a realidade uma metáfora da vida, padecendo de uma perene mitomania, dentro de um sufocante avatar, que tudo dissimula num palco de alegria.
Sinto meu tempo se apagando,
chega o instante final
de despejar a saudade.
No coração já não cabe,
as lágrimas transbordam
o peso da perda,
lutando contra o desejo
da eternidade.
Quando o tempo finalmente engolir o nosso adeus, a saudade vai tatuar no avesso da sua alma que fomos o único milagre que o tempo não soube explicar.
O amor de verdade sabe a hora de virar brisa e ir embora, deixando saudade; a obsessão se fantasia de abrigo, mas é tempestade que busca apagar a sua identidade.
Meus olhos aprenderam a chorar sem fazer barulho para não assustar a saudade que você deixou morando em mim.
A pior parte da saudade é saber que o outro também está sofrendo em silêncio, mas nenhum dos dois sabe como dar o primeiro passo.
A pior parte da saudade é o silêncio compartilhado: onde o orgulho afasta e o medo da rejeição sabota o primeiro passo.
O tempo pode desgastar, mas não destruir. Nosso amor tem a alma da fênix: morre em saudade para renascer em presença, sempre eterno.
