Pedido de desculpas para professor
Enquanto o professor sacrifica a voz para abrir mentes e o policial arrisca a vida para proteger o próximo, o pastor hipócrita enriquece vendendo um terreno no céu que ele mesmo não faz questão de visitar tão cedo.
A Guardiã dos Avisos Ignorados
Por Ramos António Amine, Professor de Filosofia
Nada estava visível naquela noite. Mas algo pairava, em surdina, nas pequenas coisas que costumamos ignorar: a Guardiã dos avisos ignorados.
Uma alta dirigente distrital decidiu partir para a cidade a fim de passar a quadra festiva junto da família. Fora avisada de que a lei não concede diferimentos favoráveis a viagens impulsivas de quem detém autoridade. Ainda assim, escolheu ouvir o coração pois, em tempos festivos, o coração costuma falar mais alto do que a norma. A regra foi relegada ao segundo plano, dobrada e esquecida, enquanto à frente da dirigente seguia apenas o desejo de estar entre os seus.
Não faltou quem tentou dissuadi-la. Não com gritarias nem com processos disciplinares, mas com a frieza de quem conhece o peso da responsabilidade. O aviso foi simples e claro: quem serve o distrito não deve servir-se dele sem consequência. Contudo, a decisão já estava tomada. Quando o poder se habitua a mandar e passa a ouvir apenas a si próprio, aprende também a ignorar os avisos.
Naquele dia, apesar de esburacada e lamacenta, a estrada comportou-se silenciosa, como sempre é a Guardiã dos avisos ignorados.
No caminho, o mundo cobrou o preço da decisão. O irreparável sucedeu. Um corpo ainda marcado pelas ressacas das vésperas atravessou a estrada e, num instante, tudo se desencadeou: decisão em absurdo, movimento em culpa, pressa em tragédia, quadra festiva em luto. A estrada manteve-se indiferente, enquanto uma vida se despedia sem temor nem tremor.
Em delírio, a dirigente recorreu ao gesto mais antigo do mundo moderno: ligou para casa. Do outro lado da linha, o marido correu para socorrer quem amava. Mas o absurdo: hóspede discreto da condição humana, ainda não havia concluído a sua obra.
Ao calçar os sapatos à pressa, o marido foi mordido por uma cobra, escondida onde ninguém espera a morte: no abrigo quotidiano do pé. Assim, num só encadeamento de factos, uma decisão tomada no distrito gerou tragédia na estrada; a tragédia clamou por auxílio; e o auxílio quase gerou outra tragédia. Nada disso constava nos planos da dirigente. É assim que o absurdo opera.
Houve conspiração? Intenção malévola visando a sua queda? Não se sabe. Sabe-se apenas que houve consequência. A exceção aberta à interpretação da lei abriu caminho; a pressa acelerou; e a Guardiã dos avisos ignorados, amontoada nos sapatos, respondeu como sempre: silenciosa, inevitável.
Talvez seja isso que mais nos vulnerabiliza: o mundo não castiga, apenas responde. Responde ao orgulho, à arrogância institucionalizada, às escolhas impulsivas, ao descuido, à crença perigosa de que o cargo nos coloca acima da lei, dos outros ou do absurdo.
Na origem desta tragédia esteve uma decisão. No fim, restou a estrada.
E a estrada resta sempre para ensinar, sem alarde, que o poder é efémero, que a vida é um sopro e que o absurdo nos acompanha justamente onde julgamos estar seguros: na exceção que toleramos, na viagem que consentimos a nós mesmos, no otimismo que nos dispensa da prudência.
Enquanto os homens celebram datas e inventam hierarquias, a natureza permanece silenciosa e atenta, indiferente às nossas justificações. E a Guardiã dos avisos ignorados, paciente, continua onde poucos ousam procurar: no intervalo entre avisos e a decisão.
E agora, Professor?
E agora, Professora?
E agora, Professor?
E agora, Professora?
Que você se deparou
Com tanta gente opressora?
E agora, Professor?
E agora, Professora?
Que te fazem salvador
De uma triste realidade?
E agora, Professor?
E agora, Professora?
Que esperam de você
Muito mais que capacidade?
E agora, Professor?
E agora, Professora?
Ensinará o conteúdo
A quem não quer aprender?
E agora, Professor?
E agora, Professora?
Já soube que o mundo todo
Depende muito de você?
E agora, Professor?
E agora, Professora?
Que descobriu a utopia
Que é a pedagogia?
E agora, Professor?
E agora, Professora?
Que aprendeu que a teoria
não serve para a prática?
E agora, Professor?
E agora, Professora?
Que precisar educar mentes
E barrigas extremamente vazias?
E agora, Professor?
E agora, Professora?
Que descobriu que outros
seu trabalho, melhor, faria?
E agora, Professor?
E agora, Professora?
Que você não tem valor
E nem tão pouco o respeito?
E agora, Professor?
E agora, Professora?
Que fará com tanta dor
E com tanta decepção?
E agora, Professor?
E agora, Professora?
Que o ano não acabou
Mas, você se esgotou?
E agora, Professor?
E agora, Professora?
Que mataram os seus sonhos
E te fizeram de vilão?
E agora, Professor?
E agora, Professora?
Que descobriu que seus méritos
Não são mais que obrigação?
E agora, Professor?
E agora, Professora?
Que colocaram na sua conta
Toda a deseducação?
E agora, Professor?
E agora, Professora?
Como ensinará o amor
Em meio ao caos e opressão?
E agora, Professor?
E agora, Professora?
Que diminuíram o seu valor
E te juntaram com pá e vassoura?
E agora, Professor?
E agora, Professora?
Que te culparam por toda
Falta de vontade e querer?
E agora, Professor?
E agora, Professora?
Que escancararam para todos
O quanto errado tu és?
E agora, Professor?
E agora, Professora?
Vais apelar para o Senhor
Para a mamãe ou para o doutor?
E agora, Professor?
E agora, Professora?
E agora, Professor?
E agora, Professora?
Ser professor é mais que uma profissão
É um dom que exige amor e dedicação
Cada dia, cada momento, uma superação
Meu muito obrigado aos mestres
Que fizeram parte da minha vida
Pessoas importantes, pessoas queridas
Jamais, nunca serão esquecidas.
O respeito começa em casa, pela família; mas numa escola é fundamental que ele comece pelo professor.
A educação é um tripé formado pelo Professor (Escola), o aluno e a sua família (Encarregado de educação).
Nas aulas, o professor não deve ficar preso ao material didático do estado. É importante buscar outros recursos que ajudem os alunos a aprender melhor. Afinal, tanto o professor quanto o aluno estão sempre a aprender.
O professor transforma a sala de aulas num espaço de descoberta, maximizando o aproveitamento pedagógico dos alunos.
Ser professor é mais do que instruir o aluno; é ser um suporte, um mentor e, muitas vezes, um segundo pai. É um papel que exige paciência, compaixão e dedicação, pois o objectivo é não apenas educar, mas também formar cidadãos conscientes e capazes.
"Nosso trabalho como designers instrucionais é facilitar o trabalho do professor, não criar obstáculos visuais."
(PERRONE FILHO, 2022)
"Se o professor se limitar apenas a passar informação, ele realmente não serve para mais nada; o papel do mestre é a mediação da vida"
(PERRONE FILHO, 2024)
"A automação deve libertar o professor de tarefas repetitivas para a mentoria"
(PERRONE FILHO, 2023)
"O trabalho do professor não é a sala de aula; a sala de aula é o momento final. A tecnologia deve ajudar no processo que vem antes."
(PERRONE FILHO, 2022)
Ser professor é desempenhar um papel essencial na transformação social, mediando o conhecimento e promovendo práticas educativas que atendem às demandas atuais, com um compromisso ético e estratégias pedagógicas baseadas em evidências.
O desconforto é um professor silencioso. Ele não explica — ele mostra. E só aprende quem decide não fugir.
A vida
é uma escola.
O livre-arbítrio,
o professor.
A religião,
às vezes
uma cúmplice,
outras vezes
um véu.
A espiritualidade,
a aliada
que sopra sentido
onde a fé cega
não se institucionalizou.
A ciência,
um semáforo
(ora verde,
ora amarelo,
ora vermelho)
lembrando que avançar
também exige pausa,
freio.
A ética,
o pedal
(se não há impulso consciente,
não há movimento digno).
A escritura,
o universo aberto,
a interpretação,
um planeta
que orbita conforme
a gravidade de quem lê.
E no fim,
somos estudantes
assinando a própria prova
sem poder colar do destino.
✍©️@MiriamDaCosta
