Paródias de Amor
A criação não foi um ato de amor, foi um espasmo de tédio de uma entidade que não suportava o próprio vazio.
O amor é o único erro de cálculo que vale a pena cometer num universo indiferente; é a única forma de cuspir na cara do nada e dizer: "Hoje não, hoje eu escolhi a alucinação de ser importante para alguém".
Amor surge do caos como uma faísca em pólvora seca, incendiando almas que outrora congelavam no gelo do desespero solitário.
O amor que se estende a todos não alcança ninguém; é uma moeda inflacionada que perdeu o seu valor de compra.
Talvez o problema seja o conceito de "amor": para o religioso médio, amar parece ser o ato de odiar fervorosamente qualquer um que não se curve ao seu delírio coletivo.
Embora eu não experimente mais o amor quando morrer, o amor provavelmente continuará vivendo sem mim
DEUS NÃO É AMOR
1. O amor é uma relação direta entre humanos (e requer provas e atitudes).
2. Deus não se relaciona diretamente com seres humanos (não há provas de fala direta).
3. Logo, Deus não é amoroso (ou não há provas do amor divino).
No vazio caótico do niilismo, o amor emerge como uma alucinação selvagem, quase incapaz de se sustentar, mas persistente o suficiente para desafiar a insignificância, transformando o desespero numa esperança arrogante que devora o nada.
