Parabéns pelo Nascimento do Filho
Despedida a Isabel
Minha mui querida Isabel,
despeço-me — não apenas de vós,
mas de tudo aquilo que em vós encontrei
e em mim se perdeu.
Há muito percebo
o peso de minha presença em vossa vida,
como se meu amor vos fosse fardo,
e não abrigo.
E eu, que vos amei em silêncio e constância,
aprendi a ler nos gestos ausentes:
no rosto que se volta,
nos beijos contados,
na ternura que não mais floresce.
Assim, pouco a pouco,
fui me tornando sombra de mim mesmo,
habitando um vazio onde outrora
vivia esperança.
Se errei — e sei que errei —
não foi por desamor,
mas por não saber amar melhor
quem sempre foi tudo para mim.
Perdoai-me, pois,
se vos causei dor;
carrego comigo a culpa
e a devoção que jamais cessou.
E assim parto —
não de vós apenas,
mas do que fui
quando ainda havia nós.
Minha mui estimada Isabel,
Rogo que recebais estas humildes linhas como íntima confidência de um coração já fatigado pelas agruras do destino e pelas aflições do espírito. Há muito percebo, com silenciosa dor, que minha companhia vos tem sido mais um peso que um consolo, mais um fardo que uma ventura. Tal percepção, cruel e incessante, lançou-me em profundíssima melancolia, da qual raras vezes encontrei alívio.
Nos pequenos gestos de vossa distância — no semblante que se desviava do meu, nos beijos concedidos com parcimônia, na frieza que lentamente se instalou entre nós — fui lendo, pouco a pouco, a sentença de meu próprio desalento. E assim, consumido pela tristeza e pela solidão, tornei-me sombra daquilo que outrora fui.
Todavia, se em algum momento falhei convosco, ou se minhas ações vos causaram mágoa e injustiça, suplico-vos humildemente o vosso perdão. Jamais houve em minha alma intenção de ferir aquela a quem dediquei o mais sincero e devotado amor. Reconheço minhas faltas com resignação cristã e aceito, sem queixa, o peso de minhas culpas.
Pois, ainda que os caminhos da vida nos conduzam por veredas distintas, levarei comigo a certeza de que vos amei com toda a força de meu espírito e com toda a fidelidade de meu coração.
Vosso, em eterna saudade e devoção.
Cartas para um coração ausente
Todos os dias, suas palavras parecem certas…
mas seus sentimentos caminham na direção contrária.
Diga-me, minha querida:
o que foi que eu fiz de tão errado?
Todos os dias se tornaram a mesma mentira, repetida incontáveis vezes, como se tentasse me iludir e, ao mesmo tempo, enganar a si própria.
Mas, no fundo, eu sei…
você não me ama.
E cada gesto seu, cada pequena atitude, transforma-se em uma lâmina silenciosa que me faz sangrar por dentro.
Houve um tempo em que eu acreditava nas suas palavras de amor.
Acreditei em cada promessa doce, em cada frase dita com ternura, porque elas tinham o poder de acalmar meu coração.
E eu me entreguei por completo a essa ilusão.
Mas a realidade é cruel demais para ser escondida eternamente.
Hoje, encontro-me perdido entre lágrimas e pensamentos, tentando compreender em que momento me tornei tão indigno do seu amor.
Diga-me, minha querida…
o que foi que eu fiz para merecer o desprezo silencioso do seu coração?
Porque suas palavras ainda são doces…
mas já não carregam verdade alguma.
Tornaram-se apenas mentiras delicadas, destinadas a iludir um coração que um dia acreditou sinceramente em você.”
O bom caminhar
Nessa vida
Requer
Uma alma preparada.
Distante do ódio
Que sempre nos espreita
a jornada.
Os antigos poetas e pensadores diziam que os olhos são os espelhos da alma
e as palavras da boca são flautas
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