Parabéns para Alguém Especial

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Se alguém ousasse mergulhar na minha mente, seria imediatamente entorpecido pelo caos, aqui não existe repouso, apenas um conflito eterno entre passado e uma sucessão de pensamentos perturbadores que fazem da desordem o meu único lar.

Carrego um luto sem rito de passagem, uma perda invisível que me transformou em alguém que eu ainda estou tentando conhecer.

Não busco salvadores, busco testemunhas. Alguém que valide minha travessia sem tentar consertar o que é, inerentemente, humano.

O amor, quando chega para alguém como eu, não entra pela porta da frente com flores, mas infiltra-se como a umidade nas paredes, gelando os ossos antes de se tornar parte da estrutura. É uma dor bonita, um jeito de sofrer acompanhado por alguém que também tem medo do escuro.

Minhas palavras não buscam salvar o mundo, buscam apenas ser o espelho onde alguém possa se olhar e dizer: "pelo menos não sou o único que se sente assim". A validação da dor alheia é o maior ato de caridade que um escritor pode oferecer ao seu leitor cansado.

Eu me tornei alguém que observa mais do que vive, como se estivesse sempre um passo atrás da própria existência, avaliando cada emoção antes de permitir que ela me atravesse, mas sempre algo escapa… e talvez seja isso que ainda me mantém humano.

Respeitar alguém vai muito além de enxergar utilidade, aparência ou conveniência. É compreender que dentro de cada ser humano existe um universo invisível de dores, memórias, sonhos e batalhas silenciosas que ninguém vê completamente. Toda vida carrega profundezas que os olhos não alcançam, e reconhecer isso é uma das formas mais nobres de humanidade.


- Tiago Scheimann

A solidão é a sala onde o mundo tira a máscara e me obriga a descobrir se existe alguém em mim além da voz que os outros ouviram.

Existem feridas que não querem ser curadas; querem apenas que alguém reconheça que elas existiram e que doeram mais do que as palavras conseguem contar.

O coração não se parte quando perde alguém, parte-se quando entende que jamais voltará a existir da mesma maneira.

A maior vitória da dor não é fazer alguém chorar; é convencer alguém de que nunca mais vale a pena acreditar.

A realidade raramente destrói alguém de uma única vez; prefere a paciência das pequenas erosões.

Vivemos em um mundo,
que o sistema faz um se sentir alguém
e outros ninguém...

Você chegou na vida de alguém para lhe dar o que nunca teve, e ela te mostrou o que nunca recebeu.

Alguém já te julgou por enxergar em você a resolução de um problema do outro que, muitas vezes, nem é tão coitadinho assim. Embora se faça.

O facto de alguém o considerar seu inimigo não implica que essa pessoa seja, de facto, sua inimiga, tal como o facto de o considerar seu inimigo não significa que sejam, de facto, inimigos.

Amor não é evento, é hábito. Não espere o Dia dos Namorados para fazer alguém se sentir único. Quem ama, cultiva o sentimento todos os dias.

“O Cristo Interior não é alguém que precisamos encontrar.

É aquilo que deixamos de perceber quando nos afastamos de nós mesmos.”

A humanidade descobriu como se conectar com todos, mas desaprendeu como se relacionar com alguém. A liquidez das relações humanas está liquidando o próprio significado de ser humano.

COMO ENSINAR ALGUÉM A PENSAR SEM ENSINAR O QUE ELA DEVE PENSAR?

Existe uma contradição silenciosa em parte da educação.

Dizemos que queremos formar pessoas autônomas. Depois avaliamos autonomia pela capacidade de repetir corretamente aquilo que ensinamos.

Ensinar conteúdos é indispensável. Não existe pensamento complexo sem repertório.

Mas existe uma diferença entre oferecer instrumentos para pensar e entregar conclusões que não podem ser examinadas.

Uma educação voltada à autonomia precisa suportar uma possibilidade desconfortável: o aluno pode aprender a pensar e chegar a uma conclusão diferente da nossa.

Isso não significa que toda conclusão tenha a mesma qualidade. Autonomia não elimina critérios. Ao contrário.

Exige aprender a justificar, comparar evidências, reconhecer limites, revisar interpretações e atribuir pesos diferentes às fontes disponíveis.

É nesse sentido que tenho trabalhado uma Pedagogia do Discernimento.

Não como educação para ensinar pessoas a concordarem com determinadas respostas, mas como investigação sobre condições educacionais capazes de melhorar a maneira pela qual avaliamos aquilo que participa de nossas decisões.

O professor não desaparece. Sua autoridade muda de função.

Em vez de ser apenas fornecedor de respostas, torna-se também alguém capaz de ensinar o estudante a perguntar por que determinada resposta merece confiança.

Existe uma diferença profunda entre formar seguidores de ideias e formar autores de julgamento.

Educar alguém para pensar não é ensinar em que acreditar. É ajudá-lo a compreender por que acredita, quanto deveria acreditar e o que poderia fazê-lo revisar aquilo em que acredita.

Talvez a educação não tenha segredo.

Talvez o segredo continue estando na educação.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador