Para dia Nascer Feliz
E ainda nesta noite, sexta-feira, dia 2 de janeiro de 2026, às 23h57, questionar quem rege a minha vida não é sinal de fraqueza. Vejo isso como sinal de consciência. Acredito que, quando alguém começa a se perguntar sobre destino, controle e sentido, essa pessoa já não está dormindo dentro da própria história.
E o problema não é eu ser “o meu próprio mal”.
O meu problema foi ter caminhado longe demais sem testemunhas, sem apoio real, sem pausas para recalibrar o rumo.
Não enxergo o destino como um maestro invisível regendo tudo em silêncio. Para mim, ele se parece mais com um barco mal equipado em mar agitado e tempestuoso. Não é culpa do barco existir — o que falta é leme, mapa e porto.
E, ainda assim, eu sigo flutuando.
Para mim, isso não é pouco. Isso é resistência silenciosa diante de todo o caos da minha vida.
“Quando tudo estiver ruim, lembre-se: o fruto de um dia difícil pode ser uma vida ainda mais extraordinária.”
CENÁRIO DA PRAÇA
O vento gostoso do mês de maio corria solto na praça. Dia lindo de céu azul. Aquele dia que, de tão bonito, nos anima a sentar em um dos bancos da pracinha. Sentamos a observar, atentos, o que passa. É certo que não existe mais a banda para vermos passar...o tempo da banda passou.
Mas, observando com cuidado, quanta coisa interessante passa na praça. Retrato dos nossos tempos desfilam!
O casal de adolescentes, modelos atuais, calça jeans justinha e blusa de malha, a mostrar o corpo, novinho em folha, esculpido na malhação! Sorridentes, eles correm contra o tempo e o transporte da cidade que os levará ...sei lá aonde! Talvez à Rua da Esperança!
E passa uma senhora de idade, mas não sem disfarçar os fios brancos que lhe tecem a vida, com um amarelo brilhante que lembra o sol dos tempos de juventude a lhe emoldurar o rosto. Ela precisa da ilusão para embelezar a velhice!
Mas a expressão da senhora é tensa! Ela senta em um dos bancos, na sombra da árvore. Tira os pés do sapato, olha para os pés maltratados e balança as pernas sob o banco, na liberdade de quem não se liga mais a normas! Puxa de uma sacola uma banana. Saboreia com gosto e joga as cascas no canteiro da pracinha. Com certeza, veio de longe. Também espera o transporte, mas seu destino é a Rua da Saudade.
Quando somos privilegiados em conseguir brindar a vida com mais de 70 anos,
a convivência diária com os jovens exige cuidado e uma profunda aceitaçao da realidade.
Dizem muitos, que idosos acumulam sabedoria! Sem dúvida, quase sempre esta é uma verdade. Mas será este o real sentimentos da maioria da juventude ao encarar um idoso?
Não acredito nesta verdade!
Talvez até por uma questão de educação ou exigência do momento, os jovens expressem
respeito e até carinho, para com um idoso em determinado encontro ou pequeno espaço de tempo .
Mas a verdade chega a ser cruel para aqueles que já experimentam o viver dos 70 ou 80!
Jovens não gostam de conviver com velhos! E, se por algum motivo, precisam fazê-lo, procuram uma maneira de, sutilmente, sair da incômoda situação, com a maior rapidez possível! Isto independente do status social ou grau de conhecimento que venha a ter o idoso.
Esta é a verdade crua que pode doer apesar de tantos belos discursos enaltecendo a terceira idade.
Portanto, o melhor é procurar amenizar os problemas da terceira idade, juntando-se a amigos desta mesma faixa etária.
E assim passaram-se os dias, contemplando a lua que exercia uma estranha atração nela. De dia sonhava e de noite acordava. Encontra-la mesmo que naquela maldição era tudo o que lhe restava. Lutar para quebrar o feitiço era a única opção, mas a luta permanecia no estranho ato de sonhar de dia e acordar a noite e de longe ficar a contemplar a beleza e sentir a energia apesar da distância.
Dia após dia, noite após noite, sonhos de faces randômicas que despertavam sentimentos nunca dantes percebidos e no cair da noite uma única face permanecia frente aos teus olhos, atraídos como se pudessem sair pelo espaço em sua direção e encontra-la.
De repente o som estridente da campainha trespassa o quarto entra rasgando por seus ouvidos. Um salto, coração acelerado, susto. O dia amanheceu. Acorda e vai tomar o café. Tudo que se passou ficou guardado no fundo do inconsciente para novamente tomar novas formas com a visita de Morfeu.
Os dias e noites assim se repetem até que naquela manhã durante o café algo parece ter-se quebrado no mais intimo daquele ser.
Demorou mais do que o normal sentado com o olhar vagando pela janela. Não sentia sono, não sentia o cheiro forte do café coado na hora, não sentia nada. E dentro daquele vazio apenas tua mente fervia e quanto mais fervia mais o coração disparava.
O pânico se instalou, um nó na garganta, um soco na boca do estomago, o mundo girava e girava e girava cada vez mais rápido.
Ela reúne toda a força que lhe resta. Tenta levantar-se, faz mais força e imóvel continua. Insiste, resiste, persiste. Pensa que esta morta, mas recusa-se a acreditar. Esta paralisada. Faz mais força e mais força e percebe um rasgo, uma fenda. Fixa-se naquele fio de vida e faz força.
Sente que moveu-se. Talvez um milímetro, insiste e se vê de pé. Move-se. Passa pela porta. Move-se mais rápido e mais rápido e mais rápido e sente o ar queimar seus pulmões e o coração mais e mais acelerado. Tudo parecia caminhar para um colapso. Mas sentia vida, estava viva. Outro ao teu lado apareceu e tão rápido acompanhou e quando viram corriam.
Corriam e não paravam mais. Romperam até que a noite caiu e a lua veio ter com eles. Naquele instante renasceram com o sopro de vida vindo da lua. O sopro empurrou-os para mais longe e fez deles mais rápidos e a maldição se quebrou e eles... Acordaram finalmente de um sonho a dois e foram tomar o café...
O tempo para quem se importa
Aquele dia começou, após uma noite mal dormida, com umamúsica no fundo, bem lá no fundo da cabeça, imperceptível, mas insistente. Arotina de sempre: levanta, lava o rosto, escova os dentes, dá uma olhada noespelho, faz a barba... Neste momento vem à mente as tarefas do dia e tudocomeça a acelerar, a mente foca no que tem de ser feito, o corpo segue asdeterminações e tudo entra no automático. Naquele dia tudo podia ter sido diferente,mas a vida contemporânea exige e cobra o tempo.
O tempo é o que se teve, se tem e terá. É o que deixa a vidafeliz ou triste, prazerosa ou penosa. Aquele dia começou e o tempo de lá paracá já se foi. Neste relacionamento intenso entre a vida e o tempo é precisocuidado para com o segundo de tal forma que o primeiro seja beneficiado. Seassim não for, a vida pesa e o tempo se rebela. Não adianta esconder, mentir,ajeitar, dissimular, fingir, não olhar..., pois o tempo é transparente esensitivo. Esta presente querendo ou não, gostando ou não. Ele não tem escolha.
Anteontem pensou-se no amanhã e a promessa foi feita: nestetempo escasso, a música lá do fundo sairá e vai tomar corpo e será tocada eescutada na integra com direito a reflexão e até repetição, mas o amanhã já foioutro dia e se tornou o ontem e a canção reprimida continuou lá no fundo,escondida atrás das fachadas erguidas para manter algo de valor duvidoso.
E o tempo hoje se apresenta e novamente a promessa é feita erefeita. Quem sabe amanhã tudo muda e a música poderá tocar num tempo normal,menos acelerado, menos dinâmico e assim a fala poderá ser dita e escutada, ocarinho poderá ser dado e recebido, tudo com profundidade e tempo para serapreciado e trocado.
vi no seu olhar tudo aquilo que nunca tive um dia,
vi no seu olhar todo amor que me faltou ser entregue,
vi no seu olhar tudo aquilo que procurava,
até ver no seu olhar a mentira que sempre me foi contada.
A solidão anda comigo lado a lado; sempre foi minha melhor amiga. Se um dia eu a deixar para ter ao meu lado outra pessoa, será que a solidão perdoaria tamanha traição?
A verdade é que ela permaneceu comigo, vendo meu pior lado e todos os meus pecados. Mas quem eu trocaria para estar ao meu lado, talvez não aceitasse nem mesmo a minha melhor versão.
Último domingo do ano, um dia de pausa, reflexão e gratidão. Que possamos olhar para tudo o que ficou para trás com aprendizado, soltar o que pesou e guardar o que nos fortaleceu. Que este domingo traga silêncio onde houve barulho, esperança onde houve cansaço e coragem para os novos começos que já nos aguardam.
Temos o poder de colorir as nossas vidas e tornar cada dia único, cada dia especial. Temos o dom, a capacidade de apenas com uma palavra, um gesto, uma escolha, mudar o mundo.
Flávia Abib
07 — O Nosso Dia
Hoje não é apenas mais um dia no calendário…
é o número que aprendeu a ter significado,
é o 07 que virou promessa,
que virou encontro,
que virou “nós”.
Eduarda,
se meu coração tivesse voz,
ele não sussurraria…
ele declararia ao mundo inteiro
que foi em você que ele encontrou morada.
Antes de você,
ele batia…
agora ele sente.
Antes de você,
eu existia…
agora eu vivo.
Você chegou como quem não faz barulho,
mas transformou tudo.
Organizou meus sentimentos,
acalmaram meus medos,
e fez do meu peito um lugar de paz.
No dia 07,
as estrelas foram testemunhas
de um amor que não nasceu por acaso —
nasceu com propósito.
Eu não te amo pela metade.
Eu não te quero por momento.
Eu te escolho por inteiro.
Eu te quero para a vida.
Se um dia me perguntarem
onde mora o meu amor,
eu direi sem hesitar:
ele tem nome, sorriso,
e atende por Eduarda.
Hoje é o nosso dia.
Mas, na verdade…
todo dia que acordo e lembro que você é minha,
já é um 07 eterno dentro de mim.
Com amor,
Aden
— o homem que encontrou em você
o significado da palavra eternidade, te amo!!!
ENCONTRO MARCADO
Eu havia estragado tudo naquele dia. Roubei um pão. Era tão pequeno… Sentia fome, mas havia outras maneiras: oferecer-me para trabalhar, pedir ajuda, qualquer coisa menos aquilo. Roubei aos oito anos de idade — e nunca mais parei.
Sabia que não era certo. Sentia-me mal todas as vezes que roubava. Era pesada aquela palavra: roubo. Não sei por que me incomodava tanto, mas incomodava. Quando fui deixado na rua por meu pai — algo que eu não entendia — encontrei um grupo de crianças que roubava. Quem não roubasse, não comia. Roubávamos bolsas, relógios, pulseiras e carteiras.
Aos doze anos, depois de quatro vivendo assim, aquilo já me parecia normal. Mas não deixava de me incomodar. Eu sempre me perguntava por que não tinha casa, pais, família ou escola.
Os carros passavam, e eu me encantava. As casas maravilhosas eram a visão dos meus sonhos. No entanto, eu não tinha nada, a não ser a larga liberdade: todas as ruas eram minhas, aquela vastidão de céu me pertencia. Eu não tinha ninguém, e ninguém tinha a mim. Mas eu queria outra vida. Sempre pensava: por que é assim? O que posso fazer?
Não sabia quem poderia me ajudar. Uma voz me disse: “Deus.” E onde procurar Deus? Na igreja, não — de lá eu já tinha sido expulso por estar muito sujo. “Procure no seu coração”, a voz insistia. “Talvez no centro da dona Dalva. Ela, além de dar comida, sorri e chama você de filho.”
Cheguei lá naquele dia sem saber exatamente por quê, com o coração acelerado. Dona Dalva montava um lindo vaso de flores amarelas. Eu disse:
— Bom dia.
Ela sorriu:
— Bom dia, meu filho.
— Posso falar com a senhora?
— Claro, meu filho.
Então perguntei:
— O que é Deus?
Ela respondeu com calma:
— A pergunta é outra: quem é Deus? É o Pai de todos nós, o mais generoso que existe. Aquele que mais nos ama.
Perguntei:
— Então por que Ele me abandonou tão pequeno? Não sei trabalhar, as pessoas me expulsam e têm medo de mim. E quando roubo, a polícia vem atrás. A senhora acha que Deus ama todos iguais?
Ela respondeu:
— Tenho certeza. O que Ele espera é que Seu filho retorne a Ele, em qualquer situação.
Depois ficou em silêncio por um instante e disse algo que me atravessou:
— Olhando de fora, parece que você é apenas vítima. Mas a vida é mais longa do que um único dia. Já foste alguém que teve pais carinhosos, conforto e oportunidade. Jogaste fora o que tinhas, foste mesquinho quando podias ter ajudado. A aprendizagem não retrocede. A vida continua.
— Mas como vou fazer isso? Sou apenas um menino. Amanhã acho que faço doze anos.
Ela sorriu:
— Não subestime a sabedoria do Pai. Você voltou para casa. Estou há anos à sua espera. Cuidarei de você como um filho muito amado, e você cuidará de mim como uma mãe muito amada. Na verdade, você não tem doze anos. Tem uma eternidade de experiências.
Foi ali que comecei a viver de verdade.
Encontrei uma mãe carinhosa e bondosa, um lar confortável, estudo de qualidade. Trabalhei muito e me tornei um adulto bem-sucedido, como ela dissera tempos atrás.
Abri um abrigo para crianças. Por muitos anos tirei meninos das ruas. Amei-os e cuidei deles como um pai.
E quando, já velho, parti e cheguei ao outro lado, encontrei Dalva — minha mãe — que me disse:
— Compreendeu? A vida continua, e Deus não abandona Seus filhos. Ele é seu Pai.
A democracia é um sistema quase perfeito. Para sê-lo, falta apenas o povo esperar o dia das eleições para escolher seus representantes e não fazê-lo antes.
Hoje foi um dia quente, desses meio sufocantes, ainda que minha mente estivesse serena e até mesmo otimista, como quem vê um eclipse e enxer a parte do sol não encoberta. Ao longo do dia, usei a linguagem com força e ironia. A ironia é uma ferramenta útil, porque desconstrói a seriedade de uma linguagem linear. O desejo ficou em segundo plano, pois o calor impedia certo sentimentalismo. Não houve cansaço, houve uma busca incessante pela verdade, enquanto meu corpo transpirava suor. Se minha mente fosse uma paisagem talvez seria o mar e sua dimensão, enquanto eu ficava na areia fatigado pela alta temperatura do clima. Eu poderia entrar no mar, mas o sol gerou uma apatia paralisante. Eu já desisti de ser entendida. Meu comportamento é gentil e educado, mas minha mente é um vulcão em erupção. E eu já estou acostumada com labaredas de fogo, com um sorriso meigo nos lábios. Não que eu minta. Não que eu finja. Apenas não me explico com dez minutos de conversa. E me vejo em uma biblioteca folheando livros, com a calma de um pássaro que constrói seu ninho. Poderia estar em uma floresta e esquecer o homo sapiens por alguns instantes. Mas volto à civilização, porque esqueci de colocar uma vírgula em um texto qualquer. Não sou ruína, sou construtora de mundos, nos dedos ágeis do meu pensamento, no fluxo psicológico de minha mente. Pensamento puxa pensamento, às vezes um, às vezes múltiplos. E eu aguento, porque não sou capaz de não ser eu mesma, e minha sinceridade e transparência assusta como um urso que saiu do estado de hibernação. Eu não me movo. Na poltrona em que me sento viajo além. Apenas olho o mundo com uma frieza que meu sorriso desmente. Uma palavra que me define seria sincronicidade, pois me nego a acreditar que a existência seja aleatória. Ainda acredito em significados e me alimento de vagas ideias, já que o mundo não me dá certezas nenhumas. Sou uma mulher doce. Quem me vê talvez pense que sou domesticada, mas larvas de fogo escorrem pelos meus olhos, um jeito mais quente de decifrar a vida. Creio no ser humano, mas não em todos. Penso na massa que trabalha com seriedade, enquanto a elite do mundo elabora altos níveis de persevidade. Sinto medo da maldade humana e me escondo de olhares, em minha impotência de cidadã comum. E me agorro em Deus, última potência de salvação em um mundo comprometido com sociedades secretas sádicas e cruéis, de tal forma que me deixa horrorizada, em estado de choque. A minha alegria está no cidadão comum, que come o pão fruto do seu trabalho pesado. Penso se haverá esperança no mundo e me recuso a ter filhos. Minha vida caminha isolada e silenciosa. Meu silêncio diz mais que a palavras, porque é denso, pleno de palavras não ditas. Se eu falasse certamente seria desacreditada e me canso antes de dizer. Estou lúcida e a loucura me visita de tempos em tempos. A lucidez dói, porque escancara o real para mim. E tenho que lidar com uma sociedade corrupta e vendida. Minha vontade seria nunca mais falar. Não articular palavras. Mas dou bom dia, boa tarde e boa noite, com um sorriso melífluo, enquanto escubro uma hemorragia interno. E meu peito sangra pelos inocentes, que morrem sem saber porquê um dia nasceram. Nada posso fazer, apenas como formiguinha, acreditar na Educação como agente de transformação pessoal e social. Eu acredito em Deus.
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