Palavra Sábia
Perguntou-me como foi meu dia,
Sem saber o que dizer, fui viver uma fantasia.
Onde vivíamos felizes depois de um longo dia,
E você se reclinava sobre meu colo, me trazendo nostalgia.
O problema é que alguns atores não sabem mais sair de cena. Estão tão habituados à encenação que o palco virou identidade.
E quem espera por autenticidade, sangra em silêncio na plateia.
A boa convivência com a solidão é um namoro apaixonado de você com você mesmo. Não saber lidar com a solidão, é na verdade, ser mais interessado na vida do outro do que à própria vida.
Nhe’ẽ da Terra
Nhanderuvuçu, em sua antiga sabedoria,
destruiu para que a vida pudesse nascer de novo.
Os povos originários sempre souberam:
uma árvore não é madeira,
é nhe’ẽ em pé,
palavra que respira no corpo da terra.
Mas os que se dizem donos
não ouvem o nhe’ẽ da terra.
Criam para destruir,
desmatam a mata e, sem perceber,
matam também o espírito.
Ñande Ru não está longe,
está no canto do colibri,
na língua que ainda canta
e mantém viva a memória da terra.
Os teko porã vieram primeiro,
não como donos,
mas como lembrança viva
de que a terra fala
muito antes de termos ouvido.
Mas os que se chamam proprietários
apropriam-se sem escutar.
Secam o rio que dá de beber,
matam o rio que pede existir
na sua sede de seguir.
Quem não escuta o nhe’ẽ da mata
caminha com corpo,
mas o espírito se perdeu no vento.
Sabem, no fundo da noite,
que destruir a mata
é silenciar o idioma do mundo.
E quando derrubarem até a última palavra,
não morrerá um corpo apenas,
mas um modo inteiro de ser na vida.
E se essa visão se apagar de vez,
o que restar do mundo
será somente casca.
Tudo tem vida,
inclusive a luz
quando ela está tão distante
que não sabe mais de onde veio
ela desaparece,
como tudo no Universo.
Quando não entendes é melhor perguntar
A não ser que não queira saber
Quem tem medo da pergunta talvez tenha medo do não saber
E quem tem medo do saber? O que faz este temer?
Ah, vento amigo, me leva contigo,
onde o silêncio sabe cantar.
No sopro do sonho, o elo é antigo —
dois lados do vento, voltando ao mar.
O som e o silêncio sucedem a luz, a sabedoria antecede os três, o sucesso brota dos quatro, a sensatez esta para os cinco, o justo recebe os seis e Deus controla os sete.
Saber esperar é ótimo, mas a paciência se torna uma arte quando esta se encontra no ato de correr atrás.
A Suprema Sabedoria e a boa mulher tem 3 (três)
pontos em comum:
a) Se quiser conquista-las, seja paciente.
b) Se quiser preserva-las, conquiste-as todos os
dias.
c) As ambas jamais serão entendidas por completo.
A Sabedoria é como uma mulher: se você a entender bem, verás que ainda falta muito para conquista-la.
