Palavra Sábia
Sabe, às vezes um defeito pode tornar alguém ainda mais belo. Como a Cindy Crawford e sua altura, por exemplo.
Não me aproximo porque, veja bem, sabe lá quem habita a tua solidão. Hesito. Recuo. Me afasto tristíssima. E te imagino em poses e sorrisos, voz grave e cabelos desgrenhados, preso nas minhas fantasias mais loucas e movimentadas. Numa delas sou um bichinho invisível, com asas, que adentra tua casa e te observa em segredo. Faço o contorno do teu corpo todo com os olhos, parada contra a parede do teu quarto, imóvel, enquanto tu te atiras na cama. Cansado. Tu olhas para o teto imaginando mil coisas, memórias, compromissos, desejos, saudades. Te fito com dor. A luz do abajur faz sombra na tua pilha de livros, que folheei um dia e quis pedir emprestado mesmo sabendo que não havia intimidade para pedidos. Por razões que desconheço, nossas aproximações foram sempre pela metade. Interrompidas. Um passo para a frente e cem para trás. Retrocessos. Descaminhos. Procuro sinais de algum amor teu. Vestígios de noites passadas. Tu não me vês, estou incógnita a te observar. Como sempre estive, olhando pelas janelas, de longe, coração apertado. Nós poderíamos ser amigos e trocar confidências. Assistiríamos a filmes, taça de vinho nas mãos, e tu me detalharias as tuas paixões e desatinos. Nós poderíamos ser amantes que bebem champanhe pela manhã aos beijos num hotel em Paris. Caminharíamos pela beira do Sena, e eu te olharia atenta, numa tentativa indisfarçável de gravar o momento e guardá-lo comigo até o fim dos meus dias. Ou poderíamos ser apenas o que somos, duas pessoas com uma ligação estranha, sutilezas e asperezas subentendidas, possibilidades de surpresas boas. Ou não. Difícil saber. Bato minhas asas em retirada. Tu dormes, e nos teus sonhos mais secretos, não posso entrar. Embora queira. À distância, permaneço te contemplando. E me pergunto se, quem sabe um dia, na hora certa, nosso encontro pode acontecer inteiro. Porque tu és o único que habita a minha solidão.
O amor tem limites. Nós sabemos disso. Nós os derrubamos, os levantamos, e os derrubamos de novo. Mas precisa ser desse jeito? Não podemos aprender? Não podemos ser corajosos? Não podemos acreditar? Porque talvez seja tudo que precisamos – um pouquinho de coragem, um pouquinho de esperança, acreditar um pouquinho. Talvez não existam limites se escolhermos não vê-los. Talvez o amor seja ilimitado se nós formos corajosos o bastante para decidir que o amor não tem limites. Talvez haja felicidade suficiente para todos. Ou talvez… me dê um minuto.
É um sinal de graça que reconheçamos nossas necessidades de graça. Aquele que sabe e sente que se encontra em trevas possui alguma luz. O próprio Senhor tem feito uma obra de graça no espírito que é pobre e necessitado, e que treme ante Sua Palavra; e essa é a obra que contém a promessa, sim, a segurança da salvação; pois o pobre de espírito já possui o reino do céu, e ninguém o possui a não ser aqueles que possuem a vida eterna.
Eu já me conformei em saber que nem sempre vou ter você do meu lado. Mas eu não me conformo em saber que mesmo após você ter partido, eu ainda vou ter que viver com você vivendo em mim.
Os amigos se entedem até mesmo em pensamento, basta um simples olhar, ou um sorriso, pra saber o que o outro está pensando!
Não há dúvida de que é inútil e prejudicial lamentarmo-nos perante o mundo. Resta saber se não é igualmente inútil e prejudicial lamentarmo-nos perante nós próprios. Evidentemente. De fato, ninguém se lamentará perante si próprio, a fim de se incitar à piedade, o que nada significaria, dado que a piedade é, por definição, o voluptuoso encontro de dois espíritos. Para quê, então? Não para obter favores, porque o único favor que um espírito pode fazer a si próprio é conceder-se indulgência, e toda a gente percebe quanto é prejudicial que a vontade seja indulgente para com a sua própria e lamentável fraqueza.
Resta a hipótese de o fazermos para extrair verdades do nosso coração amolecido pela ternura. Mas a experiência ensina que as verdades surgem apenas em virtude de uma pacata e severa busca, que surpreende a consciência numa atitude inesperada e a vê, como de um filme que parasse de repente, estupefata, mas não emocionada.
Cesare Pavese, in O ofício de viver
Quando o guerreiro sabe que sua alma é sua espada ele entende o mistério da vida. Quanto mais poderosa e forte é sua alma mais afiada e poderosa é sua espada perante seus inimigos. A batalha que temos que vencer nunca foi fora de nossas almas.
Homem que é homem, sabe como tratar uma mulher.
Não pensa só nele, e não quer levar apenas para o motel. Leva para dar uma volta num teatro, numa praia, num shopping, ou até em uma festinha.
Ele pensa em fazê-la feliz, em ser uma ótima companhia, e até mesmo em levar para lugares tranquilos, onde possam estar sozinhos e felizes somente com a companhia, um do outro.
Ser puro não é ser santo, ser puro é ter nos olhos a inocência e nas atitudes a meiguice de saber e ensinar a amar.
Tenho aquela pressa boba de ser feliz, mas até pra isto eu tenho que saber esperar, eu tenho que acreditar em Deus, eu tenho que ter fé bonita e coração leve, eu tenho que ter paz, eu tenho que caminhar sem me afobar, eu tenho que viver sem querer retroceder, porque a felicidade minha gente, é coisa simples, mas não existe se a gente não crer...
Se nunca ficássemos doentes, não saberíamos o que significa a saúde. Se nunca tivéssemos fome, não experimentaríamos a agradável sensação de saciá-la depois de uma refeição. Se nunca houvesse guerras, não saberíamos o valor da paz, e se nunca houvesse inverno, não poderíamos assistir a chegada da primavera. Tanto o bem quanto o mal são necessários ao todo.
Te amarei eternamente ainda que você não me ame jamais. Pois amar verdadeiramente é amar por saber que tu existes.
Ninguém é digno da sabedoria se não usar suas lágrimas para irrigá-la.
