Palavra Alma
A dureza da separação me forçou a parar de ser um cientista e a me tornar um aprendiz da alma. Deixei de analisar o problema para sentir a solução, que reside na entrega simples e desarmada. Se ninguém disse que seria fácil, então a glória está em enfrentar o desafio, voltando para o que realmente importa, a essência.
A alma encontra o próprio porto na vertigem do teu afeto, onde o tempo, que para todos corre, por nós se curva e multiplica a graça. Meu coração, antes inquieto, desarma e se rende ao teu cheiro, pois o que quase ninguém vê é o segredo que o teu toque descasca, e no teu beijo, o corpo vai sem medo, entregando-se inteiro à certeza de ter amado te ver.
Todos clamam por um tempo a sós, um ritual sagrado para recalibrar a alma e reajustar o mapa interno. Mas há uma linha tênue entre o cuidado e a autossabotagem, o isolamento excessivo não cura, apenas congela a ferida e nos faz esquecer que o calor nasce do atrito de duas presenças.
A saudade existe porque a alma não
esquece o que foi verdadeiro, ela dói, mas também afaga, e eu aceito essa dualidade
com maturidade, pois amar sempre
deixa marcas.
Minha alma já quebrou tantas vezes que virou vitral, fragmentos coloridos, montados com fé, iluminam quem chega perto.
A beleza autêntica não é a luz projetada, mas a luminescência residual da alma que se aceitou na escuridão mais funda, o brilho não vem da aclamação do palco, mas da fornalha interna do autoconhecimento.
A verdade é um corte cirúrgico doloroso, mas a mentira é o câncer lento que necrosa a alma em prestações, prefira a dor aguda e limpa da revelação ao sofrimento crônico e paralisante da ilusão.
O amor-próprio é o alicerce mais antigo da alma, o único lar seguro e o primeiro ritual ao cruzar essa soleira é o perdão visceral que demola todas as acusações.
Puxe o ar até o fundo da alma, que o caos ululante do mundo seja um som distante, pois seu peito é um santuário autônomo onde a tempestade externa não tem permissão para entrar.
A alma é a verdade nua que não conhece o ardil nem a mentira, o corpo é o mensageiro de carne que, através da dor e do prazer, é forçado a traduzir sua fala. É preciso aprender a escutar o corpo para compreender a linguagem da sua essência mais profunda.
A alma não se revela nos dias de glória, mas nos instantes em que nenhum aplauso existe para sustentá-la. É no silêncio onde a verdade surge sem maquiagem, expondo as rachaduras que insistimos em esconder. Só na nudez da vulnerabilidade percebemos o tamanho do peso que carregamos. E às vezes, o maior milagre é continuar caminhando mesmo sem saber para onde ir.
A alma tem caminhos que nenhum mapa traduz. Ela se curva, se esconde, se revela apenas a quem tem coragem de vê-la sem filtros. E quando finalmente se mostra, não apresenta beleza, apresenta verdade. E a verdade, essa sim, cura e fere ao mesmo tempo.
Há dias em que a alma parece uma casa sem teto: tudo entra, tudo molha, tudo desaba. Mas mesmo nas ruínas, algo dentro pede reconstrução. E esse pedido é prova de que a esperança, embora pequena, ainda respira. Respira fraco, mas respira.
Meu corpo já desistiu muitas vezes, mas minha alma nunca. Ela conhece caminhos que a dor não alcança. E quando tudo parece perdido, é ela que me puxa de volta ao fôlego. Esse fôlego é Deus, o resto é sobrevivência.
A luz intensa do farol feriu meus olhos, dividindo a noite e revelando a verdade nua de dez mil almas emudecidas.
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