Pai Nao Entende nada
"A pior sensação não é ser deixado para trás, mas perceber que o carinho de alguém tinha prazo: terminava exatamente onde acabava a sua utilidade."
Há momentos em que percebemos que o maior presente da vida não é ter um teto, mas encontrar um lar onde somos acolhidos, respeitados e amados de verdade. É nesse lugar que a alma volta a florescer.
Talvez seja o tempo da despedida.
Não porque o afeto tenha morrido, mas porque tudo o que é vivo conhece a hora de partir. Há encontros que nos transformam, e despedidas que apenas revelam que já não somos os mesmos. Permanecer, às vezes, é negar o movimento da vida; partir, por vezes, é a forma mais silenciosa de honrar o que foi. Afinal, despedir-se não é apagar a história, mas permitir que ela encontre seu lugar na memória.
"A cruz não foi o fim de Jesus, mas o início da esperança para os que seriam chamados filhos de Deus."
Professor ensina para aprovar e não para reprovar o professor ensina para aprender e não para certificar-se que não aprendeu.
A esperança na volta de Jesus não nos convida à espera passiva, mas a uma vida de fé, amor e fidelidade. Quem crê em Sua promessa procura honrá-Lo em cada atitude de hoje.
Não sabemos o dia da volta de Jesus, mas sabemos como devemos viver até lá: com o coração firmado em Deus e as mãos dedicadas ao bem.
“Quando uma mulher perde o respeito pelo marido, não precisa gritar para enfraquecê-lo; basta tratá-lo como incapaz, tomar suas decisões por ele e construir diante dos outros uma imagem negativa de sua pessoa. A filosofia nos lembra que quem tira do outro a autonomia acaba destruindo não apenas sua autoridade, mas também a própria relação que pretendia sustentar.”
O Novo Mundo não passa de um mar de promessas onde cada alma busca sua própria ilha, sem notar que o silêncio de Roanoke é o eco do nosso eterno desejo de desaparecer, apenas para recomeçar no instante em que nasce uma nova Virgínia.
Reno Fioraso
Para que lutar, se já não há alento
que avive a chama exânime do peito,
nem esperança que, por entre as ruínas,
ouse novamente florescer?
Tudo se foi.
Assim como a derradeira claridade
se desfaz no ocaso,
quando o Sol, fatigado de iluminar os homens,
recolhe seus derradeiros fulgores
e entrega os céus à cólera da tormenta,
também em mim se extinguiu a luz.
E aquele astro, outrora tão fulgente,
que entre miríades de estrelas
resplandecia como um presságio divino,
já não derrama sobre mim
sequer um tênue vestígio de sua luz.
Vejo-o ainda —
perdido na vastidão celeste,
além dos confins de meu alcance —
mas tão distante,
tão inexoravelmente distante,
que nem mesmo o desejo
poderia transpor a abóbada que nos separa.
Não há mais alvorecer.
Não haverá a brisa amena
das manhãs em que a própria natureza
parecia entoar cânticos de júbilo.
Não haverá o orvalho sobre as flores,
nem o perfume das matas despertando,
nem o canto das aves anunciando
o nascimento de um novo dia.
Tudo se foi.
E as folhas que outrora verdejavam
sobre os ramos da existência
agora se desprendem, uma a uma,
ao sopro inclemente do outono.
Caem.
Silenciosas, pálidas, desprovidas de seiva,
arrastadas pelo vento cruel
que as conduz para um solo sem memória.
Assim também definha o meu ser.
Pouco a pouco,
a derradeira clorofila de minha alma
abandona aquilo que ainda resta de vida;
e aquilo que outrora fora verde,
viçoso e pleno de seiva,
torna-se pálido, quebradiço e estéril.
Já não sou árvore.
Sou o que dela restou
depois que o inverno passou.
E busco, ainda,
nas profundezas obscuras da terra,
algum vestígio de minhas antigas raízes;
um fragmento sequer daquilo que fui,
uma memória adormecida sob o solo,
uma centelha que me restitua
ao princípio de minha existência.
Mas nada encontro.
Nem o néctar mais sublime
destilado do seio da Mãe Natureza,
nem a seiva primordial
que alimenta os troncos milenares,
nem o sopro fecundo que desperta
as sementes sepultadas no ventre da terra
seria capaz de devolver-me ao caule.
Porque há um instante
em que até as raízes esquecem a terra.
E quando isso acontece,
não existe primavera que possa restaurar
aquilo que a própria existência condenou ao fim.
Assim permaneço:
ignoto entre os homens,
estranho até para mim mesmo,
sem aurora, sem primavera, sem raízes,
condenado a contemplar de longe
a luz que um dia me pertenceu.
E talvez esta seja a mais cruel das mortes:
não morrer quando a vida abandona o corpo,
mas permanecer vivo
quando já não existe em nós
lugar algum
onde a vida possa retornar.
Há um vinho perdido, soterrado num fiapo de névoa fora da criação.
Não é uva, não é sangue é memória de um tempo anterior ao tempo.
Os astrólogos disseram que quem o encontrar sentirá o gosto de tudo que já foi sentido.
E também o que jamais deveria ser.
Os reinos em guerra não o buscam por sede, mas por fome de trono.
Querem o cálice, não o conteúdo.
Querem ser os que ditam o silêncio.
Não beberão, mas farão com que outros se curvem ao aroma.
Parar não é desistir
Parar não significa desistir.
Silenciar não significa ter medo.
Voltar, muitas vezes, não significa retroceder.
Esconder-se não significa fraqueza.
E fugir, às vezes, é necessário.
Somos tendenciosos a acreditar que tudo isso é sinal de alguém que nasceu sem crédito, sem coragem ou sem força para continuar.
Mas nem sempre é assim.
Às vezes, parar é respirar.
Silenciar é preservar-se.
Voltar é reconhecer que o caminho precisa ser outro.
Esconder-se é proteger-se.
E fugir é ter sabedoria para entender que nem toda batalha merece ser enfrentada.
Porque desistir é abandonar o propósito.
Recuar, às vezes, é apenas ganhar forças para voltar ainda mais forte.
Há pessoas que chegam à nossa vida como quem acende uma luz que nunca mais se apaga. Não entram para mudar tudo com estrondo, mas com a simplicidade firme de quem traz uma bondade verdadeira.
With you, eu descobri que a verdadeira coragem não é a ausência do medo, mas sim a certeza de que existe uma mão segurando a minha para enfrentarmos qualquer coisa juntos. Você me deu a segurança de ser exatamente quem eu sou, me abraçando com todas as minhas falhas e virtudes.
_Enzo Ruchell_
napoli.
Eu ainda não conheço Napoli.
E talvez seja justamente por isso que Napoli tenha conseguido existir tanto dentro de mim.
Antes de conhecer uma cidade, a gente inventa uma versão dela. Junta fotos, histórias, músicas, filmes, partidas de futebol, prédios antigos, ruas que nunca atravessou e um mar que só conhece pela tela. Vai montando, aos poucos, um lugar que talvez nem exista exatamente daquele jeito.
Mas existe Napoli.
Pelo menos a Napoli que eu imagino.
Napoli, para mim, começa antes do avião pousar.
Começa naquele instante em que eu imagino sair de algum lugar e simplesmente caminhar sem saber direito para onde estou indo. Napoli sendo o nome das placas, o idioma nas conversas, as roupas penduradas entre os prédios, o barulho das pessoas atravessando uma rua estreita enquanto alguma janela permanece aberta.
Eu imagino Napoli assim.
Imperfeita.
Viva.
Um pouco suja, um pouco caótica, um pouco triste.
Bonita justamente porque não parece estar preocupada em ser.
Napoli não é uma foto que eu quero visitar.
É uma sensação que eu quero descobrir se existe.
Eu penso em Napoli e penso no Vesúvio.
Não pelo vulcão em si, mas pela ideia de uma cidade inteira vivendo diante de alguma coisa que poderia destruí-la e, ainda assim, acordando todos os dias para continuar.
Isso me fascina.
Talvez porque eu goste de lugares que carregam uma ameaça sem precisar falar sobre ela.
Napoli parece ter alguma coisa disso.
Uma cidade que sabe que o chão pode tremer, que o passado pode voltar em forma de cinzas, que o mar pode guardar histórias demais, mas que ainda assim existe café pela manhã, futebol à tarde e gente voltando para casa à noite.
É assim que eu imagino Napoli.
Não como um paraíso.
Como um lugar humano.
Eu imagino o futebol em Napoli quase como uma religião antiga. Imagino o nome de Maradona ainda atravessando paredes, camisas, conversas, crianças que talvez nem tenham nascido quando ele jogava, mas cresceram ouvindo que houve um homem que fez uma cidade acreditar em alguma coisa.
E talvez seja isso que eu procuro quando penso em Napoli.
Não uma cidade perfeita.
Uma cidade que acredita.
Napoli acredita no futebol.
Napoli acredita no mar.
Napoli acredita na própria história.
Napoli acredita até nas próprias contradições.
E talvez eu queira acreditar também.
Às vezes penso em como seria estar em Napoli sem ter nada para fazer.
Sem roteiro.
Sem obrigação.
Sem aquela pressa de transformar cada lugar em foto.
Só estar.
Sentar em algum lugar e observar uma cidade que eu passei tanto tempo imaginando finalmente existir na minha frente.
Talvez eu olhasse para o Vesúvio.
Talvez para o mar.
Talvez para uma rua qualquer.
E provavelmente pensaria:
"Então era isso que eu estava tentando imaginar."
Mas existe uma coisa ainda mais bonita em não conhecer Napoli.
Eu ainda posso sonhar.
Ainda posso colocar em Napoli tudo aquilo que procuro no mundo.
A possibilidade de recomeçar.
A sensação de estar longe o suficiente para ouvir meus próprios pensamentos.
A liberdade de ser desconhecido.
A melancolia de perceber que uma vida pode caber em outro lugar.
Eu não sei se Napoli é assim.
Talvez não seja.
Talvez eu chegue lá e descubra que algumas das coisas que inventei nunca existiram.
Talvez o café seja apenas café.
Talvez as ruas sejam mais barulhentas do que bonitas.
Talvez o Vesúvio não pareça tão imenso.
Talvez Napoli não tenha nada da Napoli que eu criei.
E tudo bem.
Porque existe uma beleza estranha em desejar um lugar antes de conhecê-lo.
Você começa a construir uma casa dentro de uma cidade onde ainda não colocou os pés.
Napoli é essa casa, por enquanto.
Uma casa imaginada.
Um nome repetido.
Napoli.
Napoli.
Napoli.
Como se repetir fosse uma maneira de aproximar.
E talvez um dia eu chegue…
Talvez eu desça do avião, respire aquele ar pela primeira vez e perceba que a cidade real é completamente diferente da cidade que construí na cabeça.
Mas talvez, no meio de alguma rua qualquer, com o Vesúvio aparecendo ao longe e o mar existindo onde eu só conhecia por fotos imaginárias, eu entenda uma coisa
Alguns lugares a gente visita pela primeira vez duas vezes.
A primeira é quando chega.
A segunda é quando percebe que passou anos sonhando com aquele momento.
E quando esse dia chegar, eu não vou querer que Napoli seja exatamente como imaginei.
Vou querer apenas olhar para ela e pensar:
Napoli.
Então era você.
A cidade que eu conheci antes de chegar.
“O que você tem para fazer, faça hoje, porque o hoje é vivo; o amanhã não existe, ainda vai nascer.”
