Pai Nao Entende nada

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Não confunda minha resistência com força. A força busca a vitória, a resistência só quer sobreviver a mais uma noite.

Minha escrita não busca o aplauso da plateia, mas o reconhecimento silencioso de quem lê e pensa: "eu também habito esse deserto".

Meu maior pavor não é a morte biológica, mas a morte sensorial: tornar-me um autômato que executa rotinas sem habitar a própria alma.

A vida é um mestre severo: ensinou-me que amar não retém ninguém e que promessas são apenas palavras ao vento.

A escrita não é para o mundo, é para mim. Se eu não colocar no papel, o que sinto acaba por me implodir.

Não sou um objeto quebrado, sou uma obra em reforma perpétua, tentando alinhar as peças enquanto o chão ainda treme.

Escrever é o meu método de hemorragia controlada: deixo sair a dor para que ela não me mate por dentro.

Não ostento força, ostento permanência. Com tudo o que já me convidou ao fim, o fato de eu ainda estar aqui é meu maior feito.

Minha trajetória não é estética, é ética. Há uma beleza ferida na honestidade de assumir que nem tudo está bem.

Sou um pedido de socorro que se transmutou em literatura para não ser um fardo e, assim, garantir sua própria sobrevivência.

Sigo. Não por coragem heróica, mas por uma teimosia visceral que me impede de aceitar o ponto final antes da hora.

Meu coração não conhece a economia do afeto, ele quer o inteiro, a verdade absoluta, e quase sempre recebe o troco em ausência.

Exauriu-me a tarefa de legendar minha dor para quem não sabe ler sentimentos. Prefiro o silêncio de quem escreve.

O vazio não se preenche, se integra. Com o tempo, ele deixa de ser um buraco e passa a ser a mochila que você aprendeu a carregar.

Não escolhi a resiliência, ela foi a única saída em um cenário onde a fragilidade era punida com o esquecimento.

Guardo um amor que perdeu o destinatário. Como não teve onde pousar, virou peso, virou verso e, por fim, virou parte de mim.

Nas madrugadas, as máscaras descansam. Sou apenas eu, meu cansaço e a verdade crua que o dia não suportaria ver.

Há um cansaço que não se cura com o sono, uma espécie de ferrugem silenciosa que começou nos meus ossos e agora dita o ritmo lento do meu sangue.
Viro os bolsos da alma e só encontro os restos de quem eu prometi ser, enquanto o silêncio da casa se torna um inquilino que não paga aluguel e ocupa todos os cômodos.
Escrevo para não ter que gritar contra as paredes, mas as palavras saem como estilhaços de um vidro que eu mesmo quebrei, cortando a garganta antes de ganharem o ar.
O tempo aqui dentro não corre, ele sangra, transformando cada lembrança num peso morto que eu insisto em carregar como se fosse um troféu ou uma condenação.
No fim, sobra apenas esse corpo que é um mapa de lugares onde ninguém mais quer morar, e a triste certeza de que a solidão é a única coisa que nunca me deixou pela metade.

Atravessando o rio gélido de um destino não tão bonito, em uma velha jangada, anunciando sua trajetória lenta, pesada, tocando um sino enferrujado, com seu som abafado, como se estivesse submerso, sendo afogado, feita de almas atormentadas, cheias de dor, pelo fundo pedregoso, margens lamassentas e ao horizonte, não existem margens, o rio não se finda e o céu, baixo e cinzento, curva-se como um teto prestes a ruir, comprimindo o ar nos pulmões já cansados, a corrente não conduz, apenas arrasta, e cada braçada é um adeus ao que ficou para trás, enquanto a jangada range, como se soubesse que não há porto, não há farol, não há terra firme, apenas o curso interminável dessa água fria que não acolhe, não absolve, não esquece. E assim sigo, não por esperança, mas por não haver retorno, deixando que o sino continue seu lamento mudo, até que o próprio som se dissolva na névoa, e eu me torne parte do rio que jamais termina.

Não uso a dor como tema, uso como tinta. É a partir dela que desenho os contornos do que ainda resta de mim.