Pai Nao Entende nada

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Creio que, desde muito pequeno, minha infelicidade e, ao mesmo tempo, minha felicidade, foi não aceitar as coisas com facilidade. Não me bastava que explicassem ou afirmassem algo. Para mim, ao contrário, em cada palavra ou objeto começava um itinerário misterioso que às vezes me esclarecia e às vezes chegava a me estilhaçar.

Em suma, desde pequeno, minha relação com as palavras, com a escrita, não se diferencia de minha relação com o mundo no geral. Eu pareço ter nascido para não aceitar as coisas tal como me são dadas.

Meu coração não batia há quase noventa anos, mas isso era diferente. Era como se meu coração não estivesse ali... Como se eu estivesse oco. Como se eu tivesse deixado com você tudo o que havia aqui dentro.

Deslizo pelos dias, tantas comemorações, minha vida esse raio de sol que não cessa.
Já escrevi muita coisa triste, já perdi tanta coisa com resignação e até com destreza.
Agora nem me apavoro, toda dor é só um sopro em meio ao que vislumbro de possibilidades. Criatividade, eu aprendi, é inventar alternativas quando não se tinha. Onde não se via. Por enquanto, só o que tem me preocupado são as novas regras ortográficas, já que palavras compõem meus fatos, meus sonhos, minhas narrativas.
E se eram os hífens que me separavam do meu amor-próprio, tenho tudo que preciso agora: tanto autorrespeito.

Não é que eu não me importe, mas é que às vezes eu me sinto cansada, cansada de tudo. E nesses momentos o melhor a fazer é ficar em silêncio…

Não deixe sua reputação à mercê do acaso ou das fofocas. Ela é a arte da sua vida, e você deve moldá-la, aperfeiçoá-la e exibi-la com os cuidados de um artista.

Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse.

Caos no meio do caos não é divertido, mas caos no meio da ordem é.

O sistema/1

Os funcionários não funcionam.
Os políticos falam mas não dizem.
Os votantes votam mas não escolhem.
Os meios de informação desinformam.
Os centros de ensino ensinam a ignorar.
Os juízes condenam as vítimas.
Os militares estão em guerra contra seus compatriotas.
Os policiais não combatem os crimes, porque estão ocupados cometendo-os.
As bancarrotas são socializadas, os lucros são privatizados.
O dinheiro é mais livre que as pessoas.
As pessoas estão a serviço das coisas.

p. 129

Os índios são bobos, vagabundos, bêbados. Mas o sistema que os despreza, despreza o que ignora, porque ignora o que teme. Por trás da máscara do desprezo, aparece o pânico: estas vozes antigas, teimosamente vivas, o que dizem? O que dizem quando falam? O que dizem quando calam? (Os índios/2, p. 132)


A televisão/2

A televisão mostra o que acontece?
Em nossos países, a televisão mostra o que ela quer que aconteça; e nada acontece se a televisão não mostrar.
A televisão, essa última luz que te salva da solidão e da noite, é a realidade. Porque a vida é um espetáculo: para os que se comportam bem, o sistema promete uma boa poltrona.

p. 149


Nós comemos emoções importadas como se fossem salsichas em lata, enquanto os jovens filhos da televisão, treinados para contemplar a vida em vez de fazê-la, sacodem os ombros.

Os livros não precisam ser proibidos pela polícia: os preços já os proíbem.

(A televisão/3, p. 152)


Pela tela desfilam os eleitos e seus símbolos de poder. O sistema, que edifica a pirâmide social escolhendo pelo avesso, recompensa pouca gente. Eis aqui os premiados: são os usurários de boas unhas e os mercadores de dentes bons, os políticos de nariz crescente e os doutores de costas de borracha.

(A televisão/5, p. 155)

Eduardo Galeano
O livro dos abraços. Porto Alegre: L&PM, 2002.

Olha, não ofereça o que você não tem certeza se pode entregar.

Você acredita em Deus? Não sabia por que, sentia que deveria decidir- se, era uma pergunta que ficara sem resposta, queria sempre poder responder a tudo, estar pronto a ser interrogado, fugir às respostas dúbias, hesitantes, que nada diziam. Olhou pela janela o céu estrelado, a imensidão infinita do céu... Não foi preciso muito para concluir que, sem Deus, jamais chegaria a entender onde o universo começava e onde acabava, de onde vinha ele, para onde iria. Concentrou-se, respirou fundo, e declarou com firmeza:
— Acredito.

Fernando Sabino
O Encontro Marcado

Como escritor você não deve julgar. Você deve entender.

A gente é certo um pro outro, mas é errado pra ficar junto. A gente não se merece, não combina. Mas, sei lá, não parece certo ficar separado. Do mesmo jeito que parece totalmente errado ficar junto. Tem tudo pra dar certo. Mas é que a gente só sabe fazer dar errado.

Você pode ser uma pessoa super charmosa, educada e inteligente, mas se a outra não for equivalente, ela não vai perceber, o quão valioso você é.

O meu coração muda de ideia o tempo todo.
Você é a única ideia que ele insiste em não mudar.

⁠O heroísmo de um dia não superará décadas de egoísmo.

A amizade é a única folha da vida que o vento não leva, a distância não separa e o tempo jamais consegue apagar.

O que você é ecoa em meus ouvidos com tanta força que não consigo ouvir o que você diz.

Não se pode comer o bolo e continuar a tê-lo.

Por que você não consegue perdoar quem te fez mal? Por que você ainda não compreendeu a razão pela qual precisou passar por determinada situação. Você ainda está na posição de vítima, com o dedo apontado para o outro. Porém, por mais que você tenha sido machucado e que o outro esteja realmente errado, somente a autor responsabilidade pode te libertar. Por isso eu te convido a dar um passo adiante: liberte-se da raiva e do sentimento de injustiça, pois isso é o que sustenta a ideia da vitima. Isso é somente um microfragmento da realidade - é apenas uma história. Você não é o corpo e nem o ego. Comece a perguntar "porque precisei passar por isso?". Dessa forma você dá um passo rumo ao real.

O importante não é a situação, mas sim a perspectiva.