Ora
Resposta
Ora que a sua presença
Não é mais promessa,
Ora que ausência
Não me falta,
Vou lhe dar a resposta.
Confesso que não sei
Se por despeito, superação ou
Mero amor às palavras.
Autoestima.
Sou negação do destino.
Planta não cultivada,
Nascida nas entranhas
De pedras brutas.
Preocupações estéticas.
São próprias da minha idade,
Inúteis corridas contra o tempo!
A beleza habita em toda parte,
Na arte, no corpo e no espírito.
Casamento.
O seu estranhamento
Acerca do meu relacionamento
Vem da sua preferência
Pela aparência e pela mentira.
Ansiedade.
A vida é breve,
Amar é urgente.
Quis muito, tive pouco.
Só sei amar bastante.
Rompimentos.
Alguns resultaram
Da proibição do romance,
Outros decorreram
Da sua inaptidão para o amor.
Explosão.
Se num átimo de loucura,
Enviei, em vários idiomas,
As palavras mais feias do dicionário,
Foi porque você delas carecia.
Ora, o tal bichinho chamado amor é capaz de amoldar seus escolhidos a todas as circunstâncias e de obrigá-los a fazer quanta parvoíce há nesse mundo. O amor faz o velho criança, o sábio doido, o rei humilde cativo; faz mesmo, às vezes, com que o feio pareça bonito e o grão de areia um gigante.
Diabo: À barca, à barca, houlá!
que temos gentil maré!
- Ora venha o carro a ré!
Companheiro: Feito, feito!
Bem está!
Vai tu muitieramá,
e atesa aquele palanco
e despeja aquele banco,
pera a gente que virá.
À barca, à barca, hu-u!
Asinha, que se quer ir!
Oh, que tempo de partir,
louvores a Berzebu!
- Ora, sus! que fazes tu?
Despeja todo esse leito!
Companheiro: Em boa hora! Feito, feito!
Diabo: Abaixa aramá esse cu!
Ora pois,
às vezes, as pessoas se empenham em expor o que há de errado em você
porque não podem suportar o que há de correto...
