Olhos Alma
Chega o momento em que tudo muda. Os olhos cansam, a pele enruga, fica flácida, os ossos estalam, as dores aparecem. Surgem os problemas de saúde. Hoje é o seu auge de tudo! E acredite, é muito fácil ser amado no auge. Mas quando a vida para de dar e começa a tirar, será que ainda vai haver amor?
Para que nunca se esqueça que os sorrisos são portas, os olhos são janelas, os sentimentos são as paredes, o amor é a base. E se no final faltar compreensão, que ela seja o telhado.
A inovação é vista como loucura ou errado aos olhos de mentes retrogradas, o novo parece loucura até que seja útil.
Teus olhos castanhos carregam o fim das tardes mortas,
como igrejas vazias depois da última vela apagar.
Há neles um veneno quieto, antigo, quase bonito,
dessas coisas que a gente sabe que ferem
e mesmo assim encosta o peito sem defesa.
Quando me olhas, o mundo perde o barulho,
fica só esse silêncio pesado entre a fumaça e a culpa.
Teus olhos não brilham — eles afundam,
puxam devagar, como rio escuro em noite sem lua.
E eu iria de novo.
Porque há amores que chegam como salvação,
e outros chegam com olhos castanhos
e cheiro de desastre.
A Força das Delicadezas
Visto a armadura moldada no tempo,
mas trago nos olhos a paz do jardim.
Nas grandes batalhas de cada momento,
o vento que sopra não manda em mim.
Busco força onde dizem que não existe,
tiro dos poços a água mais pura.
Se o mundo lá fora se mostra tão triste,
meu peito responde com luz e ternura.
Busco sorrisos em meio às lágrimas,
faço do pranto o meu recomeço.
Escrevo a história em douradas páginas,
pois sei o valor que a vitória tem preço.
Tenho esperança, bem no fim do túnel,
uma centelha que o medo não apaga.
O tempo dos homens pode ser rústico,
mas a fé que eu carrego acolhe e afaga.
Levanto, ainda que seja para cair de novo,
as minhas cicatrizes são feitas de ouro.
Não temo a poeira, o fogo ou o povo,
pois levantar-se é o maior tesouro.
Amo, inclusive aqueles que me odeiam,
pois o ódio é fraqueza, e o amor é poder.
Que as pedras jogadas jamais me fream,
meu dom mais bonito é saber acolher.
Podem pensar que há ingenuidade
neste meu jeito de olhar a vida...
Mas é com pureza e com verdade
que curo a alma que foi ferida.
Não passo por cima, não quebro o afeto,
é na mansidão que o império se faz.
Assim vou moldando o meu próprio teto,
conquistando os meus sonhos, blindada de paz.
----------------- Eliana Angel Wolf
Uma mãe é hábil em ultrapassar os limites da dor para ver os olhos de quem ama e isso é apenas o começo daquilo que ela e capaz.
Só tem um dia abençoado aquele que assim que abre os olhos para o amanhecer de novo dia é grato pelo milagre lindo que é viver.
Senhor, dá-me capacidade para enxergar os milagres que diante dos meus olhos acontecem o tempo todo. Dá-me discernimento para que com sabedoria eu possa desfrutá-los e dá-me humildade para reconhecer em casa um deles a tua infinita bondade.
Há dias em que chove em mim. Nesses dias eu já acordo com os olhos molhados e a alegria completamente alagada, sinalizando que é impossível chegar até ela mas, eu não desisto, coloco uma esperança no olhar e sigo. Logo à frente eu sei que o sol voltará a brilhar em mim e a luz de um sorriso inteiro dissipará essa tempestade que se formou nos olhos meus.
O Reflexo Misterioso entre Olhares
O mistério que reflete dos olhos, como se estivesse diante de um espelho; os mistérios dentro do íntimo, que para o observador, também são mistérios por serem para ele desconhecidos — um misterioso reflexo que quem observa não poderá decifrá-lo. Apenas quem o tem terá a chance de desvendá-lo.
Olho o mundo com os olhos da inocência,
Onde cada detalhe vira poesia.
Viver é um presente sagrado e bonito,
E amar é transbordar essa doce energia.
Sou loba, sou rastro de luz no caminho,
Sou o afeto que acolhe e que abraça o irmão.
Seja bem-vindo ao meu mundo de paz,
Onde a vida pulsa na alma e no coração.
---------- Eliana Angel Wolf
ESPLENDOR DOS IPÊS
Meus olhos lacrimejam pó
Minha garganta seca dá dó
Minhas pernas trêmulas dão nó
No horizonte tênue, cinza e pó
Estamos em agosto, que desgosto!
Estação seca das arvores tortas
Das flores e folhas mortas!
Do céu sem nuvens, descem vendavais
Formam redemoinhos de poeiras infernais
Estalos de galhos soltos criam asas latentes
Balanceiam como peraltas ambulantes
A mercê das correntes constantes...
Olho a imensidão dos eixos Sul e Norte,
Que unem as extremidades das asas do Plano Piloto
Onde carros apressados passam sem perceber
Do seu interior a beleza efêmera e tênue dos Ipês!
O roxo e o rosa enchem as retinas, bonito de se ver,
O amarelo é ouro e atraí abelhas e beija-flores
O branco é o símbolo da paz, que colosso!
A natureza nos brinda com esplendor
O destaque denso e um colorido revelado
Que se escondem na noite de um céu estrelado
E na manhã seguinte, o espetáculo bonito de se ver,
As explosões coloridas dos exuberantes Ipês!
Com os olhos abertos toda mulher se sente em um mundo comum mas, com a luz apagada sentem-se em um lugar encantado, em um mundo só delas.
É preferível ser visto como um "erro" pelos olhos da tradição humana do que ser um erro diante da clareza das Escrituras.
