Olhos Alma
A DOR QUE EU CRIAVA
Por onde olho, vejo o mundo
No espelho refletindo minh’alma
E descrevo sem cortejos:
O que o íntimo do meu ser esbravejava
Era um buraco escuro.
Um palmo de distância separava
Meu corpo do paredão aceso
Que em fogo chamejava.
O que me deixava confuso
Era a incoerência de como ocorria,
Pois, se escuro estava,
Meus olhos não viam,
Mas meu corpo na dor sentia
E sofria a dor que era só minha,
A dor que eu mesmo criava.
Pena que a gente não escolhe
Com quem iremos conviver.
Ainda bem que o mundo é livre,
Junta pessoas para aprender
A dividir o tempo todo
E relacionar-se mesmo sem vontade
Pois, além da nossa compreensão,
Existe um ser divindade.
Alma hipócrita...
Odeio o silêncio que fica quando você vai,
Mas não se engane: não é saudade, é só o ego que cai.
Eu nem gosto de você, nunca houve esse querer,
Eu só nutro um ódio profundo pela sensação de perder.
Adoro o brilho do que é proibido, do que está distante,
O inacessível é meu combustível, meu vício constante.
Repito histórias, ensaio tragédias em grandes encenações,
Um ator medíocre preso em velhas e vãs repetições.
Sou a hipocrisia em carne, osso e falsa memória,
Apago os cortes, as traições, mudo o fim da história.
Esqueço o aço nas costas, o abraço que foi punhal,
E finjo que o veneno que bebi era algo natural.
Mas ei, veja como sou nobre ao assumir meu papel:
Talvez a culpa fosse minha, talvez eu tenha sido cruel.
"Ela sofria", eu digo, criando um álibi qualquer,
Justificando o golpe de quem nunca soube me querer.
Vou seguindo assim, nesse teatro de sombras e farsa,
Acreditando na mentira que o meu próprio peito traça.
É o meu escudo, meu modo covarde de não ver ninguém partir,
Pois se eu me convencer do engano, não preciso mais sentir.
Que a morte me encontre no meio desse labirinto vil,
Antes que eu me apegue a outra alma, antes de outro abril.
Pois é mais fácil esperar o fim, no frio dessa agonia,
Do que admitir que sou o mestre da minha própria hipocrisia.
O Último Relato de uma Alma Ausente
Se estas linhas te alcançam, entenda o meu fim:
Não é que o sopro cessou, ou que o sangue parou de correr,
É que o meu verdadeiro eu sucumbiu dentro de mim,
Cansado de tantas guerras que ninguém pôde ver.
Meus sentimentos partiram há muito tempo atrás, Deixando apenas um corpo oco, uma carapaça vã.
Onde existiu amor, hoje a desilusão é o que jaz,
Em uma mente atormentada que teme o amanhã.
Talvez eu tenha partido em doses de álcool e remédio,
Ou talvez tenha morrido no vácuo de uma escolha qualquer.
Nada faz sentido quando o mundo se torna esse tédio,
E o teu perfume é uma lembrança que o tempo quer varrer.
Tentei acreditar em uma salvação para a alma, Fui hipócrita ao buscar luz no meio do meu breu.
Mas o peso mental roubou de vez a minha calma,
E o que você lê agora já nem ao menos sou eu.
Morri da pior forma: em silêncio e na dúvida,
Sendo cinzas de um incêndio que ninguém tentou apagar.
Resta apenas esta sombra, solitária e desprovida,
De uma vida que se foi antes mesmo de o corpo parar.
Utopia de vida
Pôr do sol.
Laranja no céu.
O mar repete.
Clichê.
É alma na poesia.
Na mesa de café, não.
Estou apaixonado.
E isso falha.
Elegância ao rejeitado.
É o que se espera.
O sol some.
Caminho sem direção.
Arcaico.
A noite cobre.
Nenhum direito ao belo.
Nem estrelas.
Incertezas não rondam.
Atacam.
Frio.
Estranho.
Um riso curto.
Deboche.
Enterro da alegria.
Passos lentos.
Sem destino.
Mais um dia igual.
Eu igual.
Arcaico.
Quis um amor.
Recebi linguagem.
e só.
Quando se confia, abre-se a porta da alma; a decepção nasce quando quem entra não está à altura do lugar que recebeu.
Eu luto contra minha própria alma e a natureza humana que há em mim minha mente luta para entender que voltar ao criador é natural, e é onde a luta começa porque os meus olhos te vê onde não estás , os meus ouvidos te escutam onde não estás, é tão surreal e triste quando noto que são saudades tuas, e a realidade é que já não tem o teu barulho na cozinha, aquela cadeira na sala está sempre vazia, do nada ecoa tua voz na minha cabeça e ainda te escuto gritando me chamando pra comer quando chego em casa, as vezes me perco quando volto tarde e tenho de mudar de janela pra alguém abrir as portas , dói porque entendo com a cabeça mas sangro com o peito.
Poesia
um balé de palavras
para dar voz a alma.
Dançar por cima de letras
entre a compreensão
de si mesma
e a vontade de desabafar.
Coreografia de línguas
para acasalar
numa dança de hiatos e rimas
tentando rimar emoções.
tipo isso
passando a língua em você
e nem percebe,usando verbos
numa linguagem que só eu entendo.
É tudo mais intenso,
os sentimentos mais exacerbados.
A carência mais presente e violenta.
Numa poesia que movimenta emoções
num latejo que se alastra nesta avalanche,do que vive a me consumir.
Até expulsar o coração numa gramática.
Mil sentimentos em folhas de amor.
que deixo ir…
andréa
A dor da alma
é como nenhuma outra
que já experimentou.
Ela arde com tal intensidade
que algo se parte
dentro de você.Morre a arrogância,a fome e toda ganância.Sobra só o medo
e o sofrer. E olhos pedindo misericórdia enquanto a angústia te assola .
Só quem já sentiu
pode entender…
a importância
de um abraço nesta hora.
Andréa
Escória
— Delete-me!
Bloqueie, exclua.
Apague todas as mensagens
desta'alma ferida e nua.
Podre, feito pessoa
jogada no lixo.
Algo sem valor,a toa
que você descarta
por capricho.
E eu, abandonada,
feito alma torta,
sem perceber que você
realmente não importa.
Fico aqui largada,
a escrever desprezada
no vazio de emoções.
A inspiração maltrata,
e viro poeta por capricho...
Sobras de letras, escória,
chorando feito um bicho.
Andréa
Jardim de alma
Algo que sai das entranhas
e assume formas estranhas
que não se sabe denominar.
Em alguns momentos são tormentos,
noutras horas, carne e palavras:
um rasgar e remendar do coração.
Linhas onde enganas
a própria emoção.
E deixa fluir,
até em poesias se esvair
qualquer dor e preocupação.
Algumas coisas são
como ervas daninhas...
Vão crescendo, pequeninas,
dentro da gente.
E tem que arrancar,
folhinha por folhinha,
antes que comecem
a te machucar...
Andréa
ESBOÇO DE ALMA
Pode alguém
almejar a imensidão
dentro de seus sonhos?
Atingir o inacessível...
Escalando muros
de limitações bisonhas
e obrigações,
presa em seus próprios limites
sem vislumbrar o impossível.
Pode alguém ir além...?
Por favor, diga que sim!
Faço das palavras, poesias
que diluo,fios do íntimo sensível
retirando pedras
de seu jardim.
Com tudo o que possuo
dentro de mim.
Andréa
ALMA EM CHAMAS
Carrego dentro de mim um território secreto,
um labirinto que não nasceu do acaso,
mas foi esculpido nas guerras da existência.
Cada curva guarda cicatrizes,
cada sombra revela batalhas.
Quem tenta me decifrar sem profundidade
se perde no eco da própria confusão.
Mas eu não me perco!
Há uma chama que não se apaga,
um amor que pulsa como bússola invisível
e me aponta a direção mesmo na noite mais escura.
Não é fogo comum.
É erupção, é clarão,
é calor que não queima, mas transforma.
Corre em minhas veias como lava viva,
fazendo meu coração bater
num ritmo que o mundo não entende.
Enquanto tantos vagam frios,
perdidos no vazio da própria indiferença,
eu ardo.
Num tempo que rejeita ternura,
numa realidade que tenta me moldar,
eu resisto.
Podem ferir, humilhar, aprisionar,
mas jamais apagarão o incêndio que me move.
Essa chama é imortal.
É farol que rasga a tempestade,
força que me ergue,
alegria que me sustenta.
Eu sigo.
Entre sombras e quedas,
meu passo é firme, minha fé é chama.
Avanço sem recuar.
Porque já compreendi:
a vida só encontra sentido verdadeiro
quando se escolhe amar.
Sentir o amor que jurou pra sempre, não doi .
Oque corta a alma,
é nunca mais sentir o sorriso dos meus olhos ao ver você olhar pra mim...
PauloRockCesar
Escrever é esvaziar o peito encharcando o papel com os sentimentos mais profundo da alma.
A poesia torna -se um berço para os corações cansados.
PauloRockCesar
Frases têm dono. Sentimentos, também. Usar sem nome é vestir alma alheia como se fosse sua.
Janice F. Rocha
Roubar palavras é fácil. O difícil é ter alma pra senti-las e coragem pra escrevê-las.
Janice F. Rocha
