Olhos
Amar em Silêncio
Me sinto em meio a muitos,
mas sozinho no meu ser.
Carrego o medo nos olhos,
de quem só quer viver.
Julgam meu passo, meu gesto,
meu jeito de olhar o céu.
Julgam o amor que ofereço,
sem fronteiras, sem anel.
Não amo só um, amo todos,
sem raça, sem credo, sem cor.
Meu coração é um abrigo,
feito só de puro amor.
Mas o mundo virou tela,
onde o afeto é medido em cliques.
E o amor, tão verdadeiro,
se perdeu entre os likes.
Queria apenas ser visto,
não por filtros ou edição.
Mas por quem sente comigo,
a verdade do coração.
🏛️ O Estoico
por Marcos — escritor e mestre
Caminha sereno o estoico,
com os olhos firmes no agora.
Nada o abala por completo,
pois conhece o valor da demora.
Aprendeu com o tempo e o livro
que o silêncio também ensina,
que a mente é templo sagrado
e o coração, sua oficina.
Não busca o ouro das glórias,
nem o aplauso passageiro;
prefere o brilho do saber,
o pensar simples, verdadeiro.
Quando a dor lhe toca o peito,
ele a acolhe como lição,
pois sabe que toda ferida
lapida a alma e a razão.
Escrever é seu exercício,
seu refúgio e devoção.
Nas palavras, ele encontra
a pureza da contemplação.
Mestre é quem ensina e aprende,
quem cala e ainda inspira,
quem faz da vida uma escola
e do amor, sua maior lira.
O estoico não teme o destino,
nem se perde na ilusão;
vive o instante com firmeza,
sem ceder à confusão.
Marcos — o escritor que medita,
o mestre que busca e ensina —
carrega nas mãos a calma,
e na mente, a disciplina.
As suas conquistas estão bem diante dos seus olhos, basta olhar tudo o que conquistou e sentirá a mágica fluir.
“Os olhos são um livro. Olhando eles, consegues ler se estou triste, se estou a enganar-te, se estou alegre. Leia eles e saberás me entender.”
Menina-Mulher
No rosto, um riso que encanta,
nos olhos, o azul que revela —
uma alma que luta e canta,
mesmo quando a dor se revela.
Carrega vitórias e quedas,
com coragem de quem já cresceu,
mas no fundo ainda anseia
por um abraço que aqueça o seu eu.
Como um pintinho no ninho,
ao fim do dia só quer ternura —
um colo, um carinho, um abrigo,
uma pessoa que diga: “Vai passar, criatura.”
E no silêncio que vem depois,
ela recolhe o que ainda resta —
um sonho, um sopro, uma voz
que insiste: “Você ainda é festa.”
O mundo tem muitas cores
Abra os olhos para ver
O azul é cor do mar
O vermelho, entardecer
Já o verde é a beleza
É planta da natureza
Que nasceu e vai crescer
O que não se pode ver não se descobre com os olhos vendados. Porém, quem tem uma visão que vai além, consegue ver o potencial latente numa pessoa.
Quando abrimos os olhos além do óbvio, percebemos que a vida sussurra milagres em cada detalhe.
A forma como escolhemos enxergar o mundo determina o brilho dos nossos dias.
Podemos viver na escassez do ceticismo ou na abundância do encantamento.
E, quando escolhemos o encantamento, tudo ao redor passa a ter um propósito mais profundo.
Me dê flores em vida
Mostre seu amor de forma que eu possa sentir
Quando fechar os olhos para partir
Não ouvirei suas declarações e nem sentirei o perfume das flores.
Eu vi nos seus olhos lágrimas que marcaram aquele instante e isso molda cada sensação vivida de dor e alegria e as melhores memórias que fiquem intactas (CLÁUDIO SANTOS, 2025).
Hoje meu coração está ferido.
Ferido por não ser notado por você.
Você, com esses olhos castanhos,
faz com que o amor que sinto
se torne infinito,
mesmo que não seja correspondido.
E ainda assim,
eu permaneço aqui,
sabendo que para você
eu sou apenas uma pessoa invisível.
— C.N
O Mapa Invisível
Corremos com os olhos fixos no asfalto, no compasso marcado do relógio, driblando o que parece ser o acaso, fugindo do que foge à nossa lógica.
No piloto automático dos dias, acreditamos ter o leme em mãos, traçamos metas, planos e vias, no esforço vão de evitar o chão.
Mas enquanto a gente foca no desvio, o universo, em seu mutismo atento, tece um novo curso, fio a fio, na velocidade calma do momento.
Sem alarde, sem aviso ou som, a rota antiga ele apaga e transmuta; o que era perda vira um novo dom, o que era queda vira nova rota.
Driblamos o que é urgente e passageiro, sem ver que a vida, sábia e absoluta, já nos levou para o destino verdadeiro, enquanto a gente ainda discutia a luta.
