Olhar

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PERCURSO DO TEMPO


O tempo segue seu caminho,
Sem jamais olhar pra trás,
Carrega sonhos e destinos,
Leva os fortes e os demais.


Hoje somos voz presente,
Nome vivo e conhecido,
Mas amanhã, lentamente,
Seremos quase esquecidos.


Primeiro fica o retrato
Dependurado na parede,
Onde um olhar, vez ou outra,
Mata a saudade que precede.


Depois viramos lembrança
Guardada em velho arquivo,
Entre papéis e memórias,
Num silêncio pensativo.


As histórias vão ficando
Mais curtas a cada ouvido,
Até que reste apenas
Um nome meio perdido.


O relógio não se cansa,
Nem conhece compaixão,
Transforma reis em poeira,
E castelos em chão.


Por fim, seremos um objeto
Que o destino fez sumir,
Como folha levada ao vento
Sem ninguém para seguir.


Mas há quem vença o esquecimento
Sem riqueza ou posição:
Quem plantou amor na vida
Floresce no coração.


Pois o tempo apaga rostos,
Datas, feitos e brasões,
Mas não destrói por completo
O bem semeado em milhões.


Assim percorre o tempo,
Do nascimento ao partir;
E o homem vira memória,
Até memória não existir.


Mas enquanto houver bondade,
Mesmo após o fim da lida,
Algo de nós permanece
Caminhando pela vida.

A mascara esconde a face, mas o olhar revela a intenção da alma.

“É possível ter varias caras, mas só um olhar.”

"Será que Deus se importa com o pecado daqueles que nunca olharam para as estrelas?"

⁠A beleza da vida está no olhar de quem a visualiza.

Mude uma palavra de um poema alheio
Cultivando-a em versos próprio
Ponha-a para tomar olhares


Regue-a compartilhado


Quando olhares neles pousares
Leve pelo açúcar que há
Levará na orelha


Versos


Mude palavras


Cultivando...


Salve a poesia incendiando o pensar


Esse grito queimando
Pede iluminar


Cultivar palavras
Para educar


E não arrancar do
Coração a moral da história


Vai xandão salva a Amazônia


Plant/ e boca é tigela e açaí


(Leonardo Mesquita)

Letras desequietam palavras atraindo o olhar para algo...


Encontrada como em borboletas
cores, pouso, delicadeza e muito mais


Palavras são pétalas de uma frase
na natureza da linguagem


Letras me inquietam; palavras me atrai
tirando uma pétala da palavra poema
põem inquieta


como é as borboletas — o olhar vai
de frase em frase...


Somando beleza a leitura
palavras dão calor à paisagem


Letras são raios de quem sente
encontrada em três letras
sol inquieta


Em três pétalas tem poesia
a arte de contemplar






Leonardo Mesquita

Buum



Risque o olhar na primeira frase
siga a chama que prepara a cena
o pavio de palavras já já quase
oh oh oh oh oh oh oh oh
assim fica a mente após o tamanho
de um poema

Um poema




Não tem tamanho
Não ocupa espaço
Porém fica no olhar
Uma folha de papel molhada pode apagar
Ajuda dá opinião
Mexe na emoção
É uma arma carregada de balas intelectuais
Dessas tantas perdidas na poeira das prateleiras...
Já foi o melhor amigo de gerações
É o melhor amigo da educação
Ele alegra o homem com imaginação
Não morde e quando morde
é palavra no contexto exato
Deixando alguém mais esperto
Ele tem o que nele não cabe
É apenas uma chave
Junta as pistas de um fato
É os cisnes dos patos
Pro alfabeto não passa nem perto do patinho feito
Para as letras ele tem o charme
Se é um poema não me fala de algo alheio
Ele é eu no meio...




Leonardo Mesquita

A experiência do borbulhar de palavras
chamando o olhar ao barulho do silêncio que da mente brota
fluindo frases que leva
o olhar poema afora
com o barulho das palavras
rolando a história
nessa brincadeira agente olha
a água que molha
a garganta da mente
que tagarela corre com a palavra
certa para a frase inquieta
que sem a palavra: puf




Leonardo Mesquita

No ninho do silêncio nascem frases autorais, ponha a palavra no papel
aqueça-a com olhar criativo até a eclosão do verso próprio...
alimente-o com sua voz
deixe-o voar
no pensar que o aprimora...




Leonardo Mesquita

É fácil olhar de fora e dizer o que eu deveria ter feito. Difícil é saber o peso que eu carregava quando precisei escolher.
Você viu minhas decisões, mas não viu as opções que eu tinha, as dores que carregava, as consequências que eu temia, as pessoas que eu tentava proteger, os riscos que precisava calcular, as responsabilidades que pesavam sobre mim e as batalhas que eu travava em silêncio.
É fácil julgar uma escolha quando não se conhece o peso de quem precisou fazê-la.
Se hoje eu faria diferente?
Talvez sim, talvez não.
Mas não porque você estava certa. E sim porque hoje eu sei o que, naquela época, eu ainda precisava aprender.
Então não julgue minhas escolhas de ontem com a clareza que só o tempo me deu hoje.

⁠As flores não resistem, um olhar, de um poeta.

Que foi, poeta? Que olhar triste é esse? Cadê as flores? Cadê a lua? Cadê o sol? Anime-se, poeta!

Te olhar de longe não é fácil; é como ficar tentando enxergar o sol, e não poder te ver.

Não deixes que um olhar debochado te pare, vai, levanta o voo.

"Há Flores em tudo que eu Vejo"


Até na pedra fria mora um ensejo.
O olhar que planta é o que colhe cor,
quem semeia dentro, floresce ao redor.

Cada Olhar


Cada olhar é um livro aberto,
um segredo guardado, um caminho incerto.
É ponte invisível, recado no ar,
que fala sem voz, só sabe quem sabe escutar. Há olhares que queimam, faísca de fogo, outros acalmam, repouso, um afago no logo. Uns atravessam como flecha certeira, outros são brisa que dança à beira.
O olhar que desvia carrega mistério,
talvez seja medo, talvez seja sério.
E aquele que insiste, sem nunca fugir,
fala mais do que bocas ousam admitir.

Eu existo, mesmo quando não me veem.
O olhar que não atravessa mais não apaga minha presença.
Minha vida não depende de quem decide partir.
Sou lembrança de alguém, mas inteira para mim.
O que não me quer não me define;
o que me mantém vivo sou eu.
E na ausência do outro, encontro meu próprio espaço, meu próprio ar, meu próprio brilho.

O olhar


Carrego no peito
o olhar da mulher
que nunca quis me conhecer.
Não foi amor.
Foi ausência.
E mesmo assim, ficou.
Tatuei não o rosto,
mas o olhar.
Porque era ele que me atravessava
sem nunca me tocar.
Ela não ficou.
Não chamou.
Não voltou o gesto.
O que ficou fui eu,
com a pergunta aberta
batendo no osso.
Esse olhar no meu peito
não é dela mais.
É a prova
de que sobrevivi
ao não-ser-vista.
Hoje entendo:
não marquei submissão,
marquei memória.
E memória não manda.
Só lembra
de onde eu vim
e por que não volto.