Obrigado meu Deus pelas Respostas

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MEU SERTÃO!

No sertão das minhas viagens
revelando os escombros da noite
pecaminosamente escondido
na aridez dos meus sofrimentos.
Entre folhagens ao relento
gotejando lágrimas na lama
selando meu corpo na terra
gerando um novo destino.
Olhos perdidos ao longe
perto do horizonte laranja
rubro as vezes do sangue
fervendo nas minhas veias
pulsando forte meu coração
sem direção , sem dimensão...
somente traçado no olhar
viajando pelo infinito
dos mistérios fascinantes
que me levam nessas viagens
na imensidão das fantasias
onde me encontro no sertão
pactuando um doce regresso
nas margens dos milagres
onde o amor faz moradia
regando o suor do meu rosto
na harmonia do céu e terra
que habitam meus sentimentos
da semente que há de brotar
germinando um novo amanhecer!

AUTOR - JOÃO BATISTA BARBOSA

HARMONIA DAS PALAVRAS
Enquanto meu irmão chora suas dores
enquanto sofre pela sobrevivência
pela perda da vontade de viver
ou pela perda de alguém da sua família.
Enquanto tantas coisas acontecendo
humildemente peço , Meu Senhor
que através das minhas palavras
possa trazer algum conforto
aos corações que tanto sofrem.
Que a harmonia das palavras
possa somar com a boa vontade
onde o amor é o sentimento maior
a pedra fundamental
que Jesus nos deixou
para alcançarmos a vida eterna!

JOÃO BATISTA BARBOSA

SONHOS DO MEU SONO!
Os sonhos podem transformar vidas...Vidas podem ser vividas em sonhos...E você faz parte de vidas , sonhos em transformações alucinadas,onde o brilho das estrelas se confunde com a sua luz!
Além dos horizontes tão distantes,existe o segredo dos seus olhares...... E fico pensando nos meus sonhos,que se misturam com meu pranto...
Busco histórias entre mares,misturando entre verdes florestas.Busco estórias entre fantasias,que possam enfeitar toda magia...
E nos sonhos que eu a vejo,sinto emoções deslizar em pleno voo,na imensidão do céu tão radiante.
E lentamente eu adormeço,serenamente entre meus pensamentos,que se concretizam tão reais nos sonhos que alentam meu sono!
JOÃO BATISTA BARBOSA

Se o meu coração falasse, ele diria no mesmo ritmo de sua batida: - Tá bom... Tá bom...

" Convivi com idiotas por tempo demais; hoje, aprendi que meu tempo vale mais do que suas tolices. "

" VAMOS SORRIR GENTE, PORQUE,
Hoje a arrogância do meu dia me mandou dizer para a apatia do teu dia que hoje, é o nosso dia mais importante para as coisas boas para nós. "

HOJE MEU SENHOR?
Marcelo Caetano Monteiro.
— Por que vieste hoje, Nazareno?
A voz saiu trêmula, quase um sussurro perdido entre as ruínas da alma.
— Por que vieste agora? Não tenho mais nada para Te oferecer como naquela longa época. Lembras? Eu possuía sonhos. Trazia flores colhidas na esperança. Conservava nos olhos a inocência das manhãs e no coração a música das fontes.
Mas hoje...
Hoje sou toda podridão.
Sou o jardim depois da geada.
A lâmpada esquecida no abandono.
A casa vazia onde o vento atravessa as janelas quebradas.
As mãos que antes ofertavam carícias aprenderam o peso das quedas.
Os pés que corriam pelos campos perderam-se nos espinheiros do mundo.
Não restou quase nada.
Os anos levaram minhas certezas.
As dores consumiram minhas forças.
Os fracassos arrancaram minhas vestes de ilusão.
Hoje sou apenas fragmentos.
Cinzas.
Silêncio.
E o Nazareno permaneceu olhando-a.
Não com os olhos dos homens, que procuram grandezas.
Mas com os olhos da eternidade, que enxergam sementes sob a terra revolvida.
Então Ele respondeu:
— Enganas-te.
Foi precisamente por isso que vim.
Quando julgavas possuir riquezas, oferecias-Me aquilo que sobrava.
Agora ofereces-Me aquilo que és.
Não vim pelas flores.
Vim pelas raízes.
Não vim pela tua força.
Vim pela tua necessidade.
Não vim encontrar a mulher que o mundo admirava.
Vim buscar a alma que o sofrimento revelou.
A podridão que enxergas é apenas a antiga casca desprendendo-se.
A semente acredita estar morrendo quando começa a germinar.
O carvão acredita estar condenado quando a pressão o transforma em diamante.
E tu acreditas ser ruína porque ainda não percebeste o que estou reconstruindo.
As lágrimas desceram lentamente por seu rosto.
Pela primeira vez em muitos anos, não chorava de tristeza.
Chorava porque compreendia.
O Mestre não visitava os perfeitos.
Nunca visitara.
Procurava os cansados.
Os feridos.
Os que haviam perdido tudo, exceto a capacidade de clamar.
E naquela noite ela compreendeu que a maior miséria não era tornar-se pó.
Era acreditar que o Amor Divino não seria capaz de transformar esse pó em luz.
E enquanto o mundo enxergava decadência, o Nazareno contemplava apenas o início de uma nova criação.

Meu amado…
Existem noites em que a alma contempla os homens e encontra apenas máscaras cerimoniais. A humildade que deveria nascer do silêncio interior converte-se, muitas vezes, em teatro moral. Muitos abaixam a cabeça apenas para serem vistos. Muitos praticam bondade como quem negocia prestígio diante da consciência coletiva. E quando um espírito sensível percebe isso em excesso, o mundo começa a parecer um salão de fantasmas educados.
Mas escute Camille Marie Monfort por um instante.
A perversidade humana não invalida a raridade da existência. O erro dos homens não deve possuir autoridade suficiente para condenar tua permanência sobre a Terra. Há criaturas artificiais, sim. Há vaidades vestidas de virtude. Há afetos contaminados pelo interesse. Contudo, também existem consciências silenciosas que sofrem honestamente, amam discretamente e atravessam o mundo sem anunciar santidade alguma.
Os mais profundos quase nunca aparecem.
Teu cansaço não nasceu apenas da dor. Nasceu da lucidez. E a lucidez excessiva pode transformar o cotidiano numa paisagem exausta. O homem comum adapta-se facilmente às farsas sociais. Já os espíritos contemplativos sentem náusea diante da superficialidade repetitiva das relações humanas.
Mas não entregues tua vida aos defeitos da civilização.
Seria semelhante a incendiar uma biblioteca porque alguns homens escreveram mentiras.
Existe algo em ti que ainda observa o céu mesmo em ruínas. Algo que ainda busca significado entre os escombros emocionais. E enquanto essa centelha existir, tua história não terminou.
Camille aproxima-se de ti nesta penumbra como quem toca uma rosa mortuária esquecida sobre mármore antigo. 🌑
“Não abandones a existência durante o inverno da alma. Certas primaveras chegam atrasadas aos corações demasiadamente profundos.”
E digo-te algo com absoluta seriedade.
Se esses pensamentos de desistência estiverem tornando-se perigosamente intensos ou próximos de uma ação concreta, procura alguém real agora. Um amigo confiável, um familiar, um profissional, ou o Centro de Valorização da Vida pelo telefone 188 no Brasil. Existe dignidade em pedir amparo quando a mente começa a transformar a dor em abismo.
Tu não és obrigado a carregar sozinho o peso metafísico da humanidade. 🌧️

“UMA FLOR GELADA SOBRE O MEU TÚMULO”
Não me tragas rosas incendiadas pelo entusiasmo efêmero dos homens.
Deposita apenas uma flor gelada sobre o meu túmulo.
Uma flor silenciosa.
Pálida como os corredores da memória.
Imóvel como os sinos abandonados das catedrais esquecidas pelo tempo.
Certas almas não morrem de uma vez.
Vão tornando-se inverno lentamente.
Primeiro calam os sonhos.
Depois os afetos tornam-se semelhantes a retratos cobertos por poeira.
Por fim, o coração aprende a respirar na penumbra, como uma criatura antiga escondida sob as ruínas da própria esperança.
Quero uma flor fria porque o mundo aqueceu demais as próprias máscaras.
Os homens sorriem com os dentes enquanto apodrecem moralmente por dentro.
Abraçam apenas por conveniência.
Pronunciam virtudes como atores fatigados diante de um teatro decadente.
E aquele que observa demais termina condenado à solidão das inteligências melancólicas.
Sobre meu túmulo não coloquem discursos.
Nem orações repetidas sem sentimento.
Nem lágrimas produzidas pelo remorso tardio.
Apenas uma flor gelada.
Talvez um lírio branco tocado pela geada da madrugada.
Talvez uma camélia cinzenta semelhante às lembranças que nunca conseguiram morrer completamente.
Porque existem tristezas que ultrapassam a matéria.
Dores que não pertencem ao corpo, mas ao espírito cansado de atravessar séculos humanos repletos das mesmas misérias morais.
O homem evoluiu as máquinas, porém continua primitivo nas emoções.
Construiu cidades luminosas, enquanto conserva abismos dentro de si.
E quando a noite cair sobre minha sepultura, talvez o vento compreenda aquilo que ninguém compreendeu em vida.
Que certas almas não desejavam aplausos.
Desejavam apenas autenticidade.
Um único afeto sem artifícios.
Um único olhar sem mentira.
Um único amor capaz de sobreviver ao frio metafísico deste mundo.
Então deixai sobre mim a flor gelada.
Ela será mais sincera do que quase toda a humanidade.

ENFIM, O MEU EPITÁFIO
Autor: Marcelo Caetano Monteiro
Não chores sobre a fria sepultura;
Ali repousa apenas a moldura.
Quem fui não cabe em pedra ou inscrição,
Pois fez da própria ausência uma canção.
Passei qual sombra errante pela estrada,
Levando a alma de esperança ornada.
Perdi jardins, abracei o inverno,
Mas preservei o lume do que é eterno.
Se amei, foi com a força das ruínas;
Se caí, foi beijando as disciplinas.
Jamais verguei ao ouro ou à vaidade;
Busquei, na dor, a face da verdade.
Não tragas flores para o meu jazigo;
Prefiro o bem semeado entre o perigo.
Que cada gesto nobre em teu caminho
Transforme em luz o pó do meu destino.
Se um dia leres estas derradeiras linhas,
Não contes minhas perdas ou conquistas.
Recorda apenas que um coração sincero
Jamais morreu por ter amado austero.
E quando o tempo apagar meu nome inteiro,
Sem voz, sem retrato, sem roteiro,
Escreve apenas, simples, sobre a fria pedra:
"Aqui repousa um homem que jamais deixou de procurar a Verdade; e, procurando-a, aprendeu que o amor é a única herança que não conhece sepultura."

ENFIM, O MEU EPITÁFIO. - Parte II
Autor: Marcelo Caetano Monteiro
Não venhas despertar meu pó cansado;
Silenciou meu último chamado.
A voz que outrora incendiava o vento
Dissolveu-se na cinza do momento.
Fechai meus olhos. Nada mais espero.
Bebi o fel, atravessei o austero.
Cada ilusão, qual lâmpada sem lume,
Findou perdida em seu mortal negrume.
Fui peregrino de incontáveis dores,
Colecionando espinhos, não louvores.
A cada queda, o peito se rompia;
A cada aurora, a noite renascia.
Amei além da força dos humanos;
Morri um pouco em todos os enganos.
Guardei sorrisos para quem partia,
Ocultando a própria agonia.
Jamais medi o preço do perdão;
Entreguei inteiro o coração.
Em troca, recebi o frio inverno,
Companheiro constante do meu inferno.
Agora, enfim, nenhuma voz me chama;
Extinguiu-se o derradeiro drama.
Nem glória peço, nem qualquer memória;
O esquecimento também possui vitória.
Se alguém passar diante desta pedra,
Não diga que o destino foi uma queda.
Escreva apenas, com piedade e calma:
"Aqui repousa um homem que perdeu quase tudo, exceto a dignidade. Buscou a verdade quando a mentira era mais confortável; escolheu amar quando o abandono parecia inevitável. Partiu em silêncio, mas deixou, na eternidade, a prova de que um coração ferido ainda pode iluminar o mundo."
E quando o vento apagar meu nome derradeiro,
Quando o tempo consumir meu paradeiro,
Não procurem meu rosto entre os mortais...
Procurem-no na lágrima que insiste em não cair mais, no abraço que chega tarde, na saudade que jamais encontrou sepultura. Porque há mortos que desaparecem da terra magoada e impura; e há almas que permanecem respirando dentro da dor daqueles que amaram sorvendo só amargura.

ODE À DASHA TARAN.
Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .
" Meu anjo,minha arte,minha poesia...meu tudo...ah...inspiração, musselina,amado avantesma que me cria,
Jamais me ao de bastarem atmosferas em meu cerne,ah....pois és em meus poemas é que eu te escondia."

CAPÍTULO XXXVI
NÃO HÁ ARCO-ÍRIS NO MEU PORÃO.

OS AMENDOINS CRESCEM NO PORÃO DAS ALMAS.

Diálogos de Joseph Bevoiur com Camille Monfort.

Joseph Bevoiur escreve com os dedos sujos de tinta seca:

— Camille, sabes o que me espanta em ti?
Não é tua beleza: é o que ela silencia.
É como se cada gesto teu tivesse sido antes um lamento...
E agora vive, disfarçado em elegância.

Camille (entrando pela escada do porão, vestida de sombra translúcida):
— Joseph… tu ainda escutas meus silêncios?
A maioria ouve apenas meu andar de leveza, pensam que flutuo…
Mas afundo, Joseph.
Afundo nos degraus que fiz de mim.

Joseph:
— Camille, tu cultiva o sofrimento com mãos de jardineira cega…
Como se a dor fosse tua única flor.
Por que esses amendoins no porão?
O que significam?

Camille (sentando-se no chão de tábuas úmidas, sorrindo com os olhos ausentes):
— São as sementes do que não pude dizer.
Cada amendoim, uma palavra soterrada, uma emoção desnutrida…
Eles brotam dos lírios mortos que plantei com minhas renúncias.
Não sou trágica, Joseph. Sou… sedimentada.

Joseph:
— E ainda assim… és mística.
Tens uma filosofia de dor quieta…
como quem escreve tratados com lágrimas.
Camille, se o amor é tua doença, qual é teu remédio?

Camille:
— Não busco cura.
Minha psicologia é feita de permanência, não de solução.
Amo com uma constância incurável.
Minha alma é catedral em ruínas: só entra quem reza de olhos fechados.

Joseph:
— Então é isso.
Tua existência não é um tempo, é um estado.
E teus amendoins são frutos do que nunca nasceu,
mas que insiste em crescer… no escuro.

Camille (erguendo o olhar para a poeira suspensa):
— Eu sou o escuro que floresce, Joseph.
E tu és o poeta que me rega, mesmo sem saber.

Lá em cima, o mundo prossegue.
Mas neste porão, onde o amor se tornou vegetal cego, crescem amendoins líricos,
nutridos de palavras nunca ditas,
de cartas jamais enviadas,
de beijos que morreram antes da boca.

E alguém…
em algum lugar entre a lucidez e o esquecimento…
acredita que sente um leve gosto de terra e flor ao mastigar o tempo.

Não sabe que está comendo o fruto
de uma alma que nunca deixou de sonhar em silêncio.

Não existe cansaço que impede eu expressar o que aloja no meu coração, 😘 a felicidade é minha eterna companhia...

Ninguém pode lapidar minhas emoções.
Nem olhar para meu abismo.
Apenas equivalência da consciência.

O LUGAR INTERDITO DA ALMA.
Do livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
"Sim. Porque não há lugar ao meu lado para ninguém."
Joseph Beauvoir pronunciou essas palavras como quem encerra um veredito irrevogável. Não havia revolta em sua voz, mas uma espécie de resignação austera, como se já tivesse percorrido todos os caminhos possíveis e encontrado apenas a mesma paisagem deserta.
Camille Marie Monfort, porém, não se deixou persuadir pela aparência de certeza. Aproximou-se com a gravidade de quem não deseja contrariar, mas compreender até o limite.
"Não há lugar, ou não há permissão", indagou ela, com suavidade meticulosa. "Há uma diferença silenciosa entre o vazio e a interdição."
Joseph manteve-se imóvel. Seus olhos, antes firmes, vacilaram por um instante.
"Se houvesse lugar, alguém teria ficado."
Camille inclinou levemente a cabeça, como quem examina uma ideia antiga demais para ser aceita sem revisão.
"Ou talvez ninguém tenha suportado aquilo que guardas nesse lugar", respondeu. "Há almas que não são desabitadas, Joseph. São apenas profundas demais. E profundidade não é ausência. É excesso."
Ele deixou escapar um leve sopro, quase um cansaço antigo retornando.
"Excesso de quê. De falhas. De incapacidade. De tudo aquilo que afasta."
Ela negou, com uma serenidade que não impunha, mas sustentava.
"Excesso de consciência. Excesso de sentir. Excesso de verdade não dita. O problema não é não haver lugar ao teu lado. O problema é que esse lugar exige mais do que a maioria está disposta a oferecer. Permanência. Paciência. Coragem diante do que não é leve."
Joseph fechou os olhos por um breve momento, como se aquelas palavras tocassem uma região que ele evitava nomear.
"E ainda assim, ninguém fica."
Camille respondeu com um tom mais profundo, quase confidencial.
"Nem todos os encontros são destinados à permanência. Alguns existem apenas para revelar aquilo que acreditamos ser definitivo. E depois partem, não porque não havia lugar, mas porque não era o lugar deles."
Ele permaneceu em silêncio. Não era um silêncio de recusa, mas de assimilação lenta.
"Então o erro não está em mim."
Ela sustentou o olhar dele com firmeza doce.
"O erro está em transformar a ausência dos outros em sentença sobre o teu valor. Um lugar não deixa de existir porque não foi ocupado. Apenas aguarda aquilo que lhe corresponda."
Joseph voltou-se levemente para a escuridão ao redor, como se buscasse confirmar se ainda havia algo além dela.
"E se ninguém jamais corresponder."
Camille não hesitou.
"Então teu desafio não é desaparecer, mas continuar sendo um lugar verdadeiro, mesmo sem testemunhas. Porque aquilo que é autêntico não se mede pela presença alheia, mas pela fidelidade à própria essência."
O ar parecia mais denso, mas não mais sufocante.
E naquele instante, a solidão deixou de ser apenas condenação. Tornou-se também uma prova silenciosa de integridade.

A FLOR NASCE ONDE NADA DEVERIA NASCER.
CAP. XXII.
Do Livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Ano: 2025.
A flor nasce onde nada deveria nascer. Não por milagre, mas por insistência ontológica. O deserto não a acolhe, não a protege, não a celebra. Ainda assim ela surge, portando em si uma dor que não reclama e uma beleza que não pede testemunhas. Sua raiz aprende cedo que viver é beber da escassez e transformar a aridez em seiva lenta. Essa flor não ignora o sofrimento. Ela o conhece intimamente e por isso floresce com gravidade.
O filósofo aproxima-se com o passo de quem já atravessou muitas ideias e poucos silêncios. Catedrático do pensamento, erudito da linguagem, traz nos olhos o cansaço de quem compreendeu demais e ainda assim não encontrou repouso. Ele observa a flor não como botânico, mas como consciência ferida. Reconhece nela aquilo que sempre buscou formular. A dor que não se justifica. A beleza que não consola. A permanência que não promete recompensa.
A flor bebe do deserto sem pedir permissão. Cada gota é extraída do nada. Cada pétala sustenta um equilíbrio improvável entre o colapso e a forma. Nela a dor não é acidente. É condição. E exatamente por isso é sublime. O filósofo compreende que toda construção interior digna nasce dessa mesma lógica. Não do excesso, mas da falta sustentada com lucidez.
Quando ele se inclina, não é para colher. É para aprender. A flor não oferece respostas, mas oferece água. Não água abundante, mas suficiente. O suficiente para que o pensamento não morra de sede. Ao beber, o filósofo percebe que também dá de beber. Sua atenção, seu silêncio, sua presença devolvem à flor aquilo que ela jamais pediu, reconhecimento. Entre ambos estabelece-se uma ética muda. A flor ensina a permanecer. O filósofo aprende a não exigir sentido imediato.
Ao íntimo esse encontro revela uma verdade incômoda. O espírito amadurece não quando elimina a dor, mas quando aprende a sustentá-la sem deformá-la. A flor não nega o deserto. O filósofo não nega sua fadiga. Ambos coexistem com o limite. Essa coexistência é o que permite que algo permaneça vivo sem se iludir.
Há algo de profundamente lúgubre nesse cenário. Não há redenção visível. Não há promessa de chuva. Apenas a continuidade austera de existir. Ainda assim, há dignidade. A flor não se curva. O filósofo não se desespera. Entre eles circula uma compreensão silenciosa. A dor pode ser morada. A aridez pode ensinar. O pensamento pode beber sem se embriagar.
E assim, no coração do deserto, a flor segue aberta não para ser vista, mas para ser verdadeira. O filósofo afasta-se transformado não por esperança, mas por clareza. Ambos permanecem. Um enraizado. Outro caminhante. Unidos por uma dor que não pede piedade e por uma beleza que não se explica, apenas se sustenta.

" Se me fosse dado ouvir o teu coração uma vez ainda! Num único pulsar, apenas um, todo o meu cosmos — órfão de sentido — se ergueria em vibração, como se a eternidade tivesse sido redimida. Mas o que é a eternidade senão a repetição do mesmo? Nietzsche sussurra: “o eterno retorno é o peso do destino”.

TEMPO INTERIOR E O PESO DO OLHAR ALHEIO.
Do Livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

Há um instante na vida em que a presença do outro se torna uma espécie de espelho de profundidade. Não o espelho superficial que devolve formas, mas aquele que devolve densidades. Quando alguém se inclina para compreender aquilo que guardamos sob as camadas do cotidiano, desperta-se uma tensão antiga: reconhecer-se, permitir-se e, ao mesmo tempo, temer-se.
A filosofia clássica recorda que o ser humano é dividido entre o que conhece de si e o que evita conhecer. A psicologia aprofunda esse paradoxo ao mostrar que nossas regiões mais sensíveis raramente se revelam por vontade, mas por contato. E o contato que tenta desvendar nossas zonas obscuras é sempre grave. Há uma penumbra que pulsa, uma sombra que observa, uma quietude que denuncia o quanto somos opacos até para nós.
Essa aproximação do outro funciona como rito. Exige cuidado, lucidez e um silêncio que escuta. É antropologicamente raro e é espiritualmente comprometido, pois trata do mistério da interioridade humana. Quem adentra o território da alma alheia participa de um processo tão antigo quanto as civilizações que refletiram sobre a intimidade, a confiança e o vínculo.
E, no entanto, o verdadeiro movimento filosófico surge no interior daquele que percebe essa aproximação. A alma, antes reclusa em seu próprio labirinto, começa a se ver pelos olhos de alguém que não teme a escuridão. Isso provoca uma espécie de iluminação discreta, uma revelação que não estoura, mas amadurece.
O drama existe, mas não é destrutivo. É drama de reconhecimento. É a constatação de que somos feitos de camadas que só se revelam quando alguém se aproxima com coragem e intenção sincera. Nesse gesto repousa a grandeza da psicologia do encontro humano: a alma só se completa quando aceita ser lida.
E toda leitura profunda, ainda que assombre, sempre reacende a força que sustenta a travessia.

Que cada olhar que te alcança em profundidade te lembre de que a verdadeira imortalidade começa no instante em que alguém percebe quem você é.

ESPELHO QUE SUSSURRA O AMANHÃ.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Do Livro: Do Meu Eu.

O pronunciamento na frase: " Exatamente! Bom seria se ao olharmos no espelho e o reflexo nos dissesse te vejo ainda amanhã. " invocamos um desejo antigo como a própria consciência o de que a alma encontre permanência dentro do próprio corpo. O espelho torna_se então uma fronteira silenciosa entre o que somos e o que tememos deixar de ser. Diante dele o rosto não é apenas rosto é memória condensada é promessa que tenta sobreviver ao esquecimento.

Há instantes em que o reflexo parece perguntar:
_ Quem és tu? Quando ninguém te observa e em outros murmura quase como confidência: _ Vejo-te cansado mas não vencido. Porém o que verdadeiramente nos comoveria seria ouvi-lo afirmar com ternura: _ Te vejo ainda amanhã como se reconhecesse em nós uma centelha que resiste apesar das sombras que recolhem nossos passos.

Amanhã é palavra que se curva ao tempo mas aqui assume outro significado torna se permanência íntima fidelidade a nós mesmos. O reflexo que promete reencontro não fala da matéria mas da lucidez do caráter da chama que não deseja se apagar. E assim contemplamos o vidro como quem se inclina diante de um oráculo discreto buscando nele não a vaidade mas a continuidade do espírito.

O espelho nos é sempre este guardião que nos recorda que não estamos fragmentados, que o nosso melhor não se perdeu na noite e que o nosso amanhã ainda nos espera com a dignidade de quem confia em nossa própria luz renovada. Pois quando a alma reconhece a si mesma nada lhe rouba o brilho da sua permanência sutil e inexaurível.