Obrigada pela noite
A LIÇÃO DA NOITE
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Só se culpe do mal que vier a fazer;
pelas perdas e os danos que fujam do acaso;
não por dar ao desejo esse leve prazer
feito flor que respeita os limites do vaso...
Um amor proibido mede alcance, prazo,
onde quem o cultiva tem pleno poder;
sabe quando é manhã ou já se fez ocaso;
seu efeito está pronto a pôr tudo a perder...
Não se culpe de amar a quem não deveria;
sentimento e sentidos terão harmonia
se você platoniza e tão só insinua...
É preciso aprender a lição de rotina,
quando a noite se forma e borda na cortina
o romance platônico entre sol e lua...
MADRIGAL DE CANSAÇO
Demétrio Sena - Magé
Quero em cada noite nua,
pôr meus versos num alforje
que minh'alma leva em mim...
Fugir pro Mundo da Rua,
depois pra Lua São Jorge
Quadra Neutra, Lote Fim...
... ... ...
Respeite autorias. Isso é lei
NOITE FOGOSA
Demétrio Sena - Magé
Numa noite fogosa, de sons indecentes,
os meus eixos e sulcos numa contorção,
minha pele sentia o roçar de seus dentes
e mostrava mais pontos pra sua incursão...
Foi um sonho banhado pela sua língua
passeando em meu corpo inquieto e fremente;
provocando a carência de quem morre à míngua,
com saliva melosa e seu hálito quente...
Nossas carnes expostas ao denso braseiro;
nossos corpos grelhados, também de fumeiro
se comeram com fome de bando feroz...
Sua flor lambuzada pela seiva densa
finalmente se abriu e minha recompensa
escorreu como rio; jorrou feito foz...
... ... ...
#respeiteautorias Isso é lei
NOITE ADENTRO
Demétrio Sena - Magé
Só queria dormir irreversivelmente;
mergulhar em um sonho do qual nunca volte;
minha mente romper a imensidão do breu
e deixar as verdades perdidas aqui...
Outro plano me chama desde não sei quando,
quero ir noite adentro, seja noite ou dia,
pra romper o silêncio que revolve a vida;
estender a poesia pelo chão do vento...
Eu desejo voar indefinidamente,
minhas asas abertas me deixarem ir,
finalmente sorrir sem as cáries da mágoa...
Novos rumos acenam para meu cansaço,
meus remorsos e minhas desidratações;
pras versões do Saara que se alastra em mim...
Sonhei contigo esta noite
E desta vez tu estavas nu
Usavas calça e camiseta
Mas aos meus olhos
Estavas despido
Mesmo no escuro
Pude ver tua alma.
Uma noite de luar com o som do marulhar;
um aperto de mão que não é preciso falar;
o frio na barriga que faz arrepiar;
um bom vinho e alguém para amar.
O abismo do frio que combina com a noite e a chuva com a escuridão,
me parece uma despedida de alguma ocasião.
Eu sou a solidão
Filho da noite e do silêncio
Amante das estrelas
Vazio quanto a lua
Sem luz
Sem reflexo
Sem rastro
Sou a minha própria sombra.
A luz do Sol, assim como a verdade, traz à tona cada detalhe que não havíamos percebido na noite do dia anterior.
eu sou o mar em uma noite escura, profundo e solitário, apagado pela escuridão da noite. a margem são meus limites e prisões.
E a lua que me ilumina me forma e guia minha maré é ela.
Mas ela se foi e fiquei na escuridão apagado sem minha luz.
Sexta-feira à noite sempre carrega um peso diferente. Não é cansaço, é lembrança. O ar fica mais lento, como se o tempo também estivesse cansado de correr. E depois do Natal esse peso parece maior, como se as luzes ainda acesas não conseguissem esconder o silêncio que ficou.
Lá fora, o chão ainda guarda o cheiro das folhas molhadas. Um cheiro de fim, mas também de recomeço. A chuva já passou, mas deixou marcas, pequenas poças refletindo luzes tímidas, como sentimentos que insistem em não desaparecer. Caminhar por essa noite é como andar por dentro de mim mesmo, desviando de memórias que ainda doem ao toque.
O café é forte, quase amargo, do jeito que combina com pensamentos profundos. O vapor sobe devagar, aquecendo as mãos enquanto o coração permanece frio. Cada gole é uma tentativa de ficar acordado, não para o mundo, mas para o que sinto. Porque dormir, nessa noite, parece perigoso demais. Dormir é dar espaço para você voltar nos sonhos.
A sexta-feira deveria ser leve, mas comigo ela sempre chega carregada de saudade. Ainda mais depois do Natal, quando tudo tenta parecer completo e o vazio fica mais evidente. Talvez porque o silêncio fique mais alto quando todos parecem ter alguém. Talvez porque o amor, quando vai embora, deixa ecos justamente nas noites que deveriam ser felizes.
O vento passa suave, espalhando o cheiro de terra molhada, e por um instante penso que você também sentiria isso. Imagino você do outro lado da cidade, talvez rindo, talvez pensando em nada, enquanto eu penso demais. Sempre pensei demais quando se tratava de você
Essa noite é bonita de um jeito triste. Romântica sem promessas. Intensa sem toques.
Sexta-feira à noite não pede explicações, apenas sentimentos. E o meu está aqui, sentado à mesa, entre folhas molhadas e café forte, numa sexta-feira depois do Natal, esperando algo que talvez nunca volte, mas que ainda insiste em morar no peito.
Porque algumas noites não são feitas para esquecer. São feitas para sentir.
— Cyrox
A hipocrisia é como o regime: sente fome, mas não come, no entanto, à noite rouba coisas da geladeira.
A janela do dia se fecha enquanto o zíper da noite exibe seus pingos brilhantes vazando a escuridão.
A lua majestosa avança no céu devagarzinho, deixando seu brilho que espanta a escuridão da noite e do coração.
Boa noite
"O vento balança o coqueiro
E parece querer lhe falar:
- Mova-te, sinta-me, abraço-te
Nunca mais vou te largar!
Mesmo nos temporais da existência, juntos vamos ficar!"
EU POSSO ESQUECER DO DIA! JAMAIS DO SOL! POSSO TALVEZ ESQUECER DA NOITE! JAMAIS DA LUA! TALVEZ EU ESQUEÇO DA VIDA! MAIS JAMAIS DE VOCE.
Foi-se noite, foi-se dia, manhã vem e não se vai minha agonia.
O que se foi? Minh'alegria.
Foi-se noite, foi-se dia, me vem o medo da despedida.
O seu amor? Minha terapia.
Foi-se noite, foi-se dia, Lua e Sol eu já não vejo.
O meu desejo? Teu beijo.
Foi-se, noite, foi-se dia, me pego em prantos, em desespero.
O meu refúgio? Teu aconchego.
E me vem a noite, me vem o dia, me vem a calma, minha alegria, você quem trouxe, minha menina.
O meu sonho? Te ter um dia, para sempre, sua companhia...
"E naquela noite eu lhe entreguei o meu negro coração.
Na esperança de você revivê-lo, com o seu vermelho de paixão.
Eu fui seu em forma de poema, em forma de canção.
Eu fui companhia, onde só existia solidão.
E olha só, ainda estou na escuridão.
E sem o teu vermelho amor, sem o meu negro coração.
Só me restou as promessas e as juras feitas em vão.
Ah mulher! Como fui feliz naquela ocasião.
Onde viajei por seus olhos, com brilho de constelação.
Só restaram-me os devaneios, daquela amarga ilusão.
Meu último pedido às estrelas? Devolva meu negro coração..."
