O Tempo Passa e a Gente nem Percebe
Neste mau
tempo que
não anda
para frente
e para trás,
Já fazem
34 dias
que a família
do General
não está
em paz,
São poucos dias,
mas suficientes
para preocupar
a todos demais.
Não vou
deixar perder
a crença,
Até mesmo
se houver
qualquer
sentença,
Porque
culpa todos
sabem
que não há;
Essa prisão
é fruto de
uma cruel
injustiça
que ali está.
E assim
contando
outras histórias
latinoamericanas
de agonia
para tentar
manter vivas
as memórias.
Perguntando
sem parar
nenhum minuto
até saber:
se o General está
desaparecido,
e se está vivo,
onde é que
ele foi parar?
Se preciso for
tenho poesia
até o meu
último suspiro
para perguntar
onde é que
o General foi parar.
O tempo inteiro
com cada um
de vocês e sem
que me vejam
estou presente,
No vento, na oração
e na canção que
vem de dentro;
É preciso buscar
a serenidade que
até o momento
não se cultivou.
A vida tem chamado
para dançar uma
música que jamais
será capaz de fascinar;
É preciso ouvir
sem deixar se perder.
Ninguém tem previsão
da libertação
da tropa e do General,
Um retrato que está
mais para Raio-X
de como não estão
tratando direito
quem se dedicou ao país.
Do Araguaney florido
Maio é o mês,
No céu de Caracas
eis o sobrevoo
das Guacamayas,
Neste exato instante
não sei se o General
dos meus poemas
está preso no Inferno
de cinco letras
ou foi enviado para
o isolamento total
em Fuerte Tiuna
para seguir preso
só que isolado
do mundo apenado
por uma prisão injusta.
Ver o Butiá-azedo
enfeitar o jardim,
Não ter mais medo
do tempo passar,
Ter você do meu
lado é o meu maior
desejo apaixonado.
O tempo mostra quem é quem,
não há um só que não esteja
atento ao cansativo jogo
de manipulação e total desgaste
daqueles que se perderam
no personagem e carecem
de falta de autenticidade,
e precisam no modo aleatório
inventar mentiras sobre
adversários que não existem
e nem nunca existiram,
ocultando assim a índole algoz,
covarde, perseguidora e atroz,
porque sentem uma inveja
inesgotável da autonomia
e da capacidade criativa
de quem não precisa
assassinar a reputação
de ninguém para se sobressair.
Versos Intimistas escritos
além do humor e do tempo
por todo os lugares,
voltando da boêmia
no meio da madrugada
e se deparando com
ipês-brancos florescidos
poéticos indicando quais
passos que serão dados
para unir os destinos
de dois corações apaixonados.
As flores azuis estão
abertas com esplendor
no jardim do tempo,
E nesta tarde aqui
no Centro de Rodeio,
Toda a nossa inspiração
no Médio Vale do Itajaí
sob a Lua Nova serena
com certeza vale
mais de um poema.
Sangue Gaúcho
Não preciso perder tempo
criticando a cultura de outro lugar,
tenho a minha própria cultura
para me orgulhar e exaltar.
Quem tem sangue gaúcho
se orgulha da influência do mundo
na formação dos seus ritmos
e dentro da sua própria tradição.
De alma e coração sempre
há de se encontrar na Rancheira
cultivando toda a história guerreira
que lapidou a cultura gauchesca.
Compartilha a Milonga e outros
ritmos com orgulho no salão,
e sabe muito bem que é Erva-Mate
com raízes neste abençoado chão.
Ponte
Na Cuia faço do meu
Mate a famosa Ponte,
Ninguém pode ficar
o tempo todo sozinho,
Caso não compensar
o caminho de volta
está bem preparado,
porque para tudo
na vida requer cuidado.
Às vezes somos incrédulos em achar que sonho não pode ser realizado, a sua fé dirá com o tempo se é possível ou não.
As flores do tempo
se vestiram de cinza,
O Pico do Montanhão
presta a honraria,
A noite repousa sob
o Médio Vale do Itajaí,
O desejo e a utopia
caminham por aqui.
O Antúrio no caminho
acena com sutileza
o poema em cadência
num tempo que pede
cultivar tudo com clareza.
Dar "a César o quê é César"
sem nunca perder a gentileza
é a urgência sempre que
teus olhos forem cobertos,
teus ouvidos confundidos
e teus pensamentos dispersos.
(Agarra-te a tua História,
não renuncia por nada a tua memória,
se permita quantas vezes for
necessária a trégua respiratória).
Voando contra os ventos
fugindo do mau tempo,
não desisto de ser arauto
porque sei o quê procuro.
Onde tudo coopera para que
percamos a nossa essência,
a minh'alma de Jandaia
cultiva sempre o melhor
com toda a persistência.
Sementes de delicadezas
e castanhas das ideias
para serem abertas
por todos a qualquer hora.
Urge nos concentrar naquilo
que direto do pé frutifica
poesia para que a harmonia
se torne a inequívoca Soberania.
Uma identidade cultural
é construída ao longo
do tempo com a soma
de erros e acertos dialogando
com a História, com o lendário,
com tudo aquilo que pode vir
a ser por cada um descoberto
e saudando até o Quero-quero.
A Cultura de um povo
deveria ser tratada como sagrada,
e não ser tergiversada
para a finalidade de dominação,
tentar diminuir ou tirar a Cultura
de um povo é deixar ele sem chão,
é furtar o brilho dos olhos,
a ternura do coração e tirar
a esperança perene de construção.
O gaúcho desde o mais pequeno rincão conhece as suas
histórias farroupilhas,
conta os butiás que caem do bolso,
sabe da lenda amorosa de como
nasceu o primeiro gaúcho,
canta e dança para honrar a tradição
e não será ninguém que vai ditar
como o gaúcho deve celebrar ou não.
O teu desejo por
muito tempo
não vai resistir,
Teu peito intenso
está a queimar,
O meu veneno
é alucinante,
Sou coral-de-fogo
a te capturar,
As tuas defesas
vou incendiar,
No meu recife
você vai habitar.
O tempo às vezes
se parece com
o Hydnophora
que se espalha, vence
e devora sempre
tudo aquilo que toca,
E para resistir
é preciso de muita poesia
para fluir, para viver,
deixar fluir e deixar viver
para tudo aquilo que há
de mais singular em nós sobreviver.
Num tempo distante,
na profundeza do mar,
esplende um fascinante
Seriatopora caliendrum
brindando o olhar
admirado como se fosse
presenteado pela primeira
vez com um buquê na vida,
Não tenho dúvida que isso
tem a ver com o quê é poesia.
Quando olhei pela primeira
os teus olhos resolvi morar neles,
esperar o seu tempo de amar,
ocupar os seus sonhos nesta
época de amores célebres
e de amores anônimos
ambos igualmente líquidos.
Peguei a sua mão para fazer
você mergulhar comigo
no nosso oceano poético,
buscar refúgio no meio
da beleza das acroporas meridianas
e te colocar dentro do peito.
Tenho certeza que a glória
do amor vitorioso nos pertence
de maneira inequívoca
mesmo que preguem que o amor romântico está derrotado,
nós temos um ao outro
com devotamento apaixonado.
Na cesta encantada
feita de Arumã onde
guardo a memória
de um tempo de glória
Busquei o meu colar
de escamas de Pirarucu
trançado com Tucum
para me enfeitar
e contigo fazer História,
Seremos um do outro
porque com a tinta
do destino o amor
está escrito e consagrado
com festa e a poesia inevitável
sob o desígnio do Universo
com romantismo imparável
que abriram caminhos
para o encontro o interminável.
As flores azuis do tempo
se abriram roçando
na pele e o Sol também,
o meu nome na sua boca
ainda há de ser o hino
mais bonito ser ouvido
até por quem não sabe
que na sua vida eu existo.
A minha bolsa, o leque,
o chapéu são feitos
com palha de Carnaúba,
e dia e noite desenho
rotas para me tornar tua.
Trancei duas pulseiras
de palha de Bananeira,
uma é minha e a outra é tua,
de alguma maneira
quem sabe vou encontrar
a chave para te despertar
e fazer-te sonhar com os olhos
abertos com o tempo de amar.
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