O que as Pessoas Querem que a Gente Seja
Tem dias que dá preguiça mesmo de viver. A gente olha pra própria vidinha mais ou menos e se pergunta: o que, diabos, eu estou fazendo aqui? A resposta, a gente não consegue dar. Mas tem dias que simplesmente não dá. Não dá pra acreditar no futuro, no presente e desconfiamos até mesmo do passado. Tem horas que a gente parece estar no meio de um pesadelo (ou no meio de um sonho bom que nunca vai se realizar). Tem dias que não dá pra acreditar que a Xuxa usa hidratante Monange, que a Gisele Bündchen usa Pantene e que a Carolina Dieckmann tem dentes sensíveis. Chega uma hora que a realidade te espreme num canto, te dá um tapa na cara e te pergunta: o que é que você está fazendo aqui?
Pregui de gen
Preguiça do mundo, preguiça de gente. Preguiça de mim.
Vontade de não me relacionar com humanos por uns dias. Bichos, tudo bem. E eu, que de mim não posso fugir. Quero ficar louca e solta, e não pentear o cabelo, e deixar a barba crescer. E meditar. E escrever. E respirar. E só comer frutas. E renascer.
Pra depois me acabar toda de novo, nesse ciclo shivariano que faz o mundo terminar e recomeçar a cada dia. Tem mesmo essa coisa Fênix. Não sei ainda porquê sempre tenho que me desfazer, me arruinar, ir até o fundo de tudo pra acordar no dia seguinte e renascer das cinzas. É como ter que ir até o inferno só para ter algo pra comparar com o paraíso.
Ser presidente é como administrar um cemitério. Há um monte de gente embaixo de você, mas ninguém escuta.
... mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço...
Acho que é isso que falta na vida da gente: mais palavras bonitas e menos cara feia. Mais olhares sinceros e menos grosseria. Mais sorrisos cúmplices e menos palavras duras. Mais educação e menos pressa. Mais respeito e menos julgamento. Mais humanidade e menos falta de respeito. Mais doação e menos egoísmo. Mais mãos dadas e menos individualidade.
Quando a gente chora,
os olhos incham,
mas são purificados,
O coração sangra,
mas fica aliviado,
O nariz entope e
a alma dói,
mas nos sentimos
renovados!
Tenho murchado imperceptivelmente toda vez que gasto meu tempo com gente que não me acrescenta, que me suga. É essa maldita vontade de ser gente boa que acaba comigo. Parece que nesses momentos a gente descobre que tem que ser meio egoísta, porque não há nós mesmos suficientes para todo o mundo. Que seja cruel, mas que seja pela minha sanidade: eu me dôo para quem eu acho que merece. Minha atenção, meu sorriso, meu pesar, meu boa noite serão destinados só àqueles por quem eu me interesso. A questão é que meu ouvido não é penico. A questão é que eu não tenho paciência pra gente superficial e chata. E o tempo passa rápido demais. Não é uma questão de ingratidão; é só que a vida urge e eu preciso aproveitar melhor o tempo que me resta.
A jaula é a minha mente, há um tigre feroz preso nela e gente idiota martelando o cadeado noite e dia.
Tem gente que entra na nossa vida de forma providencial e se encaixa naquela história que gosto de imaginar: surpresas que Deus embrulha pra presente e nos envia no anonimato. Surpresas que só sabemos de onde vêm porque chegam com o cheiro dele no papel. Acho maravilhoso perceber o quanto algumas vidas interagem com a nossa de um jeito tão mágico e bonito. Os milagres existem para quem tem olhos que sabem ver a sabedoria e a ludicidade amorosa próprias do que é divino. Do que transcende. Do que escapole da nossa lógica...
A gente, às vezes, se afoba e se abafa desnecessariamente. Os mais lindos bordados da vida são feitos com os fios de delicadeza que respeitam a sabedoria amorosa do tempo do coração.
As flores são bonitas em qualquer lugar do mundo,
Muita gente tem forma, mas não tem conteúdo,
Eu não sou alienado, eu não vivo esse absurdo,
Eu conheço o fim da linha, eu renasci do submundo,
Eu mergulhei fundo, tomei de tudo pra tentar chegar ao fim
De um poço de um mundo sujo.
O tempo voa
Quando se ama e nem notei a semana passar
A vida começou
No dia em que a gente se encontrou
E o tempo parou
A gente é certo um pro outro, mas é errado pra ficar junto. A gente não se merece, não combina. Mas, sei lá, não parece certo ficar separado. Do mesmo jeito que parece totalmente errado ficar junto. Tem tudo pra dar certo. Mas é que a gente só sabe fazer dar errado.
Ninguém é obrigado a nos conhecer
por dentro. Além disso, tem o que a
gente é, a imagem que a gente passa e
o que os outros concluem dela.
Não quero que soe petulante o que
vou dizer, mas nem faço muita
questão que as pessoas me conheçam
a fundo. Tem gente que não merece o
nosso coração aberto. Certas pessoas
não precisam conhecer nossa alma.
Porque elas nem vão saber o que fazer
com tanta informação..."
O amor tem certas coisas, que o coração surpreende
Fazendo a gente gostar de quem não gosta da gente
