O Poema eu sei que Vou te Amar Inteiro
Pensamentos
Momento a momento
Um novo pensamento
Um mesmo velho pensamento
É como eu puxasse a algo
Que voltasse sempre ileso
E amarrado em um barbante
Monoideista
Coração egoísta
Lealdade insistente
Isso foi ontem
Tudo aquilo foi antes
Mas eu não posso ser eu mesmo
Sendo apenas eu somente
Se o dia de ontem
Não estiver lá amanhã
Nada vai restar de mim
Além desses pensamentos
Instante a instante
Presos insistentes
A um barbante
Invisível
Sempre ileso.
Edson Ricardo Paiva
Agora
Estou tão distante
De onde eu queria estar
Eu sinto sede
E o meu coração chora
Quando eu tenho você ao meu lado
Qualquer lugar é bom
Eu vejo anjos na noite
Eu colho estrelas no Céu
Escolho até as mais bonitas
Deus sabe o quanto eu queria
Transformar a todas elas
Nas poesias que escrevo
Em todas as poesias
Que eu fiz
Eu queria tanto ter sido feliz
Agora
Eu estou só e distante
E meu coração sente saudade
Pois você era estrela em meu céu
E foi um anjo na minha vida
Perdida
De tanto querer
Eu não soube escrever
A Poesia correta
Que exprimisse da maneira mais concreta
A tudo que eu quis dizer
E disse
Eu queria tanto
Que você soubesse agora
Talvez até que pudesse me ver
E saber
O quanto meu coração chora
E se ele chora
É por você.
Edson Ricardo Paiva.
Impossível dizer
Se foi difícil chegar até aqui
Eu fiz tudo do jeito que era preciso
Até não precisarem mais de mim
Então, de repente
Eu olhei e me vi
Percebi um pássaro sem nome
Cantando uma canção antiga
Um cântaro sem água
Uma toalha de mesa
Desenhada de morangos
Uma longa estrada, que ficou pra trás
Meus passos apagados pelo vento
A cada novo passo
Um telhado, uma casa, um passado
O pássaro bateu as asas
Levando consigo
Aquela bela canção
Tão estranha, tão antiga
Não há tarde, não há festa, não há dança
Um desnível na calçada
Uma queda por distração
Impossível dizer
Se foi difícil chegar aqui
Também não há quem ouvir
Além do som da leve brisa
Entrando pelas frestas do telhado
Melhor deixar de lado
Não precisa.
Edson Ricardo Paiva
Eu sob a nuvem
A nuvem sob o Sol
E o Sol, num Céu que não tem fim
Mas, se existisse mesmo a infinitude
Qual seria a razão
Dessas simples existências
Eu, a nuvem, Sol e Céu
Juntos, nesse mágico momento
Que há de ser mais um, entre muitos
Qual de nós tem mais motivo
Pra estar vivo
Amanhã ou depois?
Pode ser que nenhum
Ou um
Talvez dois
Pequeno pedaço de espaço
Curto traço sem chão
Nem feio e nem bonito
Estranhamente finito
Perante tamanha amplidão.
Edson Ricardo Paiva.
Eu tento uma coisa nova
Invento chamar a chuva
Reclamo quando não chove
E quando chove, também
Eu faço do mesmo jeito
Não me lembro de como ele era
Saio à chuva, depois que ela pára
Reclamo enquanto não chove
Eu tento chamar a chuva
E chove
Eu tenho um jeito novo
Pra fazer as velhas mesmas coisas
Meu melhor modo
É deixar tudo de lado
Da mesma maneira
Um velho pássaro vem
Pousa em meu telhado e morre
Já passou-se a vida inteira.
Edson Ricardo Paiva.
Dizem
Que muita coisa na vida
Não vale a pena
Quando eu ouço isto
Penso nas coisas que conheço
No preço que custou-me a vida
Eu olho pra mim e pras roupas que visto
Penso em cada manhã
Que acordei muito cedo
No jeito que fui tratado
E em cada trabalho bem feito
E até hoje
Ainda não me pagaram direito
E nem sequer agradeceram
Pois conheço a fundo
A solidão e ingratidão
Com que este mundo nos paga
Penso no quanto
Eu aprendi com tudo que passei
Enxergando que cada ser vivente
Possui uma lista de coisas
Pelas quais somente ele há de passar
Pra aprender o valor
Desta vida e do seu viver
Mas somente uma pouca parcela
Descobre que essa história louca
Compensa
E no fim
Dizer o quanto ela foi bela
Pois, por mais que se escreva essa história
No final descobre
Que fizemos apenas parte
Uma pequena parte dela
Mas que viver
Valeu a pena.
Edson Ricardo Paiva
Houve um tempo
Em que eu quis fazer as coisas certas
Pra poder ser visto e aceito
Como um bom menino e bom rapaz
Eu acreditava que se agisse assim
E Deus me visse
Ele iria gostar mais de mim
A vida foi passando
E eu insistia que havia uma boa razão
Pra prosseguir sendo um bom homem
Sem querer ser melhor em nada
Apenas via a cada dia que amanhecesse
Como a uma nova oportunidade
De fazer o meu melhor
Pelo mundo, por Deus, pelos meus irmãos
Hoje eu olho pro mundo
Olho a vida
Olho pra mim mesmo e pra cada manhã
Que foi perdida no meu passado
Percebo que a gente não precisa
Ver a vida como oportunidade
de ser bom ou agradar a ninguém
Na verdade
O mundo não está
Prestando a mínima atenção
Pois o ato de viver neste mundo
Não chega a ser compromisso
Contrato ou obrigação
E as coisas que eu faço hoje
A maneira que faço as coisas
Conduzindo meus próprios passos
Tem de estar de acordo
Unicamente com a minha consciência
E a maneira que eu achar a mais certa
Quando ninguém estiver me olhando
Sem procurar santidade ou atenção
Pois ninguém está olhando mesmo
Pra nada de certo que a gente fizer
Ou deixar de fazer
A não ser que faça errado
Pra ser apontado, julgado, condenado
A solução que encontrei
Pra viver esta vida
É eu mesmo saber
Se presto ou não presto
Sem corar branco ou vermelho
Diante do espelho
Sem jamais e nunca mais
me ater ao julgo de ninguém
...de resto
Eu deixo este mundo de lado e amém
Pois nem a gente e muito menos a vida
Tem que ser bom ou ruim
Ela é só vida
E eu sou apenas alguém
Que não vai consertar
E nem carregar os pecados do mundo
Isso não me dá o direito de piorá-lo
E nem obrigação de fazê-lo melhor
Mas a tudo de melhor que eu puder fazer
Eu o faço pra ficar de bem comigo
Sem esperar aplausos do mundo
Pois, a bem da verdade
Isso é coisa que nunca vem.
Edson Ricardo Paiva.
A chama de toda vela se apaga
E todo vento que sopra
Passa por mim sem ser visto
Mas eu posso ver, sentir e ouvir
As coisas que o vento move
A brisa no rosto
O ruído do sopro
Na alegria da chama da vela
Que faz festa e que dança
Sempre que o vento passar por ela
Sem saber se cera e pavio
Vão poder queimar até o fim
de vez em quando ela chora
E lá fora, feliz a folha balança
Sabendo que o verde amarela
Em seu tempo, toda folha cai
Pode ser que um sopro mais forte
Precipite a folha, apague a vela
A existência da dúvida
Incerteza constante
Vem por graça nesta vida
Bruxuleante, a vela desconhece
Em qual instante
Há de extinguir-se a chama
Senão, nenhum vento
Seria bom o suficiente
Por mais tempo a folha tivesse
Se houvesse certeza
Nada nunca seria o bastante.
Edson Ricardo Paiva
Existe alguma coisa em minha vida
Que eu na verdade
Nunca soube entender muito bem
Parece que em algum momento
Eu devia ter caído em algum abismo
Um lugar que era frio
e não cai
mas deixei por lá uma parte de mim
O difícil em conviver com isso
É que as coisas que ficaram
Eram de lá
Me acompanha o vazio
Não das coisas que perdi
Pois nada nunca me pertenceu
Me acompanha o vazio
Do espaço oco reservado a mim
De um lugar que jamais foi meu
Mas em contrapartida
Aprendi com a vida
Não mais pertencer a um lugar
Nem a nada e nem ninguém.
Edson Ricardo Paiva
Brumas.
Desde que eu estou aqui
Tenho aceitado
A tudo que o destino impõe
Desde menino, assim tem sido
As coisas que tentei mudar e consegui
Só deram certo porque
Meu destino era tentar
Eis aqui todo sentido
Desde o primeiro colo
À derradeira queda ao solo
Desde a primeira hora
Mesmo não concordando
Pois de vez em quando
Todo mundo se revolta
Porém, cada volta que o mundo dá
Cada prece escrita
Cada coisa que achei bonita
Estava lá para eu vê-la
Alguma coisa as põe no caminho
Assim como estrelas no céu
Que todos veem
Porém, tê-las não se podem
Aparecem sempre as brumas
Que vem do nada e as escondem
O destino nos quer assim
Assim como quer que não queiramos
Isso nos molda
Como as peças de um quebra cabeças
Onde tudo se encaixa
Quando a gente acha
Uma ou outra parte
Destarte nunca acharmos outras
Pois pra isso existe o tempo
Que parece curto, que parece longo
Porém, jamais outra peça
Apesar de ser
Ele faz parte do engano
E da arte de viver
Desde a primeira vez
Que nossos pés tropeçam
E aprendemos nos reeguer
Sem que o mundo estenda a mão
Minh'alma, que um dia foi tola
Se molda, se encontra, se encaixa
Em meio à uma imensa engrenagem
Entre o pássaro e a semente
Entre a folha e o vento
Entre o homem e Deus
E a revolta e a escolha
Entre a estrela e a paisagem
Entre a vida e o momento
Cada volta do mundo sem conta
Faz parte do engano do tempo
Que parece curto, que aparenta andar mais lento
e faz parte do jogo...e está contando
desde que eu estou aqui.
Edson Ricardo Paiva
Prece sem Razão
Não sou o dono de qualquer verdade
Nem senhor jamais eu fui
De nenhuma vontade, além das minhas
Eu não tenho aquele olhar que exclui
Não é minha a voz que manda
Tenho os sentidos que ouvem
E olhares que veem
Não faço parte do grupo que tinha ou que tem
Enfim
Sei que fica tudo sempre tudo bem
Porque as coisas são assim
Se olhar direito e prestar atenção
A voz da ilusão não combina com ela
Fica sempre aos mais atentos
A velha impressão que essa voz não vem dela
Uma das duas é bela, outra não
Não sou dono de qualquer verdade ou senhor da razão
Sigo a voz dos ventos sussurrando em meus ouvidos
Fecho os olhos pra enxergar sentido
Porque sei que as coisas são assim
E que, apesar de tudo
Tudo fica sempre tudo bem
Porque é assim que as coisas são
Razão, verdade, ilusão ou sentido
Antes, nunca tinha me sentido assim
Até que um dia percebi
Que a voz da ilusão
Junta gente em multidão e grita em frente à praça
Enquanto a voz dos ventos me procura
Quando estou na mais completa solidão
Na hora escura da vida
Numa prece humlide, na beleza mais bonita da verdade
Na simplicidade da oração
E cura a dor sentida, num sorriso de alegria
Carrega a tristeza que eu tinha
E tudo fica sempre tudo bem
Porque não sou dono da vontade de ninguém
Além das minhas
Sinto-me em paz
Me encontro em mim
E fica tudo sempre tudo bem
Sem qualquer necessidade de que exista uma razão.
Edson Ricardo Paiva.
Eu não compreendo o que se passa
Quando percebo
que pequenas coisas que me emocionam
Para a imensa maioria
Não tem e nunca terão
A mínima importância
A chuva durante uma tarde de verão
A nova versão de uma canção antiga
Uma pequena vitória
de qualquer pessoa amiga
O mendigo que sorri para você
Agradecendo a graça dividida
A tristeza inexplicável que eu sinto
Quando termino de ler um bom livro
A insustentável sensação
de ser e não ser livre
A vontade de saber voar
Contrastando com o medo de altura
A doçura do sorriso
daquela pessoa desconhecida
Que posou despercebida
Numa foto antiga da família
A saudade de amigos ausentes
O gosto de pitanga
Que a memória gustativa
Traz à boca
Eu posso sentí-las nos dentes
As plantinhas que nasciam
Nos cantos dos jardins
Nas escolas da minha infância
Incríveis coisas invisíveis
Que enxergava e ainda enxergo
Não é possível que os demais
estejam cegos
À ver
O ódio, o desprezo e a indiferença
Que dividem entre si as pessoas
Eu prefiro a companhia dos pássaros
Prefiro parar por aqui
E viver apenas de lembrança
À ver
O que está se tornando este mundo
E como são falsas e fingidas
As relações mais sinceras
Eu prefiro a companhia das feras
Prefiro relembrar o que esqueci
E viver mais uma vez de esperança
À ver
No que se tornaram as relações humanas
dizendo, pensando e fazendo
As coisas mais absurdas e insanas
Eu prefiro a companhia das iguanas
Esquecer que também sou gente
Viver de me esconder somente
À lembrar
de como as coisas um dia foram boas
Eu queria a companhia das pessoas
Que não sei aonde foram parar
Talvez tenham previsto antes que eu
descoberto o que foi que aconteceu
e fugiram, nem me avisaram
Talvez estejam todos brincando de enganar
fingindo ter perdido a humanidade
Mas, meu Deus
Se não for de brincadeira
Se este Mundo de agora é mesmo de verdade
Me leva embora, Deus meu
Na primeira oportunidade!
Eu quero viver
Num mundo sem muro
Eu quero que o espírito das árvores
Nos eduque
Andar em tapetes de flores
Eu quero caminhar num mundo
Em que hajam pedras
Porém, que meus pés não se machuquem
Eu quero apenas
Companhias inocentes
Cientes da noção
De que raizes, estrelas e corações
Originam-se das mesmas matrizes
tem todas a mesma matiz
Luzes que decantam
Sob o prisma da sabedoria
Que abrange e há de abranger
A imensa maioria
Que caminha sob o mesmo Céu
e sob O Mesmo Olhar Complacente
de Constelações
de Astros e de Gente
Às vezes, muitas vezes
Eu sinto uma imensa, muito imensa
Muito imensa mesmo
Uma saudade imensa, bem maior
Do que muita gente pensa
E penso nele, penso e me pergunto
Por que é que a gente repete e repete
e repete tantas vezes o mesmo assunto?
Quanta coisa a gente tinha pra dizer
e não disse...
Queria que ele me visse agora
Queria que ele me dissesse
Que sentiu a minha falta
Queria que ligasse pra mim
Qualquer hora dessas
Queria conversar um dia
Sem pressa
Ou gente por perto pra apressar a gente
Um dia o tempo acaba
Um dia um de nós dois se vai
Nunca se sabe
Queria dizer
Pai, meu coração é bem pequeno
Mas você ainda cabe.
Eu tenho uma caneca de café
Que traz um sorriso pintado
Se eu me sinto aborrecido
Olho pra ela; não há como ignorar
É um sorriso daqueles sem paga
Parece até que perdi o juízo
Mas é que sou tradicional
sou fiel, metódico e sistemático
Gosto de ler os mesmos jornais
As mesmas revistas e todas as bulas
Preservo há anos o mesmo emprego
Os mesmos amigos e o amor da mesma mulher
Faço as coisas do mesmo jeito
Toda semana
E tomo sempre outro café
Na mesma caneca que traz
Um diferente sorriso
Estampado na mesma porcelana
Um sorriso meio de lado
Meio ingênuo e meio malandro
Meio bucólico e meio assim...
rindo de mim
Mas ainda é um sorriso
Quando ninguém sorri pra mim
Ela está lá
Me esquecem os amigos
Briga comigo a mulher
Tenho problemas no trabalho
Ficam com raiva de mim
aqui em casa
Eu abro o armário
E ela está lá; sorrindo
Minha única amiga de fé
Me estende sua única asa
E me convida pra um café.
Sandra
Outro dia eu sonhei
Com uma casa que a gente morava
Onde você, desde pequena
Acordava, fazia sorrir e sorria
Mas sempre havia um dia
Em que você estava brava
Eu ria, chamava a Patrícia
E a gente brincava
Outro dia eu passei lá em frente
A alegria se foi
Nem vale mais à pena passar lá
Os jardins estavam mal cuidados
A pintura desbotada
A casa não lembra em nada
Aquilo que foi um dia
Quem vê nem imagina
Os dias de alegria
Qua a gente viveu por lá
A vida sempre prossegue
A gente fica assim
de coração vazio
Como ficou vazia a casa
Hoje em dia
Acho que a gente nem mais consegue
Voar com aquelas asas
Mas, meu Deus...como eu queria
Brincar com a menina em fraldas
E ver brilhar
Aqueles olhos cor de esmeralda
Que quando me lembro, eu rio
Diferente daquela casa
Só de lembrar
Meu coração não é mais vazio.
Hoje em dia não posso mais
Correr como eu corria
Se eu tentasse
Tenho certeza
Que com o tempo
Recuperaria o meu fôlego
Perderia esse jeito
Trôpego de agora
Não vejo razão pra isso
Não há mais com quem correr
Aqueles amigos partiram
Os meninos que corriam
Se foram todos embora
Não saem mais para brincar
Parece que me esqueceram
Inventaram uma brincadeira
de esconder
Em que a gente procura
E não encontra
Entraram num túnel
de onde ninguém sai
depois que entra
E eu fiquei aqui
Sentado à sombra da saudade
Privado da liberdade
de rir como a gente ria
E a cada amigo que partia
Uma parte da minha vida
Consigo eles levaram
Ou será que ainda estão lá
Esses pedaços?
Em cima de árvores que cortaram
Ruas de terra que asfaltaram
Bicicletas que enferrujaram
Nos planos que a gente fez
e eles não viveram
Pra cumprir
Foram viver em outros mundos
Outros planos, outros níveis
Às vezes eu os sinto aqui
Ninguém vê, só eu os vi
Pois hoje eles são apenas
Meus amigos invisíveis.
Certas palavras
Algumas visões
Muitas coisas
Das quais eu pouco entendo
Em determinadas situações
Tem me feito muito mal
Sendo a Humanidade uma só
Mesmo assim
Nem todo mundo é igual
E as coisas que a gente vê
Fazem saber
Que conhecimento é armadilha
E quem julga possuir
O conhecimento como um todo
Está fadado a grande engodo
Em muitos casos
O ardil mais preciso
Se esconde num simples sorriso
A mentira mais sem noção
Muita gente usa quando diz
Que traz você no coração
São coisas que a gente escuta
de gente pra lá de astuta
Que traz grandes inverdades
Em algo chamado amizade
Faltam muitos sentimentos
Que sejam
Realmente nobres
Como em qualquer regra de três
As grandezas não variam da mesma forma
Mas de minha parte não são
E nunca serão
Inversamente proporcionais
Muita gente acha normal
Mas a mim faz muito mal.
Eu vi a luz que se apagou
Eu vi a morte flutuar no espaço
Algo ali surpreendeu
E fez com que de repente
Eu pensasse não ser eu
Eu vi o homem que galgava
Cada degrau daquela escada
A caminhar pro cadafalso
E cada passo dado em falso
Era uma aproximação verdadeira
Do seu derradeiro laço
Eu ouvia todos os hinos
Louvando e glorificando
A condenação simples e pura
de todos os juízes
Traídos, em suas sentenças
Atrelados e atados
Às duras barras, onde amarraram
Lado a lado
No lodo dos tribunais
Com sua justiça de barro
Eu vi a cara da fome
e suas irmãs, felizes
Eu vi sete celeiros cheios
Para alimentar sete juízes
Eu vi caírem
Todos os governos deste Mundo
Num lapso de tempo
Que não durou
Mais que um segundo
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