O Poema eu sei que Vou te Amar Inteiro
" LEVANTA "
Levanta-te que é, pois, chegada a hora
de te encontrares com a escolha feita!
Não há mais tempo algum para a desfeita
de te esqueceres de quem és agora!
Assuma a sina na paixão aceita
e siga o instinto teu na estrada a fora
sem medo de que o sonho parta embora
por outra insensatez, em tua alma, aceita.
Te ponha em pé pra dar sequência à vida
em toda a história que há, nela, contida
sem mais delongas nem protelações…
Sem medo mais, levanta! É hoje o dia!
Sem decisões o amor se perderia
na longa estrada de tuas ilusões!
" OFERTADO "
Serviste, em puro cálice, o veneno
do teu desejo incauto e sem juízo
e foi o amor que viu-se em prejuízo
sem ter, da despedida, um leve aceno.
Sorvi-lhe o conteúdo num sorriso
bebericando o sonho, leve, ameno,
e toda a dor cruel que agora enceno
me vem do ir contigo ao paraíso.
Sequer tivestes pena ou compaixão
ao me envolver, incauto, na ilusão
de que seria mais que um mero instante…
Bebi todo o veneno me ofertado
no anseio meu de amar e ser amado
sem me atentar a tudo o mais restante!
Um resto de hora
varre os telhados
em despedida.
Como outros calendários
sucumbiram
em outros quartos de hotel.
Idêntica mentira: a noite
alonga o corpo da fera
no escuro das velhas ruas.
A viagem termina. O dia
fecha os olhos á própria água.
Devagar: sem protocolo.
Sentado junto ao fogão
cúmplice da lenha que arde
assisto ao pé do fogo
os brotos infindáveis.
Observo chamas saltadas.
Sorvo delas um líquido boreal
derramado para cima.
As brasas me contam histórias
que logo esqueço.
Envelope em bolhas de silêncio.
De manhã:
gosto de amora na boca
o vermelho selado
na ponta dos dedos.
Das cores
saem os pensamentos.
Quintal de quatro bicos:
meu segredo habita as pedras
cada uma com sua voz
no bater as coisas.
Posso dividir em quadrados
os barulhos do mundo.
Sentado na soleira de casa
(sombras suicidas sob os pés)
os dedos pensam em nada:
desenho fresco na terra.
Os maiores vêm a frente
trazendo a cabeça erguida
E os fracos, humildemente
Vêm atrás, como na vida.
Quando a vida enfim me quiser levar
Pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar
No derradeiro beijo seu
E ao sentir também sua mão vedar
Meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar
Num acalanto de adeus
Dorme, meu pai sem cuidado
Dorme, que ao entardecer
Teu filho sonha acordado
Com o filho que ele quer ter.
Passa, tempo, tic-tac
Tic-tac, passa, hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora
Passa, tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora
Que já estou
Muito cansado
Já perdi
Toda a alegria
De fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac...
As coisas devem ser bem grandes
Pra formiga pequenininha
A rosa, um lindo palácio
E o espinho, uma espada fina.
A gota d'água, um manso lago
O pingo de chuva, um mar
Onde um pauzinho boiando
É navio a navegar.
O bico de pão, o Corcovado
O grilo, um rinoceronte
Uns grãos de sal derramados,
Ovelhinhas pelo monte.
Não teve flores
Não teve velas
Não teve missa
Caixão também...
Foi enterrado
Junto à maré
Por operários
Mesmos do trem...
A flor de orvalho
Pendeu da nuvem
E pelo chão
Despetalou...
O céu ergueu
A hóstia do sol
E o mar em ondas
Se ajoelhou...
Cortejo lindo
Maior não houve
Do que o da morte
Desse amiguinho:
Iam vestidas
Com a lã das nuvens
Todas as almas
Dos carneirinhos!
Os gaturamos
Trinaram hinos
No altar esplêndido
Da madrugada;
E o vento brando
Desfeito em rimas
Foi badalando
Pelas estradas!
" COMPROMISSO "
Em toda história existe, mascarado,
um compromisso de fidelidade
que deveria ser: felicidade,
amparo, proteção, prazer arfado…
Ninguém se envolve nele, de verdade,
se amor a dois não fôr, ali, firmado
deixando o ego, a crença em si, de lado
pra se entregar inteiro e com vontade!
Procura-se o acordo conveniente
que faça o par ficar, nele, contente
e satisfeito com a vida a dois…
Um compromisso, mascarado, existe
que, a tudo o mais, por ser amor, resiste
sem pressa pro que mais virá depois!
" FOI-SE "
Já teve um tempo que, hoje, é só passado
em que tudo era charme, era elegância,
com romantismo em voga e na fragrância
de um puro amor que, agora, é ultrapassado.
Não foi um culto ao belo! A circunstância
nos era de pós-guerra e o resultado
pedia amor ao mundo estraçalhado,
a paz, toda harmonia, a tolerância.
O olhar nos era ingênuo e inocente;
queríamos, apenas, ir em frente
sem carregar os medos lá de outrora…
Por isso que a beleza era evidente:
o amor se punha em tudo, displicente…
Perdemos disso tudo! Foi-se embora!
Saudades de mim
Quando ria sem fim
A alegria fazia morada
E viver, era uma bênção aproveitada.
Saudade da minha inocência
De Minh 'alma plena
Sem nenhum resquício de maldade ou do
pecado que me envenena.
Saudade da minha criança
Das boas lembranças
Das feridas rápidas curadas
E da contentação com o que tinha em casa.
Saudade do meu coração
Quando era inteiro
Sem cicatrizes ou medos.
" INVEJA "
Na boca não lhe amarga a nicotina,
mas, sim, o fel da inveja ali sentida!
Julgara que a paixão fôra, em partida,
e que voltara a armar à própria sina!...
Sua alma, machucada, ressentida
perante a solidão, tão pequenina
lhe impulsa essa vontade má, ferina,
de dar vingança a tal paixão perdida.
O olhar propaga o fel que está presente
no sentimento incauto que, ora, sente
e já não faz segredo de que existe…
A nicotina não lhe amarga a boca,
mas essa inveja, intolerante, louca,
que, sem olhar pro tempo, ali persiste!
Não tenha medo de perder nada
- sejam pessoas ou coisas.
Em um dia qualquer,
você perderá sua vida, seja no apagar
das luzes ou no acender delas.
Ela sorria demais
Até que mandaram ela parar
Ela amava desenhar
Até que ela não tinha mais inspiração
Ela gostava de ler
Até que ela fechou o livro
Ela amava '' sentir o amor''
Até que ela ficou sem uma válvula do seu coração...
Ela ainda escreve
Só que como vou dizer pra ela, que o lápis
Já está no fim também?
Chorar? Não consigo mais.
Meu rosto permanece impassível.
Em mim, há um grito invisível tentando escapar.
Uma dor implacável buscando cura.
Um vazio desesperado para ser preenchido.
E um desejo insistente de que a morte chegue
e leve consigo essa sensação de incapacidade.
" LUZ "
Sou velho! Não me dão mais atenção.
Sou tido por artigo ultrapassado
sem credibilidade, descartado
por não ter serventia ao uso, então!
Ficou tudo perdido no passado
aos olhos desta nova geração
que, do que recebeu, não faz questão
nem sabe sobre o chão que eu fiz pisado.
A luz do meu viver não lhes ajuda,
não traz saber, não cria e nem desnuda
a essência do saber que crêem morta…
Não tenho da atenção. Sou velho, agora!
A luz que trago, querem que vá embora
pra, enfim, poderem mais fechar-me a porta!
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