O Poema eu sei que Vou te Amar Inteiro

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Enigma

Nada mais vai chegar.

Mas também o verão – e tudo o que tem nomes tão bons
quanto “veraneio”–
nada mais vai chegar.

E não hás de chorar por isso,
diz a música.

Nada
mais
foi
dito.

Inserida por pensador

No Mapa

Pelo litoral
ficou
de norte a sul
nagô.
Ficou no Recife:
xangô.
Na Bahia ficou:
candomblé.
No Rio grande é o que?
– Batuque, tchê.

Filho de santo
de bombacha,
Ogum
comendo churrasco:
jeito
gaúcho
do negro
batuque.

Inserida por pensador

Sou

Sou a palavra cacimba
pra sede de todo mundo
e tenho assim minha alma:
água limpa e céu no fundo.

Já fui remo, fui enxada
e pedra de construção;
trilho de estrada-de-ferro,
lavoura, semente, grão.

Já fui a palavra canga,
sou hoje a palavra basta.
E vou refugando a manga
num atropelo de aspa.

Meu canto é faca de charque
voltada contra o feitor,
dizendo que minha carne
não é de nenhum senhor.

Sou o samba das escolas
em todos os carnavais.
Sou o samba da cidade
e lá dos confins rurais.

Sou quicumbi e Moçambique
no compasso do tambor.
Sou um toque de batuque
em casa gege-nagô.

Sou a bombacha de santo,
sou o churrasco de Ogum.
Entre os filhos desta terra
naturalmente sou um.

Sou o trabalho e a luta,
suor e sangue de quem
nas entranhas desta terra
nutre raízes também.

Inserida por pensador

Cabelos que Negros

Cabelo carapinha,
engruvinhado, de molinha,
que sem monotonia de lisura
mostra-esconde a surpresa de mil
espertas espirais,
cabelo puro que dizem que é duro,
cabelo belo que eu não corto à zero,
não nego, não anulo, assumo,
assino pixaim,
cabelo bom que dizem que é ruim
e que normal ao natural
fica bem em mim,
fica até o fim
porque eu quero,
porque eu gosto,
porque sim,
porque eu sou
pessoa negra e vou
ser mais eu, mais neguim
e ser mais ser
assim.

Inserida por pensador

Ser e Não Ser

O racismo que existe,
o racismo que não existe.
O sim que é não,
o não que é sim.
É assim o Brasil
ou não?

Inserida por pensador

O tempo passou
O amor diminuiu
Oque um dia foi lindo
O nevoeiro encobriu

E um sentimento forte e persistente
Quando me deito na cama
Você vem na minha mente

Mas eu não vou começar a chorar
Como tudo na vida
Isso tende a acaba

Então no final
Deixarei de estar mal é ficarei bem
Mesmo amando você como nunca amei ninguém

Inserida por kleysonrivem

pelos grandes bulevares

[do lado de dentro]

o que ela vê quando fecha
os olhos? linhas sinuosas, um mapa
feito à mão, parece uma pista vista de cima –
os campos cortados ou poderia ser
uma sombra riscando o verde quando passa
lá no alto.
o que ela vê quando
olha em linha reta tentando
descrever
a garota que conheceu no café?
a transformada de
wavelets ou um peixe-lua-
-circular em uma região abissal.
não é nada abissal
estar nesta superfície,
você quis dizer de vidro? esférico?
ou um animal marinho em miniatura:
um polvo de 1 mm?
o cinema é 24 vezes
a verdade por segundo. este segundo
poderia ser 24 vezes a cara dela
quando fecha os olhos e vê.

[de fora]

não é por falta de repetição, mas não
encontrava a palavra exata.
o que ela vê não sabe e tudo fica tremido
se fast forward.
agora fecha os olhos para
entender, para ir mais
devagar.
não se perde alguém por duas
vezes, era o que achava
mas a essa altura chego no mesmo terminal
duas semanas depois e a cena se
repete.
– você está tendo um problema
de realidade, ele cochichou.
– qual é o desastre desta vez?
o que ela vê ao abrir a
claraboia? ao bater aquela foto da
ponte ou quando lê
a legenda:
“nos abismos a vida é submetida
ao frio, escuridão, pressão.
oito mil metros de profundidade”
uma montanha
ao contrário.

Inserida por pensador

Desalento

De tristeza minh’alma está completa;
A sentir furadas de espinhos;
Na noite em que me sinto sozinho;
Revendo conversas trocadas com você.
Na impossibilidade de ter, caminhei na contra mão do destino, E agora, eu dissipo meus sentimentos sozinho, escrevendo em folhas;
Pensando em você.

-Wesley Giovanny

Inserida por wesleygiovanny

gosto da segurança de criar
raízes em solo firme
mas não significa
que não possa me podar
para florescer em outro lugar

Inserida por acpp

É no barulho do silêncio
E no silêncio da multidão
Que posso ouvir você
Cantando uma canção

É recitando uma poesia
É conversando com a solidão
Que descubro que uma heresia
Pode ter perdão

É vivendo sem vida
É chorando sem lágrimas
É voltando sendo ida
É perdoando com mágoas

Vou vivendo sem sentido
E sem sentimento
Com tristezas
Mas também com alento

Ah, se por um momento
Ela me notasse de verdade
O meu pensamento
Se encheria de vaidade

29/08/2019

Inserida por Paiva

Por que?

Porque...
Uma simples palavra
Que todos buscam
e poucos acham

Por que...
Tenho que sofrer?
Por que...
Tenho que não te ter?

Por que...
Não sei o porquê?
Por que...
Tenho que amar você?

É uma dúvida permanente
Que não sai da minha mente
É um amor inconsequente
Que não posso vê-lo indo em frente

Mas a vida é assim
Nem todos os amores
Vão até o fim
Nem todos passam de dores

Amar não é apenas querer
É também sofrer,
É querer deixar de viver sua vida
E sair em uma viagem só de ida

Apenas os dois
No fim do mundo
Onde tudo vai acabar
Menos o sentido de amar

Amar,um verbo difícil de conjugar
Amar,um verbo fácil de conjugar
Difícil mesmo é equilibrar
Por quê? É o que vou perguntar

Porque...
Simplesmente queria saber
Como te esquecer
Fácil é dizer

Amor antigo com amor novo se esquece
Apenas quando o antigo não lhe merece.
Quando o amor antigo foi de verdade
O novo não acaba nem com a metade

Não sei o porquê
Simplesmente não vou ligar
O tempo vou esperar
Para essa dúvida tirar

Inserida por Paiva

LUZIR D’ALVA (soneto)

Ao luzir d’Alva, no cerrado, a saudação
Ipês, buritis, lobos guarás, doce melodia
Ó que feitiços traduzidos em tal sinfonia
Enchendo o olhar de espantosa sedução

Ah! que rico sertão! ai! que rico sertão
Viste meu pranto e também a alegria
Ó árido chão, de horizonte em ousadia
Cheios d’água, meus olhos, pura emoção

Vendo-me em prantaria, ao vir a aurora
Rubra... A voz da natureza já acordando
Abarrota de contos a algibeira da poesia

Ah! que linda hora! ... ai! que linda hora
E o alvorecer, na fugacidade vai passando
Bordando encanto, no raiar de mais um dia...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
07/01/2020, 05’25” - Cerrado goiano
Olavobilaquiando

Inserida por LucianoSpagnol

A Coxia




Palco vazio.
Atores na coxia.
Começa a peça,
Donde antes não havia.
Primeira cena. Na ribalta se exibiam.
Atores interpretando. Plateia, aplaudia.
Sonhos. Queremos sonhos. E por peça isso acontecia.
Fecham-se as cortinas. Todos juntos na coxia.
Uma apertava o vestido. Outro, o script relia.
abrisse e as cortinas. E no palco subiam.
A plateia fascinada. Nenhum barulho faziam.
E a peça prosseguia. Quando o cair da lona.
Toda berlinda aparecia.
Se o que era caixa. Ribalta. Não se sabia.
Misturava-se tudo coxia, araras, atores roupas e bijuterias.
E o povo nada entendia.
Sonhos , precisamos de sonhos. Era o que queriam.
E o canastra. Que sempre queria aparecer.
Improvisou um texto. Para a peça socorrer.
E chamava também a plateia, para o teatro vir fazer.
Se subia no palco, tanta gente. Como nunca se viu.
Em certo momento? Não sabia. O que era coxia,
Caixa, plateia ou rouparia.
Todo mundo falando, todo mundo reclamando , todo mundo improvisando.
E ninguém mais se ouvia.
E da plateia se ouvia. Os sonhos, cadê os sonhos?
E pouca coisa de bom se fazia.
Fecham-se as cortinas.
E os atores saiam. A plateia não via.
E teatro esvaziou.
Era muita realidade encenar. E repetidos fatos para sonhar.
E a peça, divida. Só duas partes encenou.
A parte por detrás da coxia. E a parte, onde toda a plateia via.
Não entendendo nada. Foram o teatro esvaziando.
E o sonhos. Queremos sonhar.
O teatro estava fechado, para nova coxia arrumar.



Marcos fereS

Inserida por marcosviniciusfereS

POETANDO O VENTO (soneto)

Melancólico, gemem os ventos, em secas lufadas
No cerrado do Goiás. É um sussurrar de ladainha
Em tal prece, murmurando em suas madrugadas
Do planalto, quando a noite, da alvorada avizinha

Sussurros, sobre os galhos e as folhas ressecadas
Sobre os buritis, as embaúbas, e a aroeira rainha
Que, em torpes redemoinhos, vão pelas estradas
Em uma romaria, lambendo a sequidão daninha

Bafejam, num holocausto de cataclísmica rudeza
Varrendo os telhados, o chão, por onde caminha
Em um cântico de misto de tristura e de euforia

E invade, o poema, empoeirado, com sua reza
Tal um servo, em súplica, pelo trovar se aninha
O vento, poetando e quebrando a monotonia...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
10/01/2020, 05’35” - Cerrado goiano
Olavobilaquiando

Inserida por LucianoSpagnol

O moleque da quebrada
teve que sair para trabalhar
cedo, procurar emprego,
Para sua família ajudar a sustentar.
O pai abandonou a mãe com três filhos pequenos para criar.
Faltava comida,Na casa não tinha nada, nem teto paredes ou chão, ali avia somente um colchão, muito amor e esperança de tudo um dia melhorar.
E o moleque da quebrada Que não arrumava emprego não arrumava nada, dele aos poucos foi tirado o pra ser de criança.
Não podia estudar, não podia brincar, no coração só levava ódio e ganância.
Com tão pouca idade o moleque da quebrada encontrou um cara, que dizia ter soluções para todos os seus problemas.
No fim do primeiro trampo chegou em casa com dinheiro para uma comida decente, e jurou para a mãe que a partir dali tudo iria melhorar.
Depois de uns corres vivia cheio dos malotes, e os amigos que se dizia praça cresceu o olho. Não via o que ele passou, ou o que tem passado.
A inveja é uma doença irmão, que cega os olhos, tampa os ouvidos e petrifica o coração.
O moleque da quebrada mais uma vez foi em cana, apanhou da polícia e foi parar no jornal, " adolescente de apenas 17 anos é preso por tráfico de drogas."
Brasil meu Brasil, pátria amada e idolatrada por uns e odiada por outros, como podes ser tão cruel com alguém que foi movido pelas circunstâncias,
O mundo do crime é mais rápido, prático, fádico e instável.
Porém como poderia o moleque da quebrada ver sua família morrer de fome e ninguém fazer nada?

Inserida por kelly_batista_de_lima

Abstinência do amor

Um dia encontrarei um amor tão verdadeiro e tão intenso que jamais duvidadei de sua veracidade.
Pois o amor é relativo de quem ama.

É como uma droga viciante que não se consegueviver sem, e aos que se decepcionaram a fase da abstinência é a pior, ainda se tem sede de amor, mas tem medo de amar.

Um dia eu encontrarei um amor verdadeiro para chamar de meu,melhor do que conto de fadas, conto real.

E se esse dia não chegar, eu me amarei tão intensamente que não sentirei mais a dor da abstinência de um amor, eu serei meu amor.

Inserida por kelly_batista_de_lima

Menino Rei

Que chora quando rala o joelho
Que ora ao pé de sua cama
Que ama sem medo, sem receio.
O menino rei da coroa branca.

Aquele que limpa o catarro na manga
Que conversa com ele mesmo sem ele mesmo perceber
O que encontra grandeza no que é pequeno
Menino rei, que vive em seu próprio olhar.

O menino que mente por temor
Mas perdoa sem demora.
Que mesmo tão pequeno sente o mundo
E na menor prova de amor seu sorriso flora.

Ele se apreça a crescer
Sem saber que é ele que faz o tempo passar.

Assim,
Ele vai desenhando...
Até acabar o espaço na folha branca.

Inserida por Hector17

Ao pé dum calvário

De uma rosa, uma pétala pendia inerte
E, incerta, murmurava então: "Será que vou?"
Súbito veio o vento, e a pétala lá voou,
Abandonada às dúvidas que o medo verte.

Dir-se-ia que, naquele terrível cenário,
Repousara ela, tímida, ao pé de um calvário.

Inserida por jao_jaojao

O código da felicidade

O código da felicidade tu já tem:
Olhe para cima e para baixo também!
Veja do seu lado o teu próximo,
agradeça a Deus o que Ele deu em acréscimo...

Repare no espelho o teu reflexo:
Nada é tão difícil e tão complexo!
Olhe nos teus olhos e se descubra
e não fique no chão se te derrubam...

A felicidade tá no seu sorriso
e no seu bom humor se mantém,
porque se continuar é preciso,

é preciso agradecer o além,
porque Deus é o paraíso
que quer sempre seu bem!

Inserida por marialu_t_snishimura

Beija - flor beijador

O beija-flor beijador
mais um vez beijou,
beijou a mais bela flor,
que quiçá encontrou!

No doce mel do beijo
afagou com carinho,
saciou seu desejo,
o pequeno passarinho!

Se assim vive a beijar
respira ele só do amor,
só amor ele tem pra dar!

Ingênua são as flores:
- Num beijo do beijador,
sede o mel e as cores!

Inserida por marialu_t_snishimura