O Poema eu sei que Vou te Amar Inteiro
Tamborilando da cinza abóbada celeste, serenamente pousa nas folhas.
Verdes copas, ao balanço de uma dança, fresco sabor do ar que se enevoa.
Vento frio, de suave toque, em torvelinhos e espirais escoa.
Como é bela a canção do vento na floresta com garoa.
a vida é o espaço-tempo entre a dor e a alegria.
dias ruins, como lição;
dias bons, como glória.
mas só é possível brindar a alegria plena
quando se conhece o valor
de vencer o sofrimento.
afinal, contemplar o amanhecer
é a beleza que nasce da escuridão.
Deite-se embaixo de um céu estrelado.
Encare o seu passado
como encara as estrelas:
algumas já se foram,
a luz antiga
insiste em chegar.
Tudo o que você fez até aqui
tem seu brilho próprio.
E ainda assim,
há sempre uma chance de recomeçar.
Não se permita cair
na escuridão dos arrependimentos.
Há astros mais intensos.
Há outros sóis.
Seremos todos eles.
os olhos mantêm a alma esperançosa
estes fazem-na enxergar motivos na Terra
para se contentar
e não querer fugir do plano físico
muito mais que ser apenas um sopro vagante pelo mundo,
é melhor ter um corpo
para tocar, sentir e ser
Canta de um estudante de Direito
"Prezada, vossa excelência que me tirou o juízo,
peço-te a máxima atenção para esta humilde petição inicial.
A saber:
quando poderemos arrolar nosso processo?
Requeiro vista da minha confessa ignorância
para saber se devo ipetrar a ti um
abscorpos ou absdata,
que nos assegure o acórdão de tal data,
sem litígios, sem recursos
e, se possível, com sentença favorável
ao coração." (CH²)
Café amigo-
Um café pra escrever,
escrever pra esquecer,
esquecer essas angústias
que pesam no peito
como chuva em telhado velho.
Por isso tomo café pra despertar,
despertar essa tal de alegria
que todo mundo fala,
mas que às vezes me esquece.
Mas que alegria?
Se sou só um poeta
que não aprendeu a amar,
que tropeça nas lembranças
e se esconde nas palavras.
Escrevo e esqueço,
o café só acompanha,
feito amigo calado
numa madrugada qualquer.
Escrevo pra me manter de pé,
pra dar sentido à dor
que o mundo finge que não vê.
E o café, esse velho cúmplice,
me aquece o vazio
que ficou de você.
A agência emerge no instante em que a existência abandona
o papel de efeito
e ensaia autoria no mundo.
A semântica é um
território de disputa;
quem nomeia, organiza o mundo
e, em certa medida,
administra a realidade.
A estilística
é a pele intelectual do sujeito,
o modo singular como uma consciência aprende a habitar
a linguagem.
A retórica pode erguer uma liberdade verbal ou refiná-la em
instrumento de domesticação;
tudo depende
da ética de quem a maneja.
A hegemonia
atinge seu auge quando
o dominado internaliza o desejo de repetir a lógica que o limita.
A vitalidade se manifesta como permanência lúcida:
uma recusa silenciosa em ceder
à erosão do sentido.
A sintaxe dispõe as palavras,
mas também disciplina
o fluxo do pensamento
e distribui o lugar de cada sentido.
Formulações elegantes, pensamentos rarefeitos:
eis o velho luxo da retórica
quando o conceito se ausenta.
Na enunciação, o sujeito sempre entrega mais do que pretende;
a máscara verbal, por vezes,
revela a anatomia íntima
de quem fala.
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