O maior Gesto de Amor

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Os raios caem sobre os montes mais elevados, e onde encontram mais resistência é onde provocam o maior dano.

A má educação consiste especialmente nos maus exemplos.

Queriam-me casado, cotidiano, fútil e tributável?
Queriam-me o contrário disso, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, faria a vontade de todo mundo.
Assim, como sou, tenham paciência!

As mulheres vêem tudo ou não vêem nada, segundo as disposições da sua alma: a única luz delas é o amor.

Não há prazer em possuir algo sem companhia.

A velhice faz-nos mais rugas no espírito do que na cara.

Muito se perde por falta de inteligência, porém muito mais por preguiça e aversão ao trabalho.

A beleza na mulher honesta é como o fogo afastado ou a espada de ponta, que nem ele queima nem ela corta a quem deles se aproxima.

Morremos quando não há mais ninguém por quem tenhamos vontade de viver.

Quem julga pelo que ouve e não pelo que entende, é orelha e não juiz.

As mulheres coram por ouvirem falar daquilo que não receiam de modo algum fazer.

Não há homem completo que não tenha viajado muito, que não tenha mudado vinte vezes de vida e de maneira de pensar.

Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados.

A alma que abriga a filosofia deve, para a sua saúde, tornar o corpo são.

A velhice é a paródia da vida.

Simone de Beauvoir

Nota: Simone de Beauvoir citada em "A Arte de Envelhecer Com Sabedoria" Abrahão Grinberg, Bertha Grinberg, NBL Editora, 2002

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É o desejo que cria o desejável e o projeto que lhe põe fim.

Simone de Beauvoir
BEAUVOIR, S. The Ethics of Ambiguity,1947

A demasiada atenção que se emprega em observar os defeitos dos outros, faz que se morra sem ter tido tempo de conhecer os próprios.

Eu sou um escritor difícil
Que a muita gente enquizila,
Porém essa culpa é fácil
De se acabar duma vez:
É só tirar a cortina
Que entra luz nesta escurez.

Mário de Andrade

Nota: citado em "Como escrevo?" de José Domingos de Brito, Novatec Editora, página 185.

A paixão da leitura é a mais inocente, aprazível e a menos dispendiosa.

A descoberta

Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra
os selvagens
Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam por a mão
E depois a tomaram como espantados
primeiro chá
Depois de dançarem
Diogo Dias
Fez o salto real
as meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha.

Oswald de Andrade
ANDRADE, Oswald. Poesias Reunidas, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978