O Homem se Apaixona uma Só vez
Expulse da sua igreja os pecados que destroem o homem, e Deus cuidará de expulsar o homem que traz o pecado para sua igreja.
A Abrão, Deus chamou de meu amigo; a Ezequiel, Deus chamou de filho do homem; a Jeremias, Deus disse: 'Desde o ventre te escolhi'; mas a Paulo, Deus disse: 'A minha graça te basta'.
Seria bom que todo homem buscasse divorciar-se do pecado antes de sua morte, pois, no além, para onde vão os mortos, não há divórcio.
É mais prudente para o homem avançar um passo de cada vez e proteger o coração das tentações do que apressar-se sem pensar e acabar sendo consumido pela ambição.
Se um homem tem a ousadia de se embriagar em pleno dia de Natal e outros têm a coragem de trair suas esposas em pleno dia de Ano Novo, eu agora só me pergunto qual será o próximo passo que eles darão rumo ao fundo do poço.
Um homem inteligente fecha a boca na hora certa, mas um homem sábio não a abre nem mesmo diante das provocações.
Se o homem mau é capaz de abusar da própria mãe, o que ele não será capaz de fazer com as mães dos outros?
Na sua opinião, o que é mais provável: um jumentinho sustentar um homem ou um corvo? Eu sei que você dirá um jumentinho. Eu também diria isso, mas para minha e sua confusão, Deus usou um corvo, ou corvos, para sustentar o profeta Elias. Amigo, quem pode impedir a maneira estranha como Deus atua na Terra?
E começou a falar-lhes por parábolas: Um homem plantou uma vinha, e cercou-a de um valado, e fundou nela um lagar, e edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e partiu para fora da terra.
E, chegado o tempo, mandou um servo aos lavradores para que recebesse, dos lavradores, do fruto da vinha.
Mas estes, apoderando-se dele, o feriram e o mandaram embora vazio.
E tornou a enviar-lhes outro servo; e eles, apedrejando-o, o feriram na cabeça, e o mandaram embora, tendo-o afrontado.
E tornou a enviar-lhes outro, e a este mataram; e a outros muitos, dos quais a uns feriram e a outros mataram.
Tendo ele, pois, ainda um seu filho amado, enviou-o também a estes por derradeiro, dizendo: Ao menos terão respeito ao meu filho.
Assim como o homem não é o mesmo ao entrar no rio pela segunda vez, o escritor também muda junto de seus pensamentos. Ao reler opiniões de anos passados, percebo a transformação em minha visão, a evolução da minha percepção. Como as águas do rio, meu crescimento é contínuo, nunca se detém.
O homem se molda à sua realidade. Reclama de uma refeição repetida quem nunca sentiu o estômago vazio por dias. Reclama de seu amor quem nunca dormiu sozinho em um colchão duro, sem abrigo nem abraço. Reclama de acordar para o trabalho quem nunca sentiu o peso da porta fechada do desemprego e o olhar de desprezo da sociedade. Reclama da vida quem nunca enfrentou a violência, a injustiça, a miséria, a fome que corrói ossos e esperança. Reclama de existir quem nunca precisou lutar para sobreviver, quem nunca foi invisível aos olhos de um mundo cruel.
O homem que se isola por medo do erro renuncia à sua natureza e torna-se um eco em seu próprio deserto.
A criança que fui e o homem que sou trocam bilhetes na madrugada. Um pede coragem, como quem pede socorro. O outro devolve silêncio, rabiscos, mapas inúteis de resignação. Às vezes, contra a própria vontade, sobem no mesmo trem. Não sabem por quê. Descendem em estações sem nome, onde a surpresa não consola, apenas prova, cruelmente, que ainda se está vivo.
