Nosso Amor como o Canto dos Passaros
Teu vulto no abismo
(Eliza Yaman)
Vejo teu vulto em cada espasmo meu,
como se a dor tivesse voz e forma.
És o espectro que nunca se perdeu,
a febre que me consome e transforma.
Teu beijo é ausência que me dilacera,
fantasma doce em meu sistema orgânico.
E eu, poeta, sou víscera sincera,
sangrando versos num delírio pânico.
Teu corpo em minha memória
(Eliza Yaman)
Teu corpo vive em mim como um segredo,
guardado entre os espaços do que sou.
É sombra que me veste sem ter medo,
é luz que me desnuda e me tocou.
Não há distância que te desfaça inteiro,
nem tempo que dissolva o que deixaste.
És tatuagem viva no meu peito,
és o perfume que jamais se afaste.
Quando voltaste
(Eliza Yaman)
Voltaste como quem jamais partira,
com o silêncio de quem sempre ficou.
Teu olhar não pediu, não fez mentira,
mas me tocou no ponto onde doeu.
E eu, que era pedra, fui terra fértil,
e tu, que eras sombra, viraste luz.
Nosso amor renasceu sem ser inútil,
como o milagre que ninguém traduz.
“A esperança a força que regozija te, nos renova e fortalece como a certeza do próximo nascer do sol, mesmo entre nuvens está lá para iluminar.”
Minha solidão ofende companhias que não se bastam sozinhas.
É desaforo sair sem par?
Como existo sem alguém do lado?
Ego latejando.
Ameaça outrora sair sem mim.
Encontrar um caminho alternativo.
Não sinto medo.
Não ofenda teu coração mimado, a contra vontade do meu, de caminhar sem hora para voltar, acostumado a voar sobre as realidades paralelas do dia a dia dessa vida.
Seus olhos verdes brilham como o mar Neles eu mergulho sem saber voltar
Entre folhas e ventos
Vou te buscar
Na sombra das árvores
Vou me encontrar
Seja em Parati ou na velha
Granada
Teu cheiro no vento…
Sou filho das ciências humanas,
onde nada é exato,
e toda medida escorre pelas frestas
como areia entre os dedos da razão.
O mundo se debate em engrenagens quebradas,
ajustes precisos que rangem
num relógio sem ponteiros.
A sociedade, rio inquieto,
segue para o mar de juízos incertos,
carregando pedras e flores,
certo e errado dissolvidos na correnteza.
Em vão raciocino,
e meus pensamentos são espelhos trincados
onde me reconheço em pedaços.
A dúvida me abraça como sombra fiel,
e descubro, tarde demais,
que mudar o mundo exige mais que palavras:
é preciso derramar o próprio sangue,
com a coragem de quem se oferece ao abismo
sem segurança ou receio.
Sou, então, um pequeno colecionador de incertezas,
um viajante que guarda tempestades e sonhos em frascos de cinzas.
E, ainda assim, caminho
porque sei que a beleza do humano
é nunca se encaixar por inteiro,
mas viver sempre na poesia do inacabado.
- E aí primo, como está a vida de casado?
- No início eu achei que iria morrer, depois achei que iria matar, mas agora tá tranquilo graças a Deus.
Droga Invisível
Descobri-me viciada em uma droga que não se vê, mas se consome como um coquetel.
Ela percorre minhas veias não como dose de soro, e sim em combustão eterna, exigindo presença em cada instante do meu corpo.
É fogo líquido que arde em meu sangue, e ainda assim imploro por mais.
Não existe clínica de reabilitação para essa dependência.E sua abstinência é silenciosa e letal em sua autodestruição.
Resta-me a dúvida: existirá algum antídoto para essa droga invisível e devastadora?
Estive só,
sem graça,
como um cão
que deseja
o osso,
feito um poeta
que não consegue
escrever uma linha.
O tempo
Assim como as ondas do mar apagam nossas pegadas, o tempo apaga nossa existência, Assim foi, é e será!
Te vejo, te sinto.
Me pergunto o que é real, no fundo te escuto.
Está tão linda, como eu pensei,
sempre te desejei.
Às vezes não te reconheço,
em certos momentos te esqueço.
Criei o meu delírio,
queria o meu próprio mistério.
E você era meu caso,
no fim nada tínhamos e tudo era raso,
tudo ocorreu por acaso.
E como o vinho que quanto mais velho melhor se torna, o vinho servido por último será melhor que o vinho que servimos primeiro.
Penso como pode ser feito um sistema funcional para a preservação dos bons costumes.
Vejo o exemplo de muitas igrejas que têm um culto de doutrina mais preponderante.
