Nosso Amor como o Canto dos Passaros
Um dia eu soube que te encontraria
E um dia eu saberei como te deixar
Mas por enquanto
Aqui mais ao sul
O meu desejo é um só
No momento da abdução ou arrebatação um certo homem perguntou: como existe tanta coisa ruim se Deus é bom?
O extraterrestre angelical respondeu: Um dos problemas humanos é perceber somente as coisas maléficas que regozijam suas mentes.
Santidade não é forma como nós lutamos contra os outros para salvar a nós mesmo; santidade é a forma como nós lutamos contra nós para salvar os outros .
Eu não estou nem tentando. E prefiro resolver do que falar.
Não estou NA vida como o resto das pessoas, e umas das coisas que tenho tentado fazer é voltar. Não estou ativo, e o que normalmente me faria querer me esforçar fica se ofuscando. Sinto todas as coisas, e ajo conforme a elas, mas depois de algumas horas a ordem errada das coisas que ainda esta na minha cabeça dirigem meus pensamentos para lugares que não fazem sentido, não mantenho a linha e vou para os lugares certos, e mesmo tentando não consigo me segurar as coisas que pensava antes, e vou para um nada. Isso tirou meu ânimo natural que eu sentia para as coisas, me deixa desligado. Eu durmo no ponto, eu fico a toa porque não consigo mas ver nem sentir o que esta realmente acontecendo, fico boiando e parece que esqueço, mas não esqueci, e parece ser vazio, mas não é. Só consigo ver com muito esforço. Eu não fico em sintonia com a vida, eu simplesmente não fico em nada. E tenho preguiça porque não consigo ver sempre a vontade e o motivo. Isso quando eu nem consigo e só muda quando alguma coisa vem e me acorda, e eu quero fazer tudo no mesmo segundo. Eu preciso ficar ativo e manter isso. Tudo é um atraso que nunca deveria ter acontecido.
Assim como Peter Pan, eu queria viver na terra do nunca, lá eu não iria me preocupar em ter que crescer.
Quero que a tristeza seja líquida,
e então role como lágrimas nos olhos da alma.
Quero que a paz seja sólida e perene num eterno presente.
Quero que a alegria evapore a tomar o ambiente.
Quero ser sol, quero ser dia... quero ser felicidade em mim mesmo!
Sinto-me presa, mas não sei como me libertar... Não sei se é alguém que não quer me deixar ir, ou se eu que tenho medo de sair e me arriscar.
Somos como livros abertos.
Estamos ali: se quiserem nos descobrir, folheia-se e lê! Porém, nem todos têm o hábito da leitura; nem todos sabem ou compreendem o significado das palavras nele escritas; e, além do mais, talvez esteja ele escrito numa língua que ainda não aprendeu-se a ler
A idolatria:
O venerado é tão medíocre, como aquele que o venera. Ser eleito por um medíocre é tão somente, o reflexo conceitualmente melhorado de si mesmo, em um grau baixo e suficiente de satisfação.
Devemos entrar na presença de Deus não como vencedores, mas como derrotados, para que em Cristo sejamos feitos mais que vencedores.
Quando autismo é visto de fora
Não tem como dimensionar o autismo pra quem está fora dele. Pai, mãe, profissionais podem até entender, conceituar e chegar a uma compreensão muito próxima de tudo e muitas vezes nos ajudar a ter voz, mas a realidade é que só sabemos o que está dentro da gente e nada mais.
Nem eu como autista posso dimensionar o que há dentro de um outro autista, sua dor, sua dificuldade, seus pensamentos, como ele sente o mundo e como os sintomas e comorbidades ganham espaço dentro dele.
Porém tudo que vemos é por fora, não tem como entrar na sua mente e saber como tudo ao mesmo tempo se conecta e se desliga. Há quem diga que não sou autista, há quem diga que eu não me esforço o suficiente, há quem diga que só arrumo desculpas e me escondo atrás do autismo e suas limitações, há quem já pensou que eu era preguiçosa e uma aproveitadora por depender dos meus pais ou marido sendo adulta, há quem já me julgou e me chamou de dramática, que eu era mimada e nas crises, eu só queria chamar a atenção.
Ninguém estava dentro de mim para saber, que é triste e desesperador muitas vezes ser EU. Não conseguir estudar, não consegue trabalhar, não conseguir cortar um simples tomate sem me cortar, não conseguir colocar uma fralda no meu filho e passar talco até parecer um fantasma com a fralda toda torta.
Ninguém está dentro de mim, quando meu cérebro se cansa pelos estímulos, quando meu corpo perde toda energia e eu me esforço pra levantar e perco toda motricidade.
Ninguém está dentro de mim quando eu não sei entender as emoções e com isso atrapalho meus relacionamentos, quando eu não entendo as pessoas e elas gritam e brigam como se eu quisesse machucá-las.
Ninguém está dentro de mim pra sentir quanto as comorbidades me afetam, depressão, síndrome do pânico, disfunção executiva, dificuldade em ler e escrever, dificuldade com números e cálculos simples, coisas simples como ver a hora, esquerda e direita, quanto tudo isso é difícil e dói pra mim.
Ninguém está dentro de mim para saber quanto as crises me castigam, tiram um pedacinho de mim e me esgotam.
Ninguém está dentro de mim, como me dói e me fere, ser ingênua e sem malícia, ver quanto as pessoas se aproveitam disso.
Ninguém está dentro de mim quando me desespero pensando no futuro, sem pai e mãe, sem estabilidade financeira, sem tratamento, sem direcionamento.
Ninguém está dentro de mim quando sinto que quero colo, afago e um aconchego maternal e as pessoas não podem dar porque no mundo malicioso é errado uma pessoa adulta dar colo para outra pessoa adulta.
Ninguém está dentro de mim quando as pessoas que amo me magoam, é como se toda a dor do universo explodisse dentro do peito.
Ninguém está dentro de mim e mesmo assim continuam a falar de como é ser Eu, Autista.
Walkirya Carminatti
