Ninguem se Encontra por Acaso
Talvez a ninguém interesse
Creio que não vale a pena
Eu sou apenas um velho tronco
Um pedaço de árvore
Que um dia existiu
Só semente que cresceu aos poucos
E os lugares onde eu fui
Foi seguindo o mundo
Conforme o tempo flui
Eu viajei no tempo
Vendo irem-se os dias
Assim como vão as montanhas
Assim como as pedras
Porque nada é eterno
E tudo é sempre
Sempre louco
Não andei como andam as nuvens
Mas as nuvens também se vão
Sempre se vão
E eu não sei pra onde é que elas vão
Pois duram pouco
E eu só sei que todas se foram
E eu aqui parado
Fui vivendo ao lado de estrelas
Fui vivendo ao lado do Sol
Penso até que o Sol seja uma delas
Penso que tudo flutua
Flutua junto ao rio do tempo
O rio do tempo ruma
A caminho de lugar nenhum
E eu, por não ser nada
Não sou nada
Como nada são as montanhas
Como nada são as pedras, as nuvens
Estrelas e as gentes
Sou somente um velho tronco
De outra árvore que existiu
Que outro dia era semente
E foi crescendo
Cresceu em direção ao Céu
Não sei meu nome
Não me lembro se gravaram
Nome em mim
Só sei que o Céu se move
E move as nuvens e elas chovem
E molhavam minhas folhas
Que secaram, porque tudo chega ao fim
Assim se foram
Como tudo sempre vai
Se vai sem rumo
Destino a lugar nenhum.
Edson Ricardo Paiva.
Tantas vezes
Ninguém poderá dizer
Quantas vezes
Eu vi pássaros voando
E desejei voar com eles
A saber que jamais poderia
Até que eu percebi
Outras coisas que eles ensinam
Com seu jeito simples de viver
Que não se vê
Se pensa em voar
Por causa de coisas assim
Que não se lê
A poesia
Que o pássaro escreve
Sempre que ele pousa
Com seu jeito leve
A viver com tão pouco
E de estar satisfeito com a vida
A calma que me traz seu canto
Faz minh'alma flutuar
E por um breve momento na vida
Me convida a voar como o vento
Voar de um jeito que eu um dia irei voar
Mesmo que esse dia não seja hoje
Voar pra longe, muito longe
Voar pra mais longe
E nunca mais voltar.
Edson Ricardo Paiva.
Eu duvido
Quase nunca
Ninguém
Há de saber
Qual é
Devido
À fé que não se tem
Até que não se tenha
É como apanhar
Um espinho num jardim
Apanhe
Sem saber qual é
Até que assim ele te arranhe.
Edson Ricardo Paiva.
Uma centelha de vida
Surgiu, brilhou, voou
Escapuliu
Aquele tempo passou
e ninguém viu
Nem Percebeu
O tempo é um relógio
Quebrado e parado
Todas as coisas impossíveis
Apenas assim as são
Até que se tornem possíveis
O colorido que se apagou
Não mais poderá
Eternizar-se assim
Não se pode enganar o tempo
Aquela centelha de vida
Que surgiu
de onde ninguém sabia
Que viria
Voou, brilhou
Salvou o dia
Escute a melodia
Que vem do outro lado do espelho
E a tudo desmonta
Pra que as coisas possam
Eternamente e pra sempre
Remontar-se novamente
Num sonho
e é lá
Que a gente se encontra.
Edson Ricardo Paiva
O melhor pedaço de chão
Ninguém sabe dizer
Qual ele é
Muito menos onde fica
O melhor sorriso da vida
O dia mais bem vivido
A risada mais rica
Ninguém nunca poderá dizer
Qual foi
E muito menos
Se existiu realmente
Talvez esteja ainda em teu futuro
Quiça no passado
Mas uma coisa todo mundo sabe
Eles não te cabem no presente
Seja seu agora
Simplesmente o hoje
Momento
Onde tudo que desejas
Anda em movimento constante
Se evadindo de você a cada instante
Pois você
Com seus pés, palavras e mãos
Afasta a tudo
Pra depois, abarrotado de esperança
e reclamando da inverossimilhança
de tudo que deu errado em sua vida
Colocar a alegria de lado
E procurar onde se escondem
A todas as alegrias não vividas
Creio que agora, como sempre
Não te cabem
E é bem provável
Que tão louváveis momentos
Estão perdidos presentemente
Em alguma esquina da vida
Iluminado dia esquecido
Num futuro
Que agora não mais virá
No passado
Onde tudo de errado fizeste
Neste momento presente
Onde tudo tua mente afasta
Enquanto te arrasta ainda muito mais
Pra algum lugar bem distante
Do chão, do riso, do dia e da risada
Que a vida toda
E de todo coração
Afastaste
desejaste
Jamais
Encontraste.
Edson Ricardo Paiva
Viver a vida
E enquanto vivê-la
Não permitir
Que nada ou ninguém
Transforme o peito da gente
Num solo infértil
Igual a esse enorme deserto infecundo
Existente num local incerto
Que por não saber
Chamamos Mundo
Insistente qualidade obsoleta
Em querer a qualquer preço
dar à essa existência qualquer meta
E depois, mesmo assim
Vivê-la
Pelo mero fato de viver
Botando prazo de validade pra tudo
E estudando a melhor maneira
de piorá-la
A vida pode ser uma pálida passagem
Bólide e sem rastro
Nave que flutua suave, ao sabor do mastro
Não permita que essa vida se transforme
Num problema grave e sem saída
A vida é só isso
Um compromisso com Deus
e ninguém mais
Se houver razão pra estar em paz
Pense no poeta que escreveu a vida
Sem meta
Direção ou seta
Nem justa ou injusta medida
Edson Ricardo Paiva
Viver a vida
E enquanto vivê-la
Tentar não permitir
Que nada ou ninguém
Transforme a vida da gente
Num solo infértil e infecundo
Parecido com o lugar
Que por não saber seu nome ao certo
Chamamos o lugar de Mundo
Insistente invalidade
Inverdade obsoleta
Tenta a qualquer preço
Exigir-lhe alguma meta
Sem que seja necessário dar a ela
Norma ou forma
Pra depois, infeliz, vivê-la
Pelo mero fato de viver
Pensamento
Abstratamente concreto
Piorando a essa pálida passagem
Bólide e sem rastro
Nave que flutua suave, ao sabor do vento
a soprar-lhe o mastro
Maestro da sinfonia
Não permita
Que a vida se transforme
Num problema grave e sem saída
A vida é só isso
Um compromisso com Deus
e ninguém mais
Se houver razão pra estar em paz
Pense no poeta que escreveu a vida
Sem meta
Direção ou seta
Nem justa ou injusta medida
Portanto, enquanto houver
Estrelas pra ver no Céu
Aproveita a chance de olhar pra elas
Um dia há de restar
Somente a lembrança
do quanto um dia foram belas.
Edson Ricardo Paiva
Viver a vida
E enquanto vivê-la
Tentar não permitir
Que nada ou ninguém
Transforme a vida da gente
Num solo infértil e infecundo
Parecido com o lugar
Que por não ter
um nome a lhe dar
Chamamos de Mundo
Nosso inválido lar
Sem saber de verdade
O que fazer dele ou da vida.
Viver é a parte complicada
Sofrida e difícil da existência
Tudo mais vai se tornando fácil
Conforme a experiência adquirida
Desde que a gente não queira
a qualquer preço
Exigir-lhe alguma meta
Nem que seja necessário dar a ela
Norma ou forma
Pra depois, infeliz, vivê-la
Pelo mero fato de viver
Pensamento
Abstratamente concreto
Piorando a essa pálida passagem
Bólide sem rastro
Nave que flutua suave
Com o vento a soprar-lhe o mastro
Se eu puder pedir
Eu imploro
Que o Maestro da sinfonia
Não permita
Que a vida se transforme
Num problema grave e sem saída
A vida é só isso
E mais nada
Um compromisso com Deus
Se houver razão pra estar em paz
Agradeço ao Poeta que escreveu a vida
Sem meta, direção ou seta
Nem justa ou injusta medida
Portanto, enquanto houver
Estrelas pra ver no Céu
Aproveito a chance de olhar pra elas
Um dia há de restar
Somente a lembrança
do quanto um dia foram belas.
Edson Ricardo Paiva
Mas é claro que essa luz clareia
Na dúvida, resta sempre o óbvio
Mas ninguém presta atenção
A culpa que se esconde
Meia-lua, lua e meia dupla
Noite escura, lua-cheia
Escuridão na vida
Na certeza, uma ponta de dúvida
Uma corda, uma pedra, uma ponte
Atrás da porta fechada
Um tudo ou nada
Por detrás de uma janela aberta
A pesada cortina
Uma luz apagada
Uma dúvida certa
Uma vaga certeza
Mas é claro que essa luz se apaga
Como há de se apagar
A própria vida.
Edson Ricardo Paiva.
" E quando você chegar aonde jamais ninguém chegou eu vou chegar e juntos chegaremos onde não chegaram e não vão chegar pois ja chegamos onde nunca ninguém chegara."🤪
Choramos por diversos motivos, porém, as vezes não queremos demonstrar a ninguém, por mais que esse choro nos sufoque por dentro.
"As pessoas "emburreceram"...ninguém pensa...ninguém reflete...ninguém observa...querem ter razão...mentiras são verdades...verdades são mentiras...a decadencia mental associada a inovação tecnologica tem causado uma paralisia reflexiva cerebral com fortes indicios que do jeito que o mundo caminha nenhum extraterrestre vai tentar dominar o planeta terra...sorte deles...fiquem bem distantes...pode ser contagiante."👽👽👽
Os que buscam a felicidade na Fortuna tornam-se seu ecravo. Não confiam em ninguém, não têm amigos - apenas servidores.
Ninguém se torna poeta — o poeta é aquele a quem o silêncio feriu primeiro. Carrega em si uma chaga que não cicatriza, um vulcão mudo que sussurra sentido nas entrelinhas do abismo. Não oferece fogo, como Prometeu, mas uma bússola feita de dor e contemplação. Ser poeta não é declarar-se — é sangrar em palavras que nasceram do exílio da alma.
O JARDINEIRO DO INVISÍVEL
Ninguém se torna poeta — o poeta é aquele a quem o silêncio escolheu como altar.
Não foi chamado por glória, mas ferido pelo mistério. Carrega no peito uma fenda invisível,
onde o mundo sussurra com voz de vento e de ausência.
Dentro dele dorme um vulcão que não ruge, mas ora — e cada brasa calada acende sentidos nas margens do indizível.
Não traz o fogo para incendiar — traz uma bússola trêmula, feita de dor decantada, contemplação e entrega.
Ser poeta não é declarar-se ao mundo — é desaparecer aos poucos em palavras que brotaram do exílio da alma,
como se cada verso fosse uma oração plantada no deserto.
Ao fim, o poeta é o jardineiro do invisível — aquele que sangra em silêncio, todos os dias,
para que outros vislumbrem, mesmo que por um instante, o caminho no turbulento escuro.
Não me preocupo (hoje) em convencer ninguém das minhas certezas. Fico satisfeita (neste momento) só de saber que gerei inquietações e reflexões.
Em briga de marido e mulher deve-se meter a colher, sim!
Ninguém deve ser omisso diante da violência contra a mulher.
O feminicídio pode ser evitado: meta a colher e outros talheres se preciso forem!
