Natalia
para nós Mulheres que tecemos a vida com fios de teia invisível, às vezes fazendo milagres, sendo como a chuva e o sol que à terra dão vida, deixo o meu carinho, tenhamos todas um óptimo dia.............
Aprendi desde muito cedo que cara feia nunca resolveu problema[…] Confesso. Vez-ou-outra sinto uma vontade enorme de sair ofertando caretas, distribuindo desaforos e cuspindo os sapos que engoli (e ainda engulo). Mas tenho em mim a consciência de que, não podendo ser florir constante, resta-me muitas vezes optar pelo silêncio. Eis a minha prece aos céus de todas as manhãs: que minh’alma não azede, que eu não atire espinhos e nem sirva como veneno a quem merece eterno elixir.
Não me considero um produto, não tenho rótulos. Opiniões mudam constantemente. Hoje mesmo já mudei mil vezes.
E daí as pessoas mudam, ontem elas eram suas melhores amigas, hoje, mal lembram das gargalhas que compartilhavam juntas.
— Cherry!
CREDO
Creio nos anjos que andam pelo mundo,
creio na deusa com olhos de diamantes,
creio em amores lunares com piano ao fundo,
creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes;
creio num engenho que falta mais fecundo
de harmonizar as partes dissonantes,
creio que tudo é eterno num segundo,
creio num céu futuro que houve dantes,
creio nos deuses de um astral mais puro,
na flor humilde que se encosta ao muro,
creio na carne que enfeitiça o além,
creio no incrível, nas coisas assombrosas,
na ocupação do mundo pelas rosas,
creio que o amor tem asas de ouro. Amém.
Sentir saudades do que nunca aconteceu, é apenas uma história que inventamos para amenizar a dor de não ter algo que tanto queremos, é ter e não ter, sentir e ao mesmo tempo não sentir nada, é querer e não poder. Chorar faz parte da vida daqueles que desejam e não podem, que amam e são desamados. Sentir-se perdido é normal, qualquer um se sente assim, principalmente os que amam loucamente.
- Cherry!
vivo obedecendo ao capricho do tempo, enrolada às marés da vida, repetindo gestos, palavras e pensamentos.
Rendo-me ao anoitecer, ao desaparecimento de mais um dia, estou a sós com minhas divagações, o olhar perdido, penetrada p'la nostalgia, p'ra falar verdade perco-me um pouco, tudo o que parecia distante está agora tão próximo... pensarão, qual o espanto? Só Deus sabe!
.as árvores estão em flor e eu vou por aí ao encontro desse aroma ... dos regatos que vão fluindo por entre serras e vales, e tudo o resto com com que possa obsequiar o meu olhar...
que a alegria que habita em ti não se perca, que o riso assalte o pranto e a felicidade esteja sempre contigo...
vergonha e honradez é coisa de pobre, rico tem outros valores, tais como a ganância e a falta de escrúpulo...
há uma alegria que em mim emudece e surge a primeira lágrima de resignação, pergunto-me quem sou, como posso viver sem mim mesmo...
sou a noite, já os olhos me negam, o medo fala-me com palavras duras, e aprisiona-me na frieza da insónia...
quando tudo era sede, fogo e ternura e o sonho a fonte, nossos corpos eram de vôo pousando como pássaros ardentes nas ondas do centeio...
A Defesa do Poeta
Senhores juízes sou um poeta
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto.
Sou um vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim.
Sou em código o azul de todos
(curtido couro de cicatrizes)
uma avaria cantante
na maquineta dos felizes.
Senhores banqueiros sois a cidade
o vosso enfarte serei
não há cidade sem o parque
do sono que vos roubei.
Senhores professores que pusestes
a prémio minha rara edição
de raptar-me em crianças que salvo
do incêndio da vossa lição.
Senhores tiranos que do baralho
de em pó volverdes sois os reis
dou um poeta jogo-me aos dados
ganho as paisagens que não vereis.
Senhores heróis até aos dentes
puro exercício de ninguém
minha cobardia é esperar-vos
umas estrofes mais além.
Senhores três quatro cinco e sete
que medo vos pôs em ordem?
que pavor fechou o leque
da vossa diferença enquanto homem?
Senhores juízes que não molhais
a pena na tinta da natureza
não apedrejeis meu pássaro
sem que ele cante minha defesa.
Sou um instantâneo das coisas
apanhadas em delito de paixão
a raiz quadrada da flor
que espalmais em apertos de mão.
Sou uma impudência a mesa posta
de um verso onde o possa escrever.
Ó subalimentados do sonho!
A poesia é para comer.
com cerejas enfeitava as orelhas
...sentia-me uma princesa
...tranco o portão da memória,
para não esquecer.
no alpendre do meu sorriso, a saudade és tu...a memória corta o silêncio e os teus lábios colam-se aos meus...
as flores vêm de longe...ainda não chegaram ao jardim...lembranças azuis que encontrei no meu olhar....aguardam por ti.
