Não Queria te Perder
nós somos tão um do outro
que eu queria que você vivesse mais um pouco.
por aqui, tá vazio.
restou só eu e os nossos frutos que o frio cobriu.
Me disseram: ''você se parece com a tua mãe". E eu ri... Porque no fundo eu só queria ser pelo menos metade da força, da nobreza e da coragem que aquela mulher é.
Nesses dias de chuva, te queria aqui. Lembrar dos dias onde te via em mensagens, ligações e visitas sem data ou hora marcada. Mas se sou um fardo, por que seguir? Antes me dissolver nesse eco e sumir enquanto não pode me ver nem ouvir.
- Marcela Lobato
POEMA INEVITÁVEL
Eu queria falar sobre deus, sexo, política, amor e trivialidades; mas me colocaram uma carapuça, e fui treinado a ser um personagem.
Depois, quis me tornar poeta, músico, filósofo e até ator. Porém, descobri que, desses, eu já tinha me tornado ator, não por opção, mas por imposição das situações, e sufoquei os outros personagens.
Eu quis me tornar um humanista, um sociólogo, talvez antropólogo, filólogo e até defensor de causas perdidas ou ganhas. Acontece que meu personagem não discute muito com minha dignidade: meu lado ator sempre vence quando a conveniência grita mais alto!
Enfim, decidi partir para as trivialidades da vida, já que não me restavam muitas escolhas. Eu tentei ser muitos, e acabei não sendo eu. Então, fiz da vida minha luta, minha sobrevivência, minha causa (também por imposição). Ergueri um castelo de sofismas, e o meu estandarte foi tremular pequenas ideias que não eram minhas. Lutei bravamente para anunciar, dentro de mim, um poema inevitável, confrontando meu personagem que, por conveniência, acabou sufocando o eu iludido que achava que era eu!!!
#israelsoler
Queria encontrar aquele sorriso.
Viver a vida sem freio, leve e com coragem.
Que você consiga quebrar a barreira,
E entrar na minha vida. E ficar
Me amar
Com toda liberdade que o amor deve ser.
Pedido por gentileza
Queria me desculpar.
Não com você,
mas comigo.
Pelas vezes em que me cobrei demais,
em que fui dura com meus próprios passos,
em que agi sem me ouvir.
Me desculpar por ter carregado culpas
que não eram minhas,
por ter me olhado com severidade,
por ter esquecido de me tratar com carinho.
Me desculpar pelos julgamentos silenciosos,
até quando me afastei da fé,
como se eu precisasse ser inteira
para continuar sendo amada.
Há coisas que ainda pesam,
mesmo sem nome,
mas aos poucos
aprendo a soltá-las.
E também peço desculpas
pelas dores que causei,
pelos sentimentos que endureci,
pelo ego, pelo rancor
que falaram mais alto que o cuidado.
No fim,
talvez tudo isso seja apenas
um pedido simples:
aprender a me amar
com mais gentileza.
Eu queria ser um anjo
E não passo apenas do que sou
Te daria um par de estrelas
E o que tenho é o meu amor...
Queria que você soubesse o que eu não fui capaz de saber, ensine aos seus filhos o que você demorou anos para perceber.
Eu não queria que você fosse racional comigo. Queria que você fosse irracional por mim tanto quanto fui por nós.
Lamento do coração
Juro que não queria amar você
Briguei com meu coração
Mas ele com seu amor plantado em mim avisou
Olha esse amor é impossível, mas você está preparado?
Não entendi o que ele quis me dizer naquele momento
Agora sei coração que é seu lamento.
É que às vezes
eu queria ser um extraterrestre...
um ser de um planeta qualquer
bem distante desse mundo...
Assim evitaria todo o tipo
de contato imediato, em qualquer grau,
com os seres humanos...
É que às vezes penso em vestir
a pele do cosmos
em descolar minha matéria humana
deste mapa de feridas sangrentas
que é esse mundo ...
Ser um outro ser... um corpo
que não lembra nome,
um orbitante do silêncio
num planeta bem distante...
Fugiria dos olhares semi mortos
que sondam curiosos a vida
e das mãos que gesticulam
como fósseis dum viver morto...
Evitaria todo contato imediato,
qualquer grau de toque
que cole sangue nas cinzas ...
Preferiria a gravidade de um mundo
sem lembranças humanas,
onde ninguém me peça
rendição nem desculpas...
Às vezes sonho ser de outro céu,
uma estrangeira de estrelas longínquas,
um ser de um planeta bem distante...
Longe, o tempo seria mais gentil,
e os gestos, silenciosos
como constelações....
E eu, poupada do contato imediato
da falsidade e futilidade
de tudo que pede
ou arranca pedaços meus ...
vivendo apenas a minha inteireza
na suave distância
entre o meu respirar poesia
e o infinito...
✍©️ @MiriamDaCosta
* Dia das crianças *
Tenho saudades daquela menina,
ingênua e meiguinha,
que queria escrever versinhos
bordados de doçura e afeto...
Guardava nos olhos
o brilho das manhãs ensolaradas,
e nas mãos pequenas,
o sonho de mudar o mundo
com lápis de cor e papel pautado...
Acreditava nas fadas,
nas promessas das nuvens,
e que o amor morava nas flores
que colhia no quintal da infância...
Hoje, quando a vida
me pede pressa e razão,
eu fecho os olhos ,
e volto a ser
aquela menina,
frágil e forte,
que acreditava que a poesia
era o coração das coisas simples...
✍©️@MiriamDaCosta
Um dia,
eu sussurrei à brisa
que queria escrever uma poesia...
Logo depois,
ela voltou para me arrastar
num vendaval de versos...
Certa vez,
eu confessei à brisa,
quase em segredo,
meu ( constante) desejo inquieto
de parir uma poesia...
Mal terminei o sussurro
e ela voltou feroz, decisa,
me puxando pelos pulsos,
me lançando inteira
num vendaval de palavras
que me cortavam e me curavam
ao mesmo tempo...
Um dia,
eu murmurei à brisa
que meu coração ansiava
por escrever poesia...
Ela ouviu.
E, suave como quem conduz um destino,
voltou para me tomar pela mão,
erguendo-me delicadamente
num bailado de versos,
onde cada sopro
era um convite para sentir
e cada palavra
um abraço do vento...
✍©️@MiriamDaCosta
Eu disse que ficava.
Ficava porque queria, porque o coração mandava.
Não havia lógica. Me perguntavam, 'mas por que aquele cara'?
- porque sim, ora.
O relógio tocou – naquela mesma hora, mas eu não queria levantar.
Naquela hora de todas as manhãs – eu fazia o seu café, mas não sem antes de afagar demoradamente o seu cabelo. Observava suas sardas – espalhadas, coloriam suas bochechas e seu sono era sempre tão sereno!
O relógio tocou – naquela mesma hora, mas eu não queria levantar.
Sabia que haveria um travesseiro vazio onde era o seu lugar.
