Nao Magoe um Alguem
Um jeito ausente tão presente no olhar
Você chegou sem barulho, mas fez casa no silêncio.
Tem um jeito ausente tão presente no olhar... Corpo que foge pro mundo, olhos que ficam aqui, me achando em cada pausa.
Teu olhar não mente.
Diz "fica" quando você se cala. Diz "eu tô aqui" mesmo quando jura que foi embora.
E é nesse paradoxo que eu moro.
No amor que não faz alarde, mas permanece. Que me olha distraído e me encontra inteira.
No fundo, teu olhar é tua forma mais sincera de ficar.
E eu escolho morar nele.
A reconstrução pessoal é um canteiro de obras interno que exige mais disciplina do que inspiração, é a tarefa tediosa e diária de limpar os escombros das falhas e reaprender a confiar no próprio instinto, e o primeiro tijolo a ser colocado é sempre o do autoperdão, firme e inegociável. O sucesso não está em nunca cair, mas em quantas vezes você decide levantar com uma sabedoria renovada, entendendo que a humildade de pedir ajuda não é um sinal de fraqueza, mas de inteligência emocional, e que a força reside na rede de apoio que você constrói com amor e honestidade.
Com a alma cheia de angústia e o coração em desalinho, as lágrimas escorriam incessantemente, um rio caudaloso de tristeza que parecia nunca secar, refletindo a batalha interna que travava contra os fantasmas do passado, eu buscava desesperadamente uma saída, uma fresta de esperança, qualquer meio de apagar as cenas dolorosas que se repetiam em minha mente, lembrando-me dos quantos desenganos e frustrações marcaram cada fase da minha caminhada.
Carrego dentro de mim um universo escondido, com constelações feitas de medos, sonhos e lembranças, nem sempre brilham, mas sempre existem, e nas noites mais escuras é deles que tiro direção, meu céu interno nunca me abandonou.
Há dores que parecem eternas, mas nenhuma supera um coração que insiste, eu insisto todos os dias em viver, mesmo quando viver dói demais, e é nessa insistência que encontro milagre.
Todo coração que se fecha é um jardim em greve, rejeitando a primavera para evitar o outono. A frieza que vestimos é um casaco costurado com as linhas da traição alheia, mas o maior ferimento é a solidão autoimposta do desamor.
Fé é acender um pequeno fogo dentro do peito quando o vento lá fora tenta fechar até as janelas da esperança.
No terreno estilhaçado onde a minha dor cavou raízes, aprendi que o corpo é um manual de guerras antigas, cada cicatriz uma sentença gravada na pele que o tempo tentou apagar, mas não conseguiu, e é nessa arena interna, entre o sopro de horror e o fio tênue da esperança, que a alma, ferida e incansável, se levanta como chama obstinada na noite, jurando ser mais que sobrevivência, ser prova viva de que o abismo pode engolir um corpo inteiro e, ainda assim, não apagar a luz que insiste em nascer no silêncio entre uma respiração e outra.
Somos todos feitos de começos interrompidos e finais que se arrastam, um emaranhado de fios soltos que tentamos tricotar enquanto a vida puxa a outra extremidade, nos lembrando que a beleza do tapete está justamente na irregularidade dos pontos que o formam.
Assim como o homem que veio do norte, guiado por ventos antigos em busca de um novo horizonte, também eu caminho pelo pedregal desconhecido. Carrego nos ombros o peso dos dias, mas no peito, uma fé silenciosa, a de que, além das fronteiras do que sou, encontrarei um destino mais vasto que a realidade que hoje me aprisiona.
No deserto aprendi que um sopro salva, o mínimo, no lugar certo, mantém a vida, nunca subestime o gesto pequeno de ajuda, um sopro fez a diferença entre cair e seguir.
Deus prometeu um filho a Abraão. Mas a precipitação em fazer a promessa de Deus cumprir, antes do tempo certo, tem gerado problemas até o dia de hoje.
Todos me vêem, todos vêem meu sorriso, e acha que isso é tudo que eu tenho. Mas na verdade eu sou uma máscara, pois por trás de tudo isso existe alguém realmente cansado de viver. Alguém cansado de enfrentar tantas mágoas, alguém que só quer um ponto final. Mas não um ponto final sequencial, mas o final de história. Não quero mais ter que acordar e voltar a me ver assim, tão sozinho, tão triste, embora esse seja realmente a pessoa que eu sou por dentro não quero mais ser assim. Quero ser minha máscara, vestir e ser a minha máscara, sem ser apenas uma ilusão de minha pessoa.
Às vezes a rispidez de um grito, a deselegância e a fúria é mais honesta que um sorriso disfarçado de mentira, uma palavra em tom ríspido é mais sincera que um carinho fictício.
Um "Olá" que surgiu assim do nada, sem forma oportuna, apenas o efeito sonoro do desconexo.
Uma certa arredoma de formalidades triviais do desconhecido.
E aos poucos o espaço, ainda que silencioso foi cedendo ante ao barulho da curiosidade.
Insigne e pragmático, quase indolente, com o cheiro caracteristico de encrenca.
Ah! O divino arôma da encrenca!
Claro que há os que abominam, enjoam, ou fogem, talvez esta seja a parte sábia deste mundo.
Mas há aquela classe de loucos desprovidos de sanidade, aqueles que se movem por anseios, pela fome e tudo que vicia e consome, são os abusados, ousados, intrigantes e abusivamente inteligentes.Tudo bem que nem sempre possuem um senso apurado de etiqueta, são aquelas criaturas esquisitas que falam demais, se mexem demais, mal sabem passar uma lombada, ou distinguir as cores secundárias, mas que no fim das contas por onde passam deixam o cheiro da encrenca e tal a inquietude da saudade.
Rê Pinheiro
A VIDA chegou a um impasse.
Viver a sua existência remota ou aceitar a desistência de tê-lo?
Então... ela optou por viver, apenas viver e não se prender a algo que realmente não a deseja e não se manifesta.
Isso a tornou diferente no seu inerente processo seletivo.
Porque ela é vida, é a VIDA, e você a trágica sensação de inércia e incoerência.
Ela soprou a teus ouvidos a acida indecência de uma delicada mulher que ousou te amar.
Lembre-se que você se apaixonou, apenas porque ela te escolheu como amor.
Ela te escolheu e permitiu que a paixão dominasse e descobrisse o véu que cobria e entupia suas veias.
Ela te deu o melhor, ela te via no topo, no mais alto degrau de uma escada que poucos ousaram subir.
Mas, num ato sem ato.
O tempo se confundiu, e num pequeno espaço você a perdeu.
Perdeu para seu orgulho, seus traumas e sua capacidade de não saber agir quando realmente se deveria ter feito.
Como pode alguém simplesmente viajar, sumir e deixar a Vida?
A Vida não se deixa, Ela se leva.
Sempre e para todo o sempre.
Porque Ela é amor e amores não se abandonam.
Amores devem ser protegidos, zelados e muito bem guardados.
E hoje mesmo sem você saber.
Mesmo sem você querer, terás que carregá-la para todo o resto desta sua vida sem sal que terás.
Terás que conviver com o fracasso de não conseguir prendê-la entre seus braços.
E olharas no espelho a cada amanhecer e sentira a estranha sensação de ter sonhado com a Vida e ter acordado sem ela.
Ira olhar e revirar fotos, vasculhar em seus anseios a sua presença e neste momento sua boca secará.
Se lembrará dos beijos e daquele doce sorriso.
E quando fechar teus olhos, poderá sentir a Vida ali diante de ti, tocando sua face.
Esta é Ela.
Esta é a parte de ti que foi embora.
Parte de ti que ela carregou.
Culpa sua.
Erro seu.
Seu maior pecado é não conseguir senti-la de verdade.
E perdê-la para você mesmo.
Para sua indecisão e sua teimosia.
Saiba que, a vida não voltou atrás a sua decisão, ela honrou sua palavra, mas foi você foi que não credito a ela.
Apenas lembrê-se.
Terás uma saudade sem fim que andara contigo como companhia.
Não porque ela é melhor.
Mas porque ela simplesmente te amou com toda a força a VIDA..
RÊ PINHEIRO
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