Nao Machuque o meu Coracao

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O MEDO QUE ME DAR MEDO
BY: Harley Kernner

Às vezes, o meu maior temor é acordar um dia frio, com o coração fechado, surdo ao apelo do mundo.
Perder a ternura que me guia, o olhar que é vivo, e ver o outro se tornar distante, sem brilho, sem fundo.

Ter medo de que a frase, fria e dura, floresça em mim: — Tenho Deus comigo, e isso já me basta!
E que o próximo, que é imagem do amor sem fim, seja posto de lado, como algo que não se arrasta.

Ah, mas essa é a angústia que me faz olhar para dentro: seria capaz de apagar o fogo que me toma por inteiro?
De romper com a essência, que é força e alimento,
e desfazer o imenso amor que carrego no peito?


Não! Esse receio é a prova de que ele está vivo: o amor que me habita não se apaga, não se desfaz.
Ele me faz temer a indiferença — e esse é o motivo:
é porque ele é tudo em mim, e jamais será capaz. Se eu perder a essência desse amor interno, eu perderei minha vida na escuridão.


Harley Kernner
Arquiteto de Poesias e Crônicas

Abelha

Se você diz assim que sou flor, eu te culpo pois é abelha,
Abelha que troca meu pólen,
Abelha que fuça, que me agita,
Que me faz ser flor.
Como flor?
Sou flor que te marco com meu cheiro,
Flor que marco com cor,
Cor que tu, abelha, me deu.

Você é o meu refúgio, a minha paz e a minha maior certeza. Que esse seja apenas o começo de uma eternidade inteira colecionando momentos ao seu lado.
_ Enzo Ruchell_

Meu nome é Hilário.
Sou tão alegre que me chamam de hilário.
— Que hilário! Que engraçado!
Tem momentos em que eu sou hilário.

Eu sou um cacto, conheço-me bem, meus espinhos são meu adorno...

*- No meu sentir, quando René Descartes disse "cogito, ergo sum", a lógica racional (ou carteziana) da frase nos leva a contextualizar o pensamento sobre uma palavra apenas: "coerência". De tal modo, nada é justo ou injusto, certo ou errado, bom ou mal, sem ela. Decididamente é essa a minha visão. A "coerencia", pura e simples, refere a consecução da busca universal da mente humana, legitimada pelos mistérios paradoxais e irrespondíveis da vida e da tese da criação. Tudo o é e sempre será, por "coerencia"!*
(Vitor de Oliveira Antunes Neto)

Herança é o que você deixa para os outros; legado é o que você deixa dentro deles. Que meu rastro seja o sorriso de uma criança protegida e o silêncio de um animal que não mais sofre. Noemý Alves

vez ou outra o meu "eu do passado" vem me dar um abraço

vez ou outra o meu "eu do passado" vem me dar um abraço
vez ou outra o meu "eu da infância" me chama para brincar
vez ou outra... o meu "eu do futuro" me leva para passear e me mostra que vale a pena chorar e que toda essa luta valerá muito a pena se eu decidir ficar

Troque seu medo pelo meu respeito;
Troque sua insegurança pela minha confiança;
Troque seu pavor pelo meu amor;
Troque seu trauma pela minha alma apaixonada;
Troque seu receio pelo meu desejo;
Troque sua aflição pela minha paixão;
Troque sua escória pela nossa história!

MEU POEMA


FAZ ACROBACIAS
E DEPOIS AMA A VIDA.

PENSAMENTO DE UM MERCADOR PERSA.


SE EU VENDER UMA MONTANHA
E O MEU VIZINHO EM BAGDÁ
VENDER O MAR.


É PORQUE TUDO ESTÁ EM HARMONIA.

Chácara grande. Um quarto com banheiro e banheira só meu. Escola boa. Um pastor-alemão e um pelo curto brasileiro felino desde filhotes sob meus cuidados e afeto. Livros; vários e variados livros. Uma sala repleta de livros. Lareira. Minha mãe e irmãos…


Um amigo. Mora perto. Nos conhecemos na escola. 1ª semana de carro. Minha mãe ou irmã mais velha dirigiam. Após alguns olhares cruzados no caminho escola-casa, passamos a ir e voltar juntos. Às vezes a pé. Às vezes de bike.


Brincamos juntos. Fazemos tarefas da escola juntos. Tanto na escola, quando em dupla, quanto deveres para casa — quando “separados”. Às vezes ele em minha casa. Às vezes eu na casa dele.


Gostamos um do outro…


[...]


Terminei meus exercícios de matemática. Deitei. Deixei a persiana levantada. Dormi admirando as estrelas. Acordei com os primeiros raios de sol. Cheirinho de cookies no forno. Céu em transição de cores. Um espetáculo comum. Um extraordinário ordinário. “Extraordinário” porque contemplava sereno e “satisfeito”. “Ordinário” porque felizmente normal. Era sábado.
Ele me chamou pra brincar.


[...]


—Falei com minha mãe e ela…
—O quê?
—Ela…
—Fala logo!
—Ela não deixou eu ir.
[Silêncio]
—Por quê?
—Ela disse que já passamos muito tempo juntos.
[Silêncio]
—Bom… então tá. Vou voltar pra minha casa. Tchau!
—Espera!
[Olhares fixos]
—É brincadeira!
—Aff! (Fez que não com a cabeça desviando o olhar pro lado)
Caminhando juntos em direção à casa na árvore, perguntei:
—Então, o que vamos fazer hoje?
—Ué! Não é óbvio? Beijar!
—Hã?!
—Quero dizer, brincar! Desculpe.
Ri, pensativo…


Depois do pique-pega, cabo de guerra, esconde-esconde e de competirmos para ver quem aguentava pular corda mais vezes; deitamos, exaustos, na grama fofa. Um ao lado do outro, olhando pro céu, debaixo da melhor sombra da melhor árvore dali.


[Silêncio]
Viramos o rosto um pro outro. Nos olhamos…
—Vou pegar uma água na casa!
Ele me pegou de leve pelo braço antes que eu levantasse totalmente minhas costas do chão.
[Silêncio]
Depois de um tempinho de introspecção, perguntei:
—O que foi?
"Do nada" ele me perguntou:
—Você já beijou alguém, Guilherme?
Estranho, porque todo mundo me chama de João, exceto minha mãe quando me chama pra comer.
—Não. E você?
Ele virou o rosto para o alto. Fez que não com a cabeça. Perguntei:
—Por quê?
—Minha mãe falou que eu não preciso namorar, me casar, ter filhos e constituir uma família se eu não quiser.
—A minha também. (Continuei)
—Ela falou que talvez eu fosse gostar de meninas… ou de meninos… ou de ambos.
—É… a minha também. Mas ela me disse que existem pessoas que não são "exatamente" ou meninos ou meninas...
—Aí ela me perguntou se eu já gostei ou gostava de alguém…
Ele virou o rosto pra mim. Eu estava olhando pras folhas cujo vento fazia tremeluzir a luz que chegava até nós em círculos. Pressenti algo diferente, mas não dei muita bola. Ele aguardava, pacientemente. Após um “passeio no mundo da Lua”, perguntei virando o rosto a ele:
—E aí, o que você falou?
—”Sim”.
—E ela? Ou melhor, de quem é?! (Inquiri ansioso)
—Você.


My Old Dream

Meu amor era presença, cuidado e verdade todos os dias, mas você preferiu se perder no próprio egoísmo e na fantasia.

Te entreguei meu melhor todos os dias, mas seu mundo era pequeno demais para caber nós dois.

O meu amor era gigante, mas a sua capacidade de enxergar além de si mesmo era pequena demais.

O meu olhar segue na altura
do voo do Condor-dos-andes,
eu estou presente em cada
passo do último bastião
da verdadeira alma popular
da minha América do Sul
que não canso de adorar.


Os rostos cansados,
as mãos calejadas,
os sacrifícios sem par,
as expectativas frustradas,
as palavras engolidas,
dos mineiros bolivianos
- merecem ser respeitadas.


Um ninguém que se acha
alguém estando ou não
com o poder na mão,
que não consegue respeitar
quem é capaz de descer
até as profundezas
para erguer um país inteiro,
já morreu por dentro
- só não tem conhecimento.


Uma mensagem com o fundo
preto nem mesmo em momento
de guerra eu e o mundo inteiro,
nunca vimos nada parecido;
quem conhece a linguagem
do poder reconhece o perigo
mesmo neste dia natalino.


Ou melhor, sabe muito bem
que é a prova pública do caráter
de quem é incapaz de respeitar
- nada nem ninguém,
que não vale um vintém;
e se nutre do lucro mortem.

O meu beijo é feito
Murtillas frescas,
O meu poema é
escrito com linhas
certas e erradas,
Versos Intimistas
que unem almas
plenas e apaixonadas.

Está vendo, meu amor?
Tem florada de Goiaba azeda
em tempos de calor.
Está ouvindo, meu amor?
A canção do Reisado
pela voz do cantador.
Está sentindo, meu amor?
E o meu querer querendo
porque é você quem faz
o meu coração continuar batendo.

O Angico jacaré floresceu,
a Caravana de Reis
pela rua desceu,
Você é o meu presente
que pedi ao Bom Deus.