Nao Existe mal que Dure pra Sempre

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A vida é uma breve interrupção entre dois silêncios que, curiosamente, não exigem produtividade.

Se a vida não possui sentido pronto, pelo menos nos poupa do constrangimento de descobrir que escolhemos o sentido errado.

Quando não conseguimos resolver um problema, inventamos uma narrativa suficientemente bonita para fingir que o compreendemos.

Resisto facilmente às tentações que não me interessam. Meu caráter começa a ser testado justamente pelas outras.

Perdoar alguém não significa esquecer; às vezes significa apenas retirar essa pessoa da administração da nossa memória.

Levar a vida excessivamente a sério talvez seja a forma mais sofisticada de não perceber que ela está passando.

Quando alguém realmente pensa diferente, a primeira reação da maioria não é compreender: é procurar uma maneira de enquadrá-lo.

Somos generosos com os problemas dos outros porque eles não cobram juros emocionais de nós.

A história não se repete exatamente. Ela apenas atualiza a interface dos mesmos erros.

O trabalho não apenas ocupa as mãos: ele disciplina o espírito, afasta o tédio, contém o vício e transforma a necessidade em dignidade.

A liberdade de pensar é para o espírito aquilo que o ar é para o corpo: sua ausência pode não ser imediatamente visível, mas sua falta o sufoca.

A civilização não extingue necessariamente a barbárie; às vezes apenas lhe oferece instituições, linguagem e tecnologia para ocultar seus dentes.

O fanatismo transforma a convicção em febre: já não procura compreender a verdade, mas destruir tudo aquilo que ameaça sua certeza.

O homem não foi lançado ao mundo apenas para contemplá-lo, mas para agir dentro dele e responder pelas consequências de seus atos.

Há verdades que não precisam de censura para morrer: basta entregá-las a uma sociedade que desaprendeu a perguntar.

A ciência não humilha a fé; humilha apenas a pretensão de transformar uma crença em evidência e uma evidência em dogma.

A inteligência incomoda porque não respeita fronteiras construídas pela autoridade entre aquilo que pode ser pensado e aquilo que deve permanecer acreditado.

A civilização não se mede pelo número de verdades que proclama, mas pela quantidade de dúvidas que tolera.

O século XXI sofisticou a mentira: já não precisa ocultar os fatos, basta inundá-los de versões até que a verdade pareça apenas mais uma opinião.

A tecnologia ampliou a voz humana, mas não necessariamente a inteligência que deveria acompanhá-la.