Não Existe Homem Fiel
Não existe essa ideia de que alguém seja tudo o que falta. Não existem metades à procura de outra metade, existem pessoas inteiras que se encontram.
O que existe é o encontro consigo mesma. Não posto minha vida como algo para ser observado, mas como expressão do que vivo e compreendo. Cada pessoa segue seu próprio caminho de consciência, e eu sigo atenta ao meu.
E que a vida siga como essa aventura de existir.
“Existe um momento em que a ausência de sentido impera, e nossa vida clama por ressignificação. Uns chamam de maturidade; outros, de libertação.”
“O ceticismo é a maior prova de fé que existe. Pois duvidar do mundo, das percepções e das verdades estabelecidas exige uma confiança secreta,quase mística, de que há, em algum lugar, um critério mais puro, mais legítimo, ainda que inalcançável. O cético radical não abandona a verdade; ao contrário, crê nela com tanta veemência que recusa todas as suas caricaturas. Crer na dúvida é, paradoxalmente, um ato de fé na razão, não naquilo que ela afirma, mas naquilo que ela continua buscando.”
Existe uma diferença entre lutar por algo e lutar contra algo. E permanecer em certas situações é exatamente isso: lutar contra o que já não encaixa mais.
A repercussão de um mau caráter sempre foi resultado de escolhas imorais...
A ética não existe para ele,quando ele quer conseguir o que quer, até a ética ele manda matar!
Não existe amor sem falhas
porque não existe você sem camadas ainda em construção.
Marcilene Dumont
Não importa o ponto de partida, nem os desvios do caminho. Sempre existe a possibilidade de reescrever a própria história, com dignidade, consciência e verdade suficiente para que outros vejam que podem também encontrar direção.
Não existe dor maior, do que a dor do abandono. Nos faz sentir tão fracassados , tão impotentes e insignificantes.
"Existe uma praga destruindo o Brasil, mais nociva do que um milhão de Coronavírus mutantes. Chama-se: A Estupidez Polarizada."
Deus existe. Essa poderia ser a sentença ideal para iniciar um livro. Ou talvez: Deus não existe.
Qual delas prenderia mais a atenção do leitor?
Nada é simples assim. Nem uma, nem outra. Ambas são complexas, teses de difícil comprovação. No campo da fé, a primeira frase pode convencer com facilidade, sobretudo pessoas crédulas. Já a segunda talvez encontre terreno ainda mais fértil se o leitor for cético, agnóstico ou mesmo religioso sem convicção profunda. Em ambos os casos, não se trata de verdade ou mentira imediata, mas do lugar íntimo de onde o leitor parte. A frase inicial não prova nada; apenas revela quem lê.
Seguindo por esse caminho, este será o meu livro mais inquietante. Não porque eu nunca tenha tratado desse tema. Ao contrário, como filósofo, escrevi muitos livros que, de uma maneira ou de outra, trabalharam com essas duas possibilidades. Mas este é diferente. Ele nasce do lugar em que me encontro agora.
Para um leitor curioso, este livro será uma janela aberta para dois abismos. Duas escolhas, duas teses, duas possibilidades. Ainda assim, creio que será um trabalho penoso. Habitar o espaço entre esses dois polos, descer ao mais tenebroso caos para investigar, sob uma perspectiva dialética, questões que há milênios retiram a paz de homens e mulheres de alma profunda, exige coragem.
Se Deus não existe, estamos perdidos. Revoltados, em desespero total, sem nenhuma base para a esperança. Com essa afirmação, Deus não existe, enterramos a metafísica e já não necessitaremos buscar sentido nessa ciência frágil. Então, comamos e bebamos, surtemos e executemos todos os desejos carnais, certos de que não haverá julgamento nem punição moral após a morte, apenas o retorno ao pó.
Contudo, antes de concluir qualquer uma dessas afirmações, é preciso investigar a história de ambos os lados. As pessoas que acreditaram em cada uma dessas posições, o que as levou a sustentar tais teses e quais foram os resultados morais, sociais e históricos dessas escolhas.
Mas de onde partiremos, na corrente do tempo? Em que lugar cultural fixaremos nosso ponto de partida? Que história ou mito serviu para determinar o princípio de tudo? Seria ideal partir de uma crença específica, de uma tradição particular, ou isso seria um argumento frágil, sem credibilidade universal?
Se eu escolher o óbvio, o mito de Adão, não lograrei êxito com aqueles que não creem na tradição oral ou escrita dos judeus. Talvez, se optar por outro cerne, como a cultura africana, ainda assim enfrentarei sérios problemas para resolver essa questão inicial. O impasse persiste.
Contudo, é preciso definir um ponto de partida e seguir adiante. O atraso excessivo também é uma forma de recusa. O que me ocorre agora é outra possibilidade. Sugerir várias origens, vários mitos, várias tradições, e deixar a critério do leitor qual delas melhor lhe servirá.
Talvez não caiba a este livro impor uma origem, nem eleger uma tradição soberana, mas oferecer caminhos. Permitir que cada leitor escolha de onde olhar para o abismo. Afinal, a pergunta sobre Deus talvez diga menos respeito à resposta correta e mais à coragem de sustentar a pergunta.
Então, antes de fixarmos a mente no homem como ser racional ou como criação divina, levantemos os olhos. Olhemos para as estrelas.
Comecemos com um pouco de ciência. Observemos o universo não como metáfora, mas como fato. Sabemos hoje que ele não é estático. Expande-se. Galáxias afastam-se umas das outras, o espaço se dilata, o tempo carrega consigo a memória de um início violento e incompreensível. Houve um momento inaugural, que a ciência chama de Big Bang, no qual matéria, energia, espaço e tempo surgiram juntos, sem testemunhas, sem linguagem e sem propósito declarado.
A ciência descreve o como com rigor crescente. Fala de inflação cósmica, de forças fundamentais, de partículas elementares, de um universo que lentamente se organiza a partir do caos primordial. Mas permanece silenciosa quanto ao porquê. Ela mede, calcula, observa, mas não confere sentido. Talvez não seja essa a sua função.
É nesse ponto que a pergunta por Deus reaparece, não como afirmação, mas como hipótese extrema. Onde Deus caberia nesse projeto? Antes do início, como causa primeira? Como princípio organizador? Ou como invenção tardia de uma consciência assustada diante da vastidão e do silêncio?
Olhar para cima é um gesto filosófico. Diante da imensidão indiferente do cosmos, o homem percebe sua fragilidade e, ao mesmo tempo, sua singularidade. Somos poeira que pensa, matéria que pergunta, universo tentando compreender a si mesmo. Se Deus existe, talvez não esteja nos detalhes morais imediatos, mas nesse espanto original diante do infinito. Se não existe, o espanto permanece, talvez ainda mais cruel.
Todo evento, afirma a ciência, necessita de um observador, pois acontece em um ambiente, no espaço e no tempo. Essas condições são frágeis, mas reais. É dentro delas que algo pode ser reconhecido como acontecimento. Essa probabilidade científica, instável e limitada, talvez seja tudo o que temos para buscar algum sentido no estado das coisas físicas, materializadas. Fora disso, restam apenas hipóteses, silêncio e a vertigem de tentar compreender um universo que existe independentemente de nos perceber.
Não fala mais de ir pra Itaipuaçu,
como se o caminho tivesse sumido.
Mas no fundo, ainda existe,
só ninguém tem coragem de olhar.
DeBrunoParaCarla
Entre estrelas que nascem e morrem
existe um tempo que não se mede…
um vazio cheio
de tudo o que não precisa existir para ser real.
Itaipuaçu virou só nome,
um lugar que existe, mas não chama.
Como certas memórias,
que a gente evita revisitar.
DeBrunoParaCarla
O universo real não precisa de sentido,
porque ele já existe antes de qualquer explicação.Eu te levei até lá sem caminho, sem nome, onde tudo é… mesmo quando ninguém entende.
DeBrunoParaCarla
