Muda que quando a Gente Muda
Dessa vez, tudo estava se encaixando. As coisas fluíam, mesmo quando eu me sentia perdida. E então surgiu você. Você, exatamente você. Educado e impaciente, estressado e inteligente, palhaço, um pouco egoísta, carinhoso no limite. Cheio de contrastes.
E, ainda assim, por mim, você decidiu mudar. Pensar em mim. Pensar antes de se estressar. Exercitar uma paciência que eu nem sabia que você tinha. Você faz de tudo para que a gente dê certo. E eu sei: sou exigente até demais. Mesmo assim, você me tolera, me ama, me cuida.
Eu lembro nitidamente de como tudo começou. Do medo de me machucar de novo quando percebi que estava começando a gostar de você. Esse sentimento não foi planejado, não foi pensado — simplesmente aconteceu. Tudo começou numa brincadeira… começou em você.
Eu não consigo falar do nosso presente sem lembrar do início: do meu bloqueio, da minha vontade de te evitar, do medo de me envolver e sofrer outra vez. Até que esse sentimento foi crescendo, me consumindo, e eu decidi te dar uma chance. Uma chance que começou com um beijo — ok, eu enrolei um pouquinho.
E você, que parecia não ter coração, veio justamente para mudar todas as minhas expectativas. Nunca pensei que iríamos tão longe. Nunca imaginei que seguiríamos adiante. E, sem perceber, uma amizade se transformou em um grande amor.
Quando ficar dói menos do que ir…
Quantas vezes você já se perguntou se está sendo paciente ou apenas se anulando?
Se o que você chama de amor é, na verdade, medo de perder?
Se a relação em que você está te traz paz — ou apenas ocupa o vazio de não saber ficar só?
Nem sempre o sofrimento se apresenta como dor explícita.
Às vezes, ele se manifesta como espera, como silêncio, como adaptação constante.
E é justamente aí que mora o perigo: quando ficar parece mais fácil do que se posicionar.
Em algum momento, quase todos nós nos encontramos nesse lugar silencioso.
Não é exatamente sofrimento escancarado.
É algo mais sutil: uma inquietação constante, uma sensação de estar esperando por algo que nunca se define.
E, se você for honesto consigo mesmo, sabe do que estou falando.
Sabe porque sente.
Sabe porque vive.
Você não está ali por falta de amor.
Está ali por excesso de esperança.
Esperança de que a outra pessoa se envolva mais.
Esperança de que se posicione.
Esperança de que, em algum ponto do tempo, ela perceba o seu valor.
Enquanto isso, você adapta o tom.
Reduz a expectativa.
Tolera o que não te faz bem.
Vai ficando.
Não porque está em paz — mas porque sair parece doer mais do que ficar.
O problema é que essa permanência tem um custo silencioso.
Ela vai te afastando de si aos poucos.
Você começa a confundir paciência com renúncia, compreensão com autonegação, maturidade com silêncio.
E o mais desconfortável de tudo é isso:
no fundo, você sabe.
Sabe se existe reciprocidade.
Sabe se há presença real.
Sabe se é prioridade ou apenas conveniência.
Ignorar essa percepção exige esforço.
E é esse esforço diário que cansa, adoece e rouba a alegria de viver.
Quando você finalmente se posiciona — quando escolhe por si, pelo seu equilíbrio emocional — algo estranho acontece.
O barulho cessa.
A expectativa desaparece.
E surge um vazio.
Mas esse vazio não é ausência de amor.
É ausência de conflito interno.
É o cérebro desacostumado ao estímulo da espera.
É a alma respirando depois de muito tempo em tensão.
Esse espaço que agora parece assustador é, na verdade, o primeiro momento de liberdade real.
Antes, ele estava ocupado por algo que não tinha futuro, mas que consumia tudo.
Agora, o terreno está limpo.
E terreno limpo assusta quem nunca se colocou como prioridade.
Mas é nele que você se reencontra.
É nele que seus valores voltam a fazer sentido.
É nele que você para de implorar por presença e passa a escolher companhia.
Esse momento exige coragem.
Exige atravessar a dor de se decepcionar.
Exige sustentar a decisão mesmo quando a saudade tenta te convencer a voltar.
Mas aqui está a verdade que quase ninguém diz com clareza:
A dor de se posicionar é intensa, mas breve.
A dor de não se posicionar é silenciosa — e dura uma vida inteira.
Quando você aceita atravessar esse curto período de desconforto, algo muda para sempre.
Você não aprende apenas a sair de uma relação ruim.
Você aprende a não entrar novamente no mesmo lugar.
Você deixa de negociar a própria dignidade.
Deixa de se contentar com migalhas.
Deixa de chamar de amor aquilo que só existe enquanto você se diminui.
E, a partir daí, tudo muda.
As relações que permanecem são diferentes.
As escolhas são mais conscientes.
A paz deixa de ser exceção e passa a ser critério.
O solo fértil que você preparou não é só para alguém novo entrar.
É para você nunca mais se abandonar.
O que hoje parece perda é, na verdade, o início de uma vida com mais sentido.
Menos ruído.
Menos espera.
Mais verdade.
E isso não é sobre coragem momentânea.
É sobre decidir, uma única vez, que você não será mais refém.
Quando alguém gosta de verdade, mesmo que se afaste ou fique quieta, existe um desejo de ser notada, de mostrar que se importa. Quem não se importa de verdade simplesmente some ou se esconde sem querer ser visto.
A FEBRE
Quando o sol se despede,
uma chama se acende em mim,
não de calor do dia,
mas de um fogo que vem de dentro,
sutil, insistente,
que me envolve no escuro.
Durante o dia, rio e caminho,
o mundo me segura, me distrai,
mas a noite… ah, a noite
me consome como brasa viva,
sussurra meus medos,
faz dançar a febre que carrego.
Procuro a calma nos lençóis,
na respiração que estica e solta,
no silêncio que às vezes dói,
mas que me ensina a ouvir
a voz do meu próprio peito,
a poesia da minha febre,
que queima e revela
quem eu sou quando ninguém me vê.
Não preciso da cronologia dos seus dias,
nem da biografia em
capítulos cansados.
Quando digo, digo presença —
não é passado, não é futuro,
é agora.
Não quero relatório da sua vida,
quero só o silêncio cheio do seu estar,
esse sopro que ocupa o espaço
como quem diz:
eu existo aqui, contigo.
"As pessoas tem a feia mania de não cuidarem bem do que tem em suas mãos e quando perdem...
choram como se o mundo fosse cruel, mas esquecem que foram elas mesmas que deixaram escorrer entre os dedos o que um dia pediram tanto pra ter."
Quando algo fica mesmo depois de mil despedidas, é porque deixou de ser “pendência” e virou parte da tua estrutura. Pode ser um amor, um talento, um chamado, uma ferida que moldou teu jeito de ver o mundo.
Nem tudo que fica é pra ser arrancado; às vezes é pra ser compreendido, acolhido e usado a teu favor.
Tem coisa que não sai porque, no fundo, é você também.
Se for pra se reaproximar, vai acontecer naturalmente, no tempo certo.. E quando acontecer, o outro vai lembrar de quem soube respeitar o silêncio dele.
Eu existo, mesmo quando não me veem.
O olhar que não atravessa mais não apaga minha presença.
Minha vida não depende de quem decide partir.
Sou lembrança de alguém, mas inteira para mim.
O que não me quer não me define;
o que me mantém vivo sou eu.
E na ausência do outro, encontro meu próprio espaço, meu próprio ar, meu próprio brilho.
Respirar,
mesmo quando o mundo não perceber,
mesmo quando o tempo passar
e nada for mais igual,
quando ninguém mais for o mesmo...
ainda assim,
respirar.
A MINHA FORMA NUA E CRUA
Quando a pessoa não é sincera com você, você é obrigada a ser pelas duas e isso pesa. Quem não te dá sinceridade não aguenta ela, e eu não sei ser só metada, estar inteira pra mim também é ser real e sincera.
Às vezes a pessoa se retira da vida da outra por entender o lugar dela...
Eu entendi o meu.
Gosto dos meus finais, do jeito que os traço, e gosto quando gosto disso!
há beleza no adeus quando sigo meu passo.
Deixo pro último dia, veneta que vem,
“deu na telha”, eu rio.. Loucura faz bem.
Louca?.. Talvez. Mas quem é são de verdade,
se conter o transbordar é negar liberdade?
Encerrar minha participação especial na vida de alguém
é arte que dói, mas que dá no que falar
porque até no adeus, eu sei me reinventar.
Tá tudo bem sentir medo.
Ele aparece quando a alma percebe que algo precisa mudar,
mas o corpo ainda não sabe como seguir. O medo não é INIMIGO, é o teu aviso de que algo importa demais pra ser ignorado.
Pra quem nunca ficou
Você não ficou quando doeu,
nem perguntou se a noite me cabia.
Silenciou quando o mundo caiu,
e apareceu só quando eu fingia.
Disse “felicidades”, mas era medo,
não afeto, nem saudade.
Foi o susto de me ver inteira,
de eu seguir sem tua metade.
Eu esperei no eco do tempo,
no som do que não voltou.
Agora entendo: eu não te perdi,
foi você quem não me encontrou.
E quando alguém apaga, tu continua existindo.
Quando alguém foge, tu continua sentindo.
Quando alguém troca de pele, tu continua sendo tu.
Não é fraqueza. É prova de que teu coração é vivo, mesmo depois de tudo que tentaram calar nele.
Um dia, as lembrança não vão ser mais facas.
Vão ser cicatrizes discretas
E você vai respirar sem esse peso atravessando teu peito.
Aprendizado do dia: Pessoas realmente boas são raras. Quando alguém é bom pra você, isso não se explica em palavras, se demonstra. Muitas vezes até assusta, porque a gente não está acostumado a ser bem tratado. Esse cuidado é a forma mais simples e sincera de alguém dizer que se importa. E Deus coloca esse tipo de pessoa na nossa vida uma única vez. Se tiverem a oportunidade, guardem, cativem e cuidem, porque o mundo está cada vez mais sombrio, e uma luz faz diferença.
Gente assim não é perfeita, e nem precisa ser. Carrega uma graça, um tipo de brilho que impulsiona. Não é fácil reconhecer, mas existe uma semelhança divina nisso.
Cultivem o que é bom. Assim como todos passam pela nossa vida, um dia essa pessoa também pode ir, sem deixar rastros. Eu, sinceramente, ainda não encontrei alguém como eu descrevo, mas quando encontrar, não vou deixar ir até Deus levar.
Às vezes, deixamos o que é bom passar porque achamos que não merecemos ou porque perguntamos “por que eu?”. Esqueçam essas perguntas. Vivam o que Deus determinou e não deixem nada estragar isso. Uma luz, no meio da escuridão, salva.
06:52 da manhã de uma quinta-feira, dia 27 de novembro de 2025.
Há vínculos que acabam antes do adeus.
Quando o respeito sai pela porta, o afeto já foi pela janela.
Quando alguém se recusa a te conhecer, o limite não está na sua capacidade. Está no medo, na rigidez, no bloqueio do outro. Gente fechada não entra em relação, só deixa gente bater na porta até sangrar.
Quando tudo caiu, algo ficou
Houve um tempo em que tudo me foi tirado.
Dinheiro, chão, confiança, abrigo.
Caí no corpo, caí na fé, caí no silêncio das pessoas.
Mesmo assim, algo ficou.
Um fio invisível que não arrebentou.
Aprendi que nem toda perda é castigo
e que Deus nem sempre salva do tombo,
às vezes salva no tombo.
Fui boa demais onde o mundo era duro.
Fui inteira onde o outro era raso.
Isso me feriu, mas não me corrompeu.
Hoje recolho o que restou de mim
como quem junta cinzas ainda quentes
sabendo que ali há vida.
Não peço devoluções.
Não imploro justiça.
Confio no tempo, que vê o que ninguém viu.
Se tudo caiu, foi para que eu ficasse.
Mais quieta.
Mais lúcida.
Mais minha.
E isso, ninguém levou.
