Morreu e esta em um lugar Melhor
A única forma de realizar um trabalho em silêncio, num espaço público, sem media, sem televisões, sem redes sociais, sem Facebook, sem TikTok, sem ruído é, paradoxalmente, não o realizar.
Vivemos num tempo em que a informação já não circula num vácuo fechado; ela propaga-se num campo aberto, permanentemente atravessado por acções externas, olhares, algoritmos e interferências invisíveis. O silêncio, hoje, tornou-se uma ausência quase impossível.
Furucuto, 2026
Todas as histórias de superação transportam emoções profundas, que permanecem em nós como um arquivo persistente, difícil de eliminar. Furucuto, 2026
“Toda a crítica que não obedece a um princípio ético deixa de ser crítica e passa a ser uma ofensa à integridade do outro ser.” Furucuto, 2026
Nas bananeiras
Nem um louco esqueceria.
Recuso-me a perder a memória
daquele desvio do mundo, nas bananeiras,
onde o corpo escreveu antes da palavra.
De olhos fechados, reconheço
o caminho da chuva bravia
a rasgar as folhas largas,
o tambor verde da selva
a bater contra a pele.
Ali, os nossos corpos
não pediam permissão ao desejo.
Na tua boca,
um sussurro longo, quente, primitivo,
como se a terra falasse por ti:
“Amor, estou a molhar o meu cabelo.”
E eu, feito bicho cativo,
aprisionado no teu castelo húmido,
habitei os teus jazigos
como quem aceita o feitiço.
A chuva confundia-se com a saliva,
líquido sem nome, sem culpa,
apagava os sinais de luta e entrega
que nasciam no teu corpo nu,
corpo-fruta, corpo-mato, corpo-fogo.
“Amor, estou a molhar o meu cabelo.”
“É sério… vais sentir o cheiro depois…”
E a terra prometida abria-se
debaixo do teu vestidinho breve,
onde as flores são carnívoras
e as promessas mordem.
Ali, o amor era selvagem,
sem templo, sem regra,
apenas carne, chuva e bananeiras.
Daniel Perato Furucuto
Existe um adormecimento nas nossas mentes que não favorece a reflexão, uma mente vazia, destinada apenas a ver o que quer ver, a pensar no que lhe convém e cega perante os vastos panoramas do universo. Furucuto, 2026
Quem vive a cuidar do sorriso do outro, um dia descobre que o seu se perdeu em silêncio. Furucuto, 2026.
No dia em que corri atrás de alguém, confundiram-me com um cão. Hoje, decidi parar, não para seguir passos alheios, mas para apanhar os ossos que esse alguém deixou cair. Furucuto, 2026.
Não é o nome da universidade que gera conhecimento nos estudantes. Cada um deve compreender que, para ser um bom estudante, é necessária dedicação, e não a expectativa de que o prestígio institucional opere uma espécie de magia capaz de atribuir saber sem esforço. Em suma, não existe uma “melhor” universidade, no fim, tudo exige entrega e compromisso.
Furucuto, 2026
“A única certeza que tenho é que, um dia, irei embora. E sei que me vão culpar, como se vivessem o que eu vivo hoje.” Furucuto, 2026.
“O tamanho da saia de uma mulher não define o seu carácter, mas cada um é responsável pela interpretação que a sua veste pode provocar.”Furucuto, 2026
Habitamos um mundo em que cada ser carrega o seu ponto de vista, a sua razão e os motivos que justificam tanto o agir como o abster-se do que seria devido. No fim, todos aspiramos à perfeição, ainda que ninguém a encarne. Furucuto, 2026.
É triste quando um gestor se preocupa mais com a quantidade de aprovados do que com a qualidade da aprendizagem. Ao pressionar os profissionais da educação para apresentarem números cada vez mais elevados de aprovações, corre-se o risco de transformar o ensino num exercício estatístico, onde os indicadores passam a valer mais do que o conhecimento.
Um sistema educativo que privilegia apenas as taxas de aprovação compromete a credibilidade da formação, enfraquece as competências dos estudantes e prejudica o futuro da sociedade. Quando essa realidade se junta a um mercado de trabalho incapaz de absorver os diplomados, o problema torna-se ainda mais grave: multiplicam-se certificados, mas não necessariamente profissionais preparados nem oportunidades de emprego.
A verdadeira qualidade do ensino não consiste em produzir mais aprovados, mas em formar cidadãos competentes, críticos e capazes de responder às exigências da vida e do mercado de trabalho.
(FURUCUTO, P. D., 2026).
A qualidade de um livro não é definida pela quantidade de páginas que possui. Um bom livro não se mede pelo seu volume, mas pela sua capacidade de cativar o leitor, prender a sua imaginação e fazê-lo reviver, em cada página, as palavras que nele estão escritas.
(FURUCUTO, P. D., 2026).
Ler um poema
"Ler um poema é despir-se dos sentimentos mais profundos, permitindo que a mensagem escrita no papel encontre o coração de quem a lê. É um encontro silencioso entre a alma do poeta e a sensibilidade do leitor, onde cada verso ganha vida e cada palavra desperta emoções que, muitas vezes, nem sabíamos que existiam."
(FURUCUTO, P. D., 2026).
"Nunca faças o bem à espera de um elogio. A gratidão é uma virtude; a ingratidão, infelizmente, impede muitas pessoas de reconhecerem o valor de quem lhes estendeu a mão." (FURUCUTO, P. D, 2026)
"Por vezes, é necessário sacrificar um médico do que permitir que continue a assassinar pacientes. A negligência protegida pode custar mais vidas do que uma decisão difícil."
(FURUCUTO, P. D., 2026)
"A vida é um complexo imaginário, onde a realidade e a imaginação coexistem."
(FURUCUTO, P. D., 2026)
"A vida é um conjunto de complexos momentâneos que, ao serem racionalizados, derivados e integrados, convergem para uma razão que é, ao mesmo tempo, explícita e implícita."
(FURUCUTO, P. D., 2026)
Meu Coração é um Estúpido
Alguém disse ao meu coração
Que já não te amo.
Mas ele recusa-se
A deixar-te partir.
Queria ser tão forte
Como este coração,
Para entender
Onde vai buscar tanta estupidez.
Sabes quantas vezes
Já o encontrei a chorar?
Quando lhe perguntei o motivo,
Respondeu-me
Que era apenas uma tempestade
E que passaria mais tarde.
Mas, noutro dia,
As lágrimas continuavam.
Voltei a perguntar-lhe,
E garantiu-me
Que a tempestade regressara
Ainda mais forte.
Mesmo assim,
Disse que ela não o iria abalar.
Acrescentou ainda
Que já suportara dores piores
E, apesar de tudo,
A vida continuara a caminhar.
Então disse-lhe:
“Se o amor é assim,
Eu desisto de amar.
Desisto de sentir.”
O coração olhou para mim, espantado,
E respondeu:
“Tu nunca amaste de verdade, meu amigo.
O amor é assim.
Hoje faz-te conhecer
A pior das infelicidades;
Amanhã oferece-te
A maior das felicidades.”
Respondi-lhe:
“Então isso não é amor…
É um castigo.”
Castigo da Feitiça, 2026
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