Mona Lisa

Cerca de 409 frases e pensamentos: Mona Lisa

⁠O homem calmo, que expressava suas ideias com serenidade, tornou-se um cão raivoso, que mordia as barbas do vento. Isso aconteceu em um momento de implosão, em que lavou seu rosto no lago da iniquidade. Tudo era tarde demais para amanhecer.

Quando a linguagem falta, os homens se comunicam com o olhar denso demais para não ser reconhecido. E todos os gestos comunicavam brandura ou irritação. Há sempre uma forma de dizer o que escapa da alma, como repartir o pão na hora da fome.

O amor atinge um limiar em que já não é possível voltar atrás. Quando se excede, o amor se desmancha como uma avalanche que não pode mais conter a terra em seu estado de deslizar para além de si mesmo.

Tudo o que é demais se excede, como um galho turvo pelo peso dos frutos. Tudo o que é demais falta, como um tempo gélido que queima a ponta dos significados abstratos e abissais. O equilíbrio é o ponto dos extremos. É o zero absoluto.

Uma alma recém nascida se espanta com o pensamento, tão novo quanto original. Pensa o que é natural, se faz frio, se faz calor, se a vida é um lugar agradável de se viver. Enquanto isso recolhe-se no ninho da alma e apenas absorve o absurdo.

Uma casa feita de memórias certamente seria um palacete, com grandes quadros na parede remetendo a lembranças fortes como o sol do meio-dia. Em um trono real se sentaria e pensaria: “Eis que existo”.

O amor que não pode existir é como um abacate nascido de um pé de manga. Tudo é estranheza inadmissível. O amor como resistência do que não pode ser. Seus filhos nasceriam do caos e existiriam mesmo em meio à inexistência.

Ele fazia mil planos, construiria mil projetos. Edificaria um reino e faria plantar árvores novas, mas suas mãos gélidas provavam que o seu corpo já não vivia e o vazio se fazia como única existência possível. A morte em vida, ou a vida em morte, povoada de realizações sonhadas.

Ele pensava e para cada pensamento corria uma gota de sangue de sua cabeça, parecia calor, mas era sangue e o esvair da vida. No entanto, permaneceria vivo, haja vista que os pensamentos eram infinitos e o sangue simbolizava que eles estavam vivos.

Ele nasceu com a missão de carregar o silêncio do mundo, mas não imaginava que seria tão leve, já que as bocas frenéticas não paravam de dizer palavras e, como na torre de Babel, ninguém se entendia. O mundo estava habitado de ruídos, da linguagem que traduzia o incomunicável desespero das almas que não se entendem.

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⁠Sua alma calada é uma fruta de plástico.

O agora eterno era um relógio sem bateria.

O amor sem liberdade é um homem preso ao corpo.

Uma flor que nasce do silêncio era um gesto que só o tempo entendia.

A lucidez em demasia é a distorção da realidade em estado de insanidade.

Quando ninguém a observava ela ria com os ouvidos.

A cor da ausência é transparente e quando preenchida é um prisma de arco de íris.

A lágrima interna molha a alma.

Páaa é o som do impossível absurdo.

Se a linguagem evaporasse ela nascia de novo na chuva das palavras.

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⁠A verdade para um ser feito de mentiras é um gato que nunca nasceu nem nunca morrerá.

Traaa e se quebrava o espelho do sonho.

O pensamento que o mundo não está pronto para ouvir nasce como um ovo no ninho de um animal mamífero.

O coração que ama o impossível é um homem grávido, enquanto sua mulher espera um filho.

O vazio que habita o ser humano é um balão preso na garganta.

O céu de quem perdeu toda a esperança é um universo colorido de estrelas que o homem não enxerga.

O nascimento ao contrário é um feto parindo sua mãe.

Antes de ser dita, a palavra precisa ser criada. As palavras nunca se repetem, elas são sempre um ser humano nascendo com suas únicas impressões digitais.

A dor que não cabe no corpo nem na linguagem é um pássaro que nunca pousa.

A dança de dois silêncios que se amam é a mãe olhando o filho pela primeira vez.

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⁠O tempo é um filtro que só deixa passar as palavras puras, próprias para consumo.

Memória é para o passado assim como a imaginação é para a alma viva das estações, dos momentos oníricos e da brutal realidade do ser.

Só quem convive com a solidão aprecia uma verdadeira companhia.

Angústia que nasce da beleza é como o filhote de pássaro, que nasce despejado, frágil e se transforma em um lindo flamingo rosa.

O pensamento criativo flerta com o infinito, mas não pode ultrapassar a atmosfera.

A escova de dente é como uma mãe lambendo o rosto de seu filhote — no caso, é a saúde bucal.

O vazio sobra
Aquilo que se fragmentou
O desejo alcança
O além da esperança.

Ela esperava o sol esfriar para aquecer o café. Esperar o sol esfriar é torná-lo sujeito onisciente, para o momento certo de aquecer o café — convite para que a comadre se aproxime e compartilhe esse momento.

Melflorar — mistura de mel e florescer. Quando o mel está no ponto de ser colhido e reiniciar o ciclo.

Impermanência é acompanhar o crescimento de um filho em todas as suas etapas.

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⁠A linguagem é um elemento no limiar da transformação, deixando de ser quem é e se transmutando em outro elemento, o ouro. Quando um homem passa debaixo do arco-íris, ele vira mulher.

Eu peguei o eclipse e fiz dele um pincel. Todas as vezes que eu pinto, os quadros são escuros e solares. São um fenômeno da natureza cósmica transcendente.

Uma régua serve para medir. Um copo serve para beber água. O indizível serve para silenciar.

O tempo que não passa e não fica pode ser traduzido como o tédio, sentimento que descarta todas as possibilidades da criação. O tédio não passa nem fica, ele come as beiradas da lucidez, num grito rouco, sem forças para se comunicar.

A verdade é uma fruta aberta por um pássaro. Ele se torna dono de sua suculência.

O homem comia o fruto, e sua seiva era meliflua. O que era meliflua, o fruto ou o homem?

Um espelho que visse essência refletiria as grandes questões existenciais do ser humano: a angústia, a alegria, a pressa, a calma, a vida e a morte.

O tempo caiu no abismo, mas não morreu. O silêncio o sustentou em sua queda, para que o tempo não se extinguisse.

Só quem já se perdeu de si olha o mundo como exaurido, nada mais lhe pertence. Em seu descontrole perdeu a capacidade de lidar com a complexidade da vida. A dor do vazio se apresenta, mas se restaura ao ver um filho criado. Eu sou além de mim mesmo.

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⁠Um espelho se quebra no escuro, apenas os átomos presenciaram o colapso. Simbologicamente, todo o universo é formado por átomos, que se reorganizam a cada desintegração.

Palavras são facas que cortam o silêncio de maneira irremediável. Textos são mísseis direcionados ao interlocutor.

O som de uma memória que nunca aconteceu se assemelha a gotas pingando de uma torneira que não existe.

Às vezes a alma se cansa e se aconchega em nosso colo, cujo único afago possível é o silêncio das palavras que nunca brotaram, mas escreveram um livro de memórias caladas.
Um relógio quebrado paralisa o tempo como o silêncio joga xadrez com as constelações.

Extacolia é um neologismo que mistura êxtase com melancolia. Ela se encontrava em um estado de extacolia e não sabia definir o que sentia.

O invisível tem o peso de uma pluma deslizando suavemente dos céus à terra, sem pressa de chegar, até porque ninguém veria.

No meio de uma casa abandonada havia um ninho de passarinho. Em vez de ovos, havia uma semente resistente, com sede de vida, que cresceria rompendo o telhado e se formaria como um imponente pinheiro. Todos os dias era Natal.

O inconsciente humano é um profundo oceano desconhecido, como a noite escura que absurda os corações aflitos, que não podem comer estrelas.

Se a linguagem fosse um corpo ela seria as mãos, esculpindo um ser humano capaz de pronunciar o silêncio das pessoas angustiadas com o grito histérico dos desesperados.

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A raiz da árvore sustenta o tronco. A raiz quadrada é incompreendida pelos próprios matemáticos poetas, que não enxergam números, mas metáforas. A raiz de uma palavra é sua essência que grita, dizendo que chegou primeiro.

A linguagem em determinado momento estagna. A poesia dá nova voz à linguagem, com suas criações originais. A linguagem é um cardume de pequenos peixinhos.

O tempo passa arrastado como minha dor que não encontra sentido em nossa sociedade. Minha dor é o líquido que sai da fruta, quando colhida antes do tempo.

Todos os pensamentos que penso são únicos. Alguns pensamentos que todo mundo pensa são únicos.

Espelho é para rosto assim como silêncio é para linguagem. O espelho espera o rosto para refletir. O silêncio espera a linguagem para se transmutar em palavra.

A árvore precisa de tempo para amadurecer. Seu crescimento encontra analogia com o relógio que mede o tempo. A árvore simbólica cresceu em trinta e três minutos, contados no relógio.

A luz era o eco brilhando. Seu brilho revelava uma ferida na alma que se esconde em pântanos escuros.

Solidão é sinônimo de ausência e vazio. Um retroalimenta o outro. Solidão é ser a única árvore do deserto.

Ontologicamente a verdade não pode ser a mentira. Onde mora a verdade, há ausência de mentira. Onde mora a mentira, há ausência de verdade, como o fruto que não cai longe do pé. Essa explicação racional é limitada como uma árvore que não produz frutos. Sua missão é ser flor.

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⁠Relâmpago é para tempestade assim como a epifania é para uma descoberta, que faz os olhos verem o invisível e os pés suspensos no chão.

A chama queima o escuro da noite e a faz um estado da natureza que dança entre opostos complementares.

Vazio é quando a festa acaba e seu vinho ainda está pela metade.

O tempo é um pressentimento, que é uma intuição, que é um estado inominável.

Ela fazia do silêncio um artesanato fluido que atravessava a alma como um bisturi afiado, que operava o excesso de vazio na alma cansada.

A porta estava trancada como um livro fechado. Todos os mistérios ocultos.

Um ser se cala ao ser nomeado, pois seu ego está paz. Ao ser esquecido, grita com sua necessidade de existir nas palavras.

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⁠A ausência é o sal da vida, sua essência. A saudade é a expectativa do doce, quando ao paladar se apresenta o amargo. Ausência e saudade são faltas, que o ser humano suporta com resignação, de uma esperança que resultou inútil.

O tempo que não passa é uma fruta que não amadurece. É simbologia da estagnação, que leva à apatia e ao desespero. Todos os tempos fluem com a ação. A inação é a quebra da força vital.

Silêncio do cansaço é quando a retina se gasta com imagens que se repetem. O silêncio da contemplação é quando o silêncio pele um pouco de calma, para apreciar suas criações.

A memória é uma pulga que salta até quarenta vezes o seu tamanho. A memória é aquilo que ficou daquilo que passou. É um baú de lembranças que ao mesmo tempo alegra o coração ou o faz sangrar.

Lento é um nome poético para o vento, pois o vento é fluido e se vai de um canto a outro sem pressa. O vento calmo. Mas o vento pode ser potência destruidora, quando se embravece e brinca de arrancar casas e telhados.

Meu nome é solidão. Brinco com corações humanos, bombardeando-os de um silêncio absurdamente desconcertante. Meu objetivo é ver o homem se bastar.

O destino tem a cor dos meus olhos castanhos. Tem o amendoado dos meus olhos e me convida a rir ou chorar, no baile da sociedade ferida.

Se o amor fosse um labirinto seria o labirinto do Minotauro. O Minotauro encontraria-se em estado de paixão e seria incapaz de ferir até que a paixão passasse. Seguiria-se a realidade nua e bruta.

Ela nasceu nas fontes de água e morreu no deserto sem árvores. Ela era a antítese entre a abundância e a escassez. Renasceu como uma criança desconfiada, com a alegria do muito e o medo do nada.

Entre o céu e a terra havia um abismo que uma estrela cadente deveria atravessar, para o seu nascimento terreno. Era uma estrela em estado de epifania e nada podia temer. Era seu destino implacável.

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⁠O silêncio rodeia o tempo, como quem se apropria de sua sombra. O silêncio tem fome do tempo, e o transpassa como quem implora por um minuto a mais.

O relâmpago para um estado de consciência é como um insight, uma ideia nova e original, que tem o poder de mudar o norte para o sul, o leste para o oeste.

Caminhar sobre a ausência é atravessar um deserto de silêncio e ouvir o eco das miragens. Caminhar sobre a ausência é atravessar a dor do vazio e ouvir o eco das palavras não ditas.

Ele me olhava e eu olhava para ele, como se fossemos espelhos um do outro. Um silêncio profundo refletia nossa conexão.

Cada cor tem um som. O amarelo tem o som de um girassol, o azul tem o som do céu e o verde tem o som das florestas.

Uma metáfora não existe no mundo físico.Mas é poesia latente.

A alma é uma grande rocha, densa, palpável, forte. De dentro da rocha nasce a linguagem.

Nos instantes não lembrados, mora uma lembrança, delicada.

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⁠O último eco antes do silêncio comer a si mesmo seria o som de um grilo, suave, natural, como quem ignora a linguagem.

Um espelho sonha que é agua. Quando acorda está inundado de peixes.

A cor do tempo é transparente e impede que o tempo conte mentira, limitando seu alcance sem precisar sangrá-lo.

Se a lógica fosse uma escultura de vidro, permaneceria intacta, para além da impossibilidade de voar. Se suas asas é a razão, ela impera soberana.

Um livro que lê o leitor, descobre um homem falho, cuja limitação remete ao ventre de sua mãe e se prolonga no infinito. O livro choraria de

O infinito ferido é um vaso perfeitamente restaurado, que humano nenhum vê onde ele se cortou.

Um oráculo sem voz aponta as rachaduras na pedra, como quem alerta o homem de suas rachaduras humanas.

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O silêncio encarnado pode ser todos os sons que podem ser ouvidos, como um mar esverdeado refletindo uma luz alaranjada, com o som da suavidade.

Uma casa feita de ausências. Sua estrutura seria feita de silêncio e palavras não ditas.

Um relogio que demole o futuro está parado no passado, estrangulando o futuro e perdido do agora. Precisa de cuidados, dos futuros abortados, talvez alguns seriam preciosos.

A saudade circula em duas existencias. É abstrata. Circula entre corações e o universo. Tem sempre som de dor, daquilo que poderia ter sido e não foi, como uma flor açucena que morre antes de nascer.

O som de uma casa que nunca existiu tem som do momento que antecede uma demolição. Cheiro de passado desconstruído, perdido em pedras e poeiras.

Um homem que morreu e virou estrela em outra constelação vira saudade primordial.

Frases escritas por dois seres que não existem, mas se amam:Eu te amo com os olhos fechados ete enxergo em meus sonhos, onde te faço realidade em minha transcendência.

Um fastasma que não acredita na morte fala: Eis que venho para ficar, com a passagem só de vinda e a eternidade será minha velha companheira.

Uma estrela feita de silencio coincide com a explosão de uma estrela abundante de palavras. Vivem momentos existenciais opostos.

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⁠O mundo muda rapidamente e minha mente gira eletrizante. Perguntas sem resposta. Respostas sem pergunta. Inútil questionar quem sou eu. Talvez amanhã, quando cessar o turbilhão, eu entenda que nenhuma resposta é possível. Sou um ser orgânico, pleno de células. E meu cérebro cheio de neurônios, gerando sinapses. Mas isso diz pouco, quando me deito e não consigo dormir. Quando a angústia aperta e não sei se vou resistir. Andar, andar, andar. Sempre em frente. No fundo sei que sou como uma pedra dura de quebrar. E suporto uma, duas, dezenas e centenas de dias. Tudo poderia ser mais simples, mas o coração não conhece estrada. E nessas horas de perigo, sonho com sua voz dizendo que a vida vale a pena. E em um abraço eu sinto essa dor espairecer lentamente. Eu que tanto amei, no meu quarto vazio, sozinha, eu e minha consciência, busco um sentido mais forte para encarar o tempo e sentir que ele é meu companheiro inseparável. Era para eu ter morrido, mas eu não morri. Limpo um pincel e desenho retratos. Fragmentados. Longas horas pintando e pensando. Por que eu penso tanto? Seria mais fácil ser pragmática, mas reflito longamente sobre acontecimentos tão distantes. E se estou viva penso em Deus. Não tenho religião. Mas sei que há uma força superior. Assim vou mudando de assunto, vagando entre um pensamento e outro. O passado recheado de conquistas e arrependimentos. Deito a cabeça no travesseiro e sinto uma angústia pesada. Onde foi que eu errei? Eu só queria ser feliz. Hoje eu só quero ter paz. Que minha mente não me torture e que não me falte o ar de madrugada. Eu quero sentir prazer em compor um poema, em pintar um quadro, ou cantar. Mas uma apatia me impede de viver. Eu não sou uma vítima. Sou uma mulher forte. Uma mulher que escapou da morte. O futuro me parece obscuro, talvez eu suma e ninguém note. Daquele acidente ficou visões de carros vindo em minha direção. E sinto um sentimento amedrontador. Quando me madaram para o inferno, aquele homem alto e forte começou a me enforcar. Pensei que me mataria. Seria uma morte qualquer, em uma clínica qualquer. Mas eu não sou qualquer, sou uma pessoa única, que seria silenciada em um trágico dia. Sou uma sobrevivente. Não sou uma vítima, mas ainda sinto meu pescoço sendo enforcado. Como essas palavras ficaram tristes e pesadas. Assim é a realidade, dura demais para ser encarada. Pego minha trouxinha de dores e transformo em palavras. Esqueça. Eu sobrevivi e continuo aqui. Às vezes minha mente me dá um descanso e então sinto esperança. Essa semana foi meu aniversário. Que medo eu tenho de aniversários. Minha família veio, trouxe bolo. Eu fiquei feliz, mas quando foram embora, eu chorei. Toda alegria me traz tristeza, porque sei que toda alegria é passageira. A vida também é passageira, mas se demora além da hora. A vida passa arrastada, já sem objetivos. Sobreviver apenas. Morrer de tristeza e não macular o meu corpo. Talvez essa noite eu durma. E minha alma descanse.

Monalisa Ogliari

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⁠O sol surge lentamente, anunciando um novo dia. Renovação na ponta dos dedos. Dedos que surpreendem com suas palavras inesperadas. A noite povoada de sonhos. Duas dimensões no mesmo tempo, no mesmo espaço. Observo. Meus olhos estão povoados de imagens e o coração distingue suas cores, nuances e tonalidades. Dia silencioso, tranquilo. Talvez isso seja paz. Lembro de pessoas que passaram por minha vida. E me parece como personagens de um livro de ficção. Eu sou a protagonista da minha vida. Deus é o escritor. Dias tristes. Dias alegres. Caminhando na corda bamba do circo da vida. Pão e circo. Nem tanto pão, nem tanto circo. Equilíbrio. Minha alma questionadora não para. A vida é como é. As pessoas falam, dormem e acordam. A vida é isso. Queria eu ver a vida assim de modo tão simplista. Eu quero sempre mais. Mas hoje eu estou em paz. Quero um bom lugar para sentar. Quero simplesmente olhar. Hoje eu só quero que o dia passe suave. Até mais.

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⁠Cai a noite silenciosa. Quantos mistérios existem em seu silêncio? O sol se esconde e a noite escura nos convida à reflexão. O dia foi suportável, ainda que em alguns instantes lágrimas molharam meu rosto. A felicidade é frágil e dentro dela se escondem temores. Mas também é nela que se esconde a esperança. Já quase não me movo. Essa apatia vem carregada de densas culpas. Talvez o tempo esteja cobrando seu preço. Sou um ser frágil, enfrentando uma densa poeira, que machuca meu rosto. Nascer diferente com uma frágil esperança de futuro. Entretanto sigo minha sina. Choro quando não é possível conter no peito uma angústia ardilosa. E sorrio de esperança, porque apesar de tudo, a felicidade mora em mim. Queria saúde, queria amor, queria tantas coisas. E às vezes a solução é não querer. Espero um medicamento que me cure de mim. Eu não sou mais a mesma. Desconheço sorriso largos e como uma largarta vou rastejando nesse solo árido. Esperando que um dia enfim eu seja como uma borboleta, grande, colorida e leve. Espero o tempo que esse dia chegará. Até então, não vou descansar. Que venha a noite, escura e densa, meu peito suporta, forte como uma gaivota.

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⁠Às vezes eu não sei até quando eu vou aguentar. Minha cabeça me tortura vertiginosamente. Meu coração parece ter mil toneladas o comprensando. Esse vazio que ressoa como uma música hipnotizando o ambiente. Música que não é mais que ruído. Eu estou me rasgando de dor. E ninguém se importa. Lágrimas negras escorrem no meu rosto e as pessoas fazem anedota. Eu estou doente, profundamente doente e não há ouvidos que me ouçam. Não há mãos que apertem a minha. Não há palavras. Não há ninguém. Apenas eu sozinha à noite me contorcendo de dor. Faço mil orações e me pergunto onde está Deus que parece não me ouvir. Transtorno bipolar. Duas palavras e um trator atropelando minha alma. De onde virá a ajuda. Estão todos envolvidos com seus lares. E meu lar, que é minha alma transborda como em uma enchente. Por que dar um fardo tão pesado para mim que sou tão frágil. Deus meu, que mora nas estrelas, abrande essa dor carnal. Tantas vezes eu tentei partir, mas continuo aqui como rocha. Eu sou frágil na superfície, mas sei quantas noites escuras eu superei. Peço um fôlego a mais. As vezes me pergunto porque sou tão resistente. Poderia partir leve como uma ave que some no céu. Partir como um peixe que se esconde em oceanos profundos. Sinto dor. Uma tristeza asfixiante. Mas só por hoje eu não vou partir. Beberei um copo d'água e dormirei. Em meio a meus pesadelos eu vou me contorcer. Ao acordar não vou querer me levantar. Mas levantarei, tomarei um café e pensarei que sobrevivi, sem nenhuma empatia alheia. Eu me olharei no espelho e pensarei em esquecer os tolos e os insensíveis. Eu resistirei e dessa terra só parto quando meu tempo acabar. Eu sou rocha, pedra de ribeirão. Eu suporto a dor, porque em mim mora um flor delicada, prestes a desabrochar.

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⁠Como uma pluma, meus sentimentos flutuam no ar assim como uma folha levada de um lado a outro. A dor se dissipa lentamente e já não reconheço palavras lançadas no ar. Vida minha, que tanto me dá e tanto me tira, tira dos meus pensamentos as perguntas e me deixa flutuar. Eu quero a leveza da carícia de um gato. Eu quero o canto dos pássaros. Estou cansada da minha dor, desse peso inútil. Estou cansada do meu peito carregado. Deus meu, tire-me o peso de viver. Tira essa angústia inútil que desfaz os meus mais belos pensamentos. Eu quero a paz de uma coruja, silenciosa, com seus grandes olhos. Dai-me a graça de sentir o mundo como uma árvore que brota, anunciando que mais um fruto promete fartura. Queria a paz de tudo que é belo no mundo. Senhor, dai-me sua paz.

Inserida por monalisa_1

⁠Paira em meus dedos de pássaros, viagens longínquas. Em minha mente de águia, prevejo o futuro. O futuro que já entardeceu enquanto estamos ainda em plena manhã. Que saudade eu sinto do futuro. Tudo novo de novo. Posso então me entregar ao instante, presente inerente. E me libertar das dores que me oprimem. A medicina divina me libertará de cada passo doente. Com a saúde restaurada, viajarei por todo o mundo. E tudo será novo para mim. O presente requer paciência e a tão falada resiliência. Quero ser livre. Quero te asas. Quero abandonar o ninho e voar como uma gaivota. Tanto quero e tanto será. É só esperar.

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⁠No ciclo da vida, novamente é noite e me proponho a escrever sobre a escuridão, interna e externa. É na noite escura que podemos ver as estrelas. E é na escuridão interna que percebemos que somos mais fortes do que pensamos. Da dor nascem flores. Nascem saídas e belezas. Apenas quem cruzou a dor pode apreciar as pequenas delicadezas. Selecionar o que vale a pena. Conviver com a dor, para supera-la. E ser luz celestial para aqueles que não sabem apreciar o belo no mundo. A dor me mostrou que sou mais forte do que eu pensava. A dor fez com que eu me amasse mais. Somos poeira cósmica, na imensidão do universo. Somos também estrelas que cintilam. Hoje o dia foi sereno, ocupado por pequenos afazeres. A alma esteve calma. Lembro-me do passado, quando eu tive mais energia. Agora amadureci e me aproximo da velhice. Duas etapas, a juventude que passou e a idade que se apresenta. Se eu pudesse voltar no tempo, eu cuidaria melhor dessa estrelinha que sou. Teria me amado mais e não teria permitido tanto desrespeito. Daria e receberia o amor que eu mereço. Teria autocompaixao. Aquela menina bonita, sincera e determinada. Mas o tempo não volta. Hoje consigo ver com mais clareza meus erros e acertos. Agora na maturidade meu coração é mais calmo. Minhas emoções estão mais estabilizadas. E percebo que minha estrela nunca se acabou. Estava apenas piscando alta e resplandecente. A estrela que sempre fui.

Inserida por monalisa_1

Minha escrita é sobre como traduzir com palavras o silêncio. Como traduzir um instante vago, pleno de lembranças e memórias. Aqui nesse espaço eu falo o que a realidade me apresenta. Falo sobre a dor, mas falo também em esperança. Esperança de dias melhores, de saúde e afetos. Meus versos são livres e seguem os meus pensamentos. Sou honesta. Escrevo o que é real para mim. Escreve o que eu sinto, sem tentar mascarar o mundo que me cerca. Falo sobre saúde mental de forma lírica. Falo da força humana para continuar viva e pulsante. Todos os dias a vida me apresenta desafios de sofrimento, mas eu respondo com palavras e versos. É assim que eu proteja das falácias da mente.

Inserida por monalisa_1